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A história da eugenia e os crimes do Preto Amaral - Nietzsche e o super-homem
Adriana Zimbarg - Publicado em 25.01.2007
Friedrich Nietzsche, durante sua mocidade, achava que vários direitos eram apenas atribuídos à raça superior. Dar direitos a uma maioria, que era medíocre segundo ele, de tomar decisões, seria um erro que poderia causar a destruição da raça suprema. O poder, segundo seu ponto de vista era um privilégio das raças superiores.
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Nietzsche era muito interessado na teoria de superioridade racial do Galton. Muitos dizem que com a sua idéia de um super-homem, que seria capaz de ir além do bem e do mal, ele tentou espiritualizar o Darwinismo-social. Nietzsche desprezava o cristianismo e religiões em geral, ele via essas entidades como um ponto de controle para pessoas fracas. Acreditando no desenvolvimento desse herói moderno, que seguiria regras feitas por ele mesmo, um ser superior só poderia aparecer através do desenvolvimento das raças superiores, que aperfeiçoariam a raça humana mental e esteticamente.
Mesmo tendo essa idéia de um super-homem, Nietzsche logo percebeu que o Darwinismo-social não estava seguindo o rumo que ele tinha em mente. Não existem dados do envolvimento pessoal de Nietzsche com o nazismo. Sua irmã Elizabeth, que tomou conta do filosofo enquanto ele padecia, era abertamente simpatizante do movimento nazi-fascista. Foi ela que, em um gesto simbólico, deu a Hitler à bengala que pertenceu a seu irmão, como se fosse um ato de aceitação e de encorajamento para que esse seguisse trilhando o caminho da raça pura que, segundo ela, seu irmão era a favor. Podemos culpar Nietzsche por ter se entusiasmado com uma idéia, que circulava abertamente entre seus grupos de amigo como o compositor Wagner, porém ele logo percebeu que esse movimento não era exatamente o que ele tinha em mente, diferente de Elizabeth e seu marido, que eram abertamente fãs do regime.
Se qualquer pessoa passar algumas horas estudando sobre o darwinismo-social e eugenismo, com certeza vai achar muitas pessoas de que é fã envolvida com essa idéia de produção de uma raça superior. Até o poeta Willian Blacke (1757-1827), deixou sua opinião gravada na história sobre o não direito da igualdade entre nós humanos: "a mesma lei para o Leão e o Boi é opressão!".
A política de eliminação em massa foi adotada pelos nazistas, que se apoiaram em teorias como a criada por Galton, que foi extremamente difundido entre os anos 20 e 30 na Europa e nas Américas, do norte e do Sul. Os nazistas não estavam só perseguindo pessoas de origem judaica: eles estavam tentando implantar um gigantesco plano de eugenia, exterminando todas as pessoas que eles consideravam indignas de permanecer vivas. Negros, judeus, ciganos, índios, gays e muitos outros passaram por processos de esterilização, a eutanásia e quase genocídio, enquanto essa proliferação da raça ariana era incentivada.
A estimulação da procriação da raça superior dava aos homens selecionados o direito de acasalar-se com quantas mulheres ele tivesse vontade, desde que elas fossem de raça pura. Soldados nazistas durante a ocupação de outros países, eram incentivados a ter relações sexuais, voluntária ou involuntariamente, com o máximo de mulheres arianas o possível. Essa liberdade dada aos soldados era uma idéia fácil e rápida de ser colocada em prática para aumentar o número de arianos. As crianças nascidas nessas circunstâncias deveriam ser criadas em orfanatos especiais sob os cuidados do regime nazista.
Usando a adaptação e edição das idéias de Nietzsche, feitas pela irmã do autor. A obra de Nietzsche foi simplificada, dando a ela uma conotação unilateral de seus pensamentos. A idéia do nazismo era formar no futuro uma raça privilegiada e um restante de pessoas que seriam nada mais do que submissos; que viveriam de acordo com a lei de obediência, mesmo que isso significasse para o submisso cometer suicídio. Só os mais fortes teriam direito à vida. Esse direito seria coordenado pelo ser supremo, o super-homem, que não estaria sujeito a nenhum julgamento. A linhagem não seria fator avaliado, nessa pessoa se avaliaria o caráter, que teria que ser frio, inflexível, robusto, impiedoso e, sobre tudo, insensível.
Especial - A história da eugenia e os crimes do Preto Amaral
Parte 1 - Introdução (23.01)
Parte 2 - Eugenia no mundo (24.01)
Parte 3 - Nietzsche e o super-homem (25.01)
Parte 4 - Movimentos eugenistas (26.01)
Parte 5 - Eugenismo e eugenia no Brasil (27.01)
Parte 6 - A história de Orfeu e Eurídice (28.01)
Parte 7 - A peça "Os Crimes do Preto Amaral" (29.01)
Adriana Zimbarg é editora do site www.minharua.com.
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