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| Energia inesgotável? - Bolívia, Venezuela e Brasil. Artigo sobre as fontes de energia da América Latina < Artigos < Duplipensar.net |
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Energia inesgotável?
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 15.01.2007
Os governantes das ex-colônias européias parecem preferir brigar entre si a unirem-se em busca de uma nova ordem mundial, mais justa e equânime.
O que se vê, então, é uma inextinguível fogueira de vaidades, alimentada por egos megalomaníacos; e propostas de governo que se alternam: entre a total insensibilidade social e o populismo messiânico, ou entre a submissão aos interesses externos e o nacionalismo oportunista.
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Nesse ponto a América Latina ainda é - e merece continuar a ser - considerada como “colônia”, aonde as ex-metrópoles vêm fazer o que não podem fazer em seus territórios: turismo sexual, depósito de lixo tóxico, lavagem de dinheiro... Em vez de países emergentes, somos países “detergentes”.
Por conta disso, sobram desconfianças, tensões e instabilidades: Agora, a grande preocupação na América do Sul é com o gás da Bolívia... No caso do Brasil ela é ainda maior, por conta dos investimentos bilionários que a Petrobrás fez naquele país, com o beneplácito dos governos nacionais anteriores; e que o atual governo pensou preservar, com o apoio à candidatura do atual presidente daquele país...
Resultado: Poucos dias depois de anunciar nossa auto-suficiência em petróleo, mostramos nossa preocupante dependência do gás natural boliviano, ao menos em médio prazo! Um agravante significativo é que várias indústrias das Regiões Sul e Sudeste foram adaptadas para utilizar essa matriz energética, incentivadas pelos governos e temerosas de novos “apagões”...
A energia continua sendo um dos grandes “nós” para o desenvolvimento da América Latina. A Venezuela e, agora, a Bolívia estão usando esse “nó” como meio de barganha, de todas as formas possíveis. Seus governantes sabem que os hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) são recursos não-renováveis, e que suas economias são frágeis sem eles: Eles correm, portanto, contra o tempo! Talvez a Bolívia explore essa situação até para, manipulando Brasil e Argentina, conseguir resolver seu antigo problema de acesso ao Oceano Pacífico. Talvez a Venezuela queira “puxar” o eixo político do continente para cima... Esse é outro “nó” da América Latina: em vez de união para resolver problemas comuns, predomina a divisão, por interesses individuais, quase pessoais! E não há como impedir que os governos desses países ajam assim, pois isso seria negar um dos principais pilares da diplomacia brasileira: a autodeterminação dos povos.
Nosso problema é que houve, antes, a decisão estratégica de investir na Bolívia, mesmo sabendo que as reservas de gás bolivianas são de “tiro” relativamente “curto”. Hoje, estamos com as mãos atadas!
Isso foi obra do imponderável? Se foi, estamos mal de estrategistas!
Ao menos também houve, nesse mesmo período, investimentos em nosso território: novas plataformas de exploração, descoberta de gás natural na Bacia de Santos, energias renováveis: solar e eólica, no Nordeste e no Sul... Nesse ponto, a Petrobrás mostra que recursos financeiros não lhe faltam.
Energia... Sempre a energia! Mas, será que não existe uma fonte de energia capaz de solucionar a demanda do continente enquanto não aprendemos a conviver e raciocinar como um grupo organizado de nações afins?
Leia também:
• Crise do gás da Bolívia: Lula, o aprendiz de Neville Chamberlain - Eleutério Brandão
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