interior”, como na canção de Belchior; alguém que não desistiu de sonhar, realizou esse sonho!
Eu poderia ter ficado frustrado, mas, pelo contrário, fiquei muito feliz, afinal, aquele sonho de criança, para mim, não era tão sério assim: era um sonho “da moda”, como foi, depois, ser piloto de Fórmula-1. Mas, por volta dos 13 anos, eu comecei a sonhar em ser engenheiro: queria construir coisas, transformar sonhos em realidade, e mesmo a realidade, onde fosse preciso!
Comecei a construir esse sonho com um curso técnico e trabalho; depois, vieram cinco anos de rotina universitária espartana: estudos com prazer, mas vida sem lazer. Creio que esta foi, também, a história de alguns de vocês, senão de todos. Com certeza, nada foi fácil!
Então, a partir de hoje vocês serão colegas... Valeu a pena? Como disse o poeta Fernando Pessoa, um engenheiro das palavras: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”; e esses cinco anos de convívio (principalmente o de 2001, que vale para todos os formandos aqui presentes) serviram para mostrar a grandeza da alma e do espírito empreendedor de cada um de vocês!
O sonho de uma vida está sendo concretizado? Não! Vocês estão recebendo apenas o brevê, que lhes permitirá voar sonhos cada vez mais altos e intensos. Sonhos que vão construir edifícios, administrar cidades, adaptar ambientes, salvar seres humanos, unir e dar condições dignas de vida e cidadania para pessoas, sem distinção de credo, raça ou condição social... Vocês serão veículos de concretização dos vossos sonhos e dos sonhos dos outros!
Apesar disso, vocês encontrarão portas fechadas, costas viradas... E daí? Quem tem um sonho aprende a voar e, assim, enxergar novos caminhos... Além disso, nós não temos apenas um sonho: são vários, que brotam no jardim da mente, no canteiro das idéias. Nem sempre é possível realizar todos, nem, tampouco, viver só deles; mas somos Engenheiros: realizadores de sonhos, por excelência! É por isso que devemos olhar todos os nossos sonhos com carinho, mas só colhermos os que florescem, para não sairmos da realidade, que é nosso campo de ação. Então, é preciso saber escolhê-los bem e, principalmente, saber compartilhá-los bem, e em nome do bem. Sonhos egoístas só servem para construir castelos de cartas sobre a areia movediça.
Por isso, colegas - vocês que têm a alma grande! - nunca percam a capacidade de sonhar! Nunca deixem que desprezem vossa faculdade de sonhar! E, principalmente, nunca – jamais! - permitam que lhes tirem o sagrado e inalienável direito de sonhar! Porque a habilitação para concretizar alguns desses sonhos vocês já estão recebendo hoje!
Com isso, vocês terão, sempre, visão e consciência, plena e harmônica: de si próprios, do mundo, do que vocês representam no mundo, do que o mundo representa em vocês, e da presença insofismável de Deus em tudo isso! Assim, a mente continuará a ser o vosso canteiro de sonhos; e o mundo, o vosso canteiro de obras!
Não é pouco, eu sei... São sonhos e obras de uma vida! Mais que isso: da comunhão de muitas vidas! Por isso, no que puder ajudar, contem sempre com este, rabugento e inconformado, mas, hoje, imensamente orgulhoso e agradecido padrinho!
Parabéns, colegas de sonho e, agora, de fato!
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Recomende o artigo "Aos construtores de sonhos -Discurso proferido por ocasião da formatura da XIII Turma do Curso de Engenharia Civil da UNISANTOS, da qual o autor foi paraninfo" de Adilson Luiz Gonçalves
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