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Adriana Zimbarg - Publicado em 24.01.2007

Talvez o método de aplicação da eugenia que causa mais controvérsia seja o projeto genoma. Esse projeto foi lançado pela “sociedade americana de genética humana”. Entretanto, um dos idealizadores e participantes ativos foi o Dr. Franz J. Kallamann (membro ativo da sociedade de eugenia americana e também ex-parte integrante do movimento nazista). O projeto genoma visa o desvendamento do código genético e
  Exibição de Eugenia e Saúde no Kansas
 


 

pode ser usado para tratar muitas doenças de origem hereditária, o que é incrível, mais também pode ser usado para selecionar e reproduzir humanos perfeitos.

Francis H. Crick (premio Nobel em 1962 pela descoberta do DNA) deu uma declaração à imprensa que pode ser utilizada como o hino dos eugenista: "Nenhum recém-nascido deveria ser declarado humano enquanto não houver passado com êxito certos testes relativos a seu patrimônio genético e, em caso de fracasso frente a tais controles, deveria ser privado do direito de viver”.

A idéia que famílias numerosas apresentavam uma ameaça, pois é delas que viria o maior número de seres inferiores, usando partes extraídas do livro de Otto Helmut “O Povo em Perigo” escrito em 1937, podem ser achadas em declarações como: "A ameaça dos homens inferiores. Os delinqüentes masculinos têm uma média de 4,9 filhos; um casal de delinqüentes: 4,4 filhos; pais de filhos fracos na escola (3,5); a família alemã: 2,2 filhos; um casal de boa extração, 1,9 filhos”.

Para você que ainda não está em estado de choque, vamos anexar mais uma declaração de Frederick Osborn, que foi o presidente da sociedade eugenista americana de 1946 a 1952, também presidente da “Pioneer Found” (uma organização que prega a supremacia branca) de 1947 a 1956:

Faz 86 anos que Galton publicou ‘Le génie héréditaire’; faz 86 anos (...) ele via o movimento eugenista como algo que varreria o mundo e tornaria o homem amo de seu próprio destino sobre a terra. Isso não aconteceu.

O movimento eugenista é apenas um pequeno punhado de homens em vários países; aqui na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Índia, na França. Eles não têm influência na opinião pública. Inclusive a palavra ‘eugenia’ está desacreditada em alguns lugares. Eu, entretanto, continuo acreditando no sonho de Galton. A maioria de vocês também, eu acho. Devemos nos perguntar: - qual foi nosso erro?

Penso que não levamos em conta um traço de caráter quase universal, muito instalado na natureza humana. As pessoas simplesmente se negam a aceitar a idéia de que a base genética que forma seu caráter é inferior e que não deveria repetir-se na geração seguinte. Pedimos a grupos inteiros de pessoas que aceitassem esta idéia. E têm se negado em forma constante, e com isso, o que fizemos, foi matar o movimento eugenista.

As pessoas podem aceitar a idéia de um defeito hereditário específico. Eles vão a uma clínica de genética e perguntam qual é o risco que eles têm de ter um filho defeituoso. Comparam este risco com a probabilidade de ter um filho são e, em geral, acabam tomando uma decisão inteligente. Mas não aceitarão a idéia de que, em geral, são de segunda classe. Temos que nos apoiar em outras motivações. Em circunstâncias normais, os homens têm uma quantidade de filhos proporcional à sua capacidade para cuidá-los. Se eles se sentem financeiramente seguros, se gostam de assumir responsabilidades, se têm uma resposta afetiva cálida, se são fisicamente fortes e competentes, é provável que tenham famílias grandes, contanto que estejam psicologicamente preparados para isso. No entanto, os que não podem alimentar os filhos que têm, temem as responsabilidades, se sua resposta afetiva é escassa, não vão querer ter muitos filhos. Se dispuserem de meios eficazes de planejamento familiar, não terão muitos. Nossos estudos demonstraram que isto é válido em todo o mundo. Com base nisso, é certamente possível construir um sistema de seleção voluntária inconsciente Mas os argumentos invocados devem ser aceitáveis de maneira geral. Devemos parar de dizer a todos 9que eles têm uma qualidade genética globalmente inferior, porque eles não concordarão jamais. Devemos apoiar nossas propostas no desejo de ter filhos (nascidos) em famílias, onde serão cuidados com carinho e com responsabilidade. Talvez assim nossas propostas sejam aceitas. Acho que se a eugenia quer progredir como deveria, tem que ter políticas novas e reafirmar-se, e deste renascimento talvez possamos, em vida, ver como atinge os elevados objetivos que Galton estabeleceu.

Muitas pessoas financeiramente abastadas e internacionalmente foram abertamente reconhecidas como eugenistas, podemos citar como exemplo: Rockefeller, Kellog, Mellon, Ford, Carnegie, Agnelli, Mac Cormick e acredite ou não o nosso tão amado Monteiro Lobato que chegou até a publicar um livro, patrocinado pela Sociedade Eugênica Brasileira, chamado “O Problema Vital”.

O Darwinismo-social não foi uma das teorias desenvolvidas por Darwin. A teoria da seleção natural foi usada por um grupo de pessoas como inspiração para ideólogos no principio do século XX, para lutar a favor democracia liberal pregando, entre muitas outras idéias, o voto universal.

Outras interpretações do Darwinismo-social também apareceram, destacando a teoria de Herbert Spencer que afirmava que os protestantes brancos e europeus tinham evoluído muito mais rápido que as outras raças. Essas teses eram baseadas em impedir o crescimento da população de elementos considerados abaixo do padrão, estimulando a reprodução de seres que eram biologicamente superiores. Esse desespero de purificação da raça geneticamente, se tornou o centro de todas as questões relacionadas com genética e desenvolvimento da população mundial por muitas gerações.

Foi também criado o programa social-Darwinista, que apoiava a eliminação e o abrutamento dos elementos considerados inferiores. A antropometria e a frenologia foram usadas como ciências auxiliares para estudar o genótipo. Calculando tamanhos de caixas cranianas, orelhas, tamanho do nariz e várias outras características físicas, os cientistas poderiam chegar a conclusões que indicariam a existência ou não da decadência ou inferiorização da raça em pessoas que eram usadas como tema de estudo.

Especial - A história da eugenia e os crimes do Preto Amaral
Parte 1 - Introdução (23.01)
Parte 2 - Eugenia no mundo (24.01)
Parte 3 - Nietzsche e o super-homem (25.01)
Parte 4 - Movimentos eugenistas (26.01)
Parte 5 - Eugenismo e eugenia no Brasil (27.01)
Parte 6 - A história de Orfeu e Eurídice (28.01)
Parte 7 - A peça "Os Crimes do Preto Amaral" (29.01)

Adriana Zimbarg é editora do site www.minharua.com.
  Francis Harry Compton Crick, biólogo e cientista britânico Exibição de Eugenia e Saúde no Kansas Francis Harry Compton Crick, biólogo e cientista britânico Exibição de Eugenia e Saúde no Kansas Francis Harry Compton Crick, biólogo e cientista britânico Exibição de Eugenia e Saúde no Kansas Francis Harry Compton Crick, biólogo e cientista britânico Exibição de Eugenia e Saúde no Kansas
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