Em cartaz a peça "Os Crimes do Preto Amaral" - A história da eugenia e os crimes do Preto Amaral - Quem foi o Preto Amaral? - Teatro < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Adriana Zimbarg - Publicado em 29.01.2007

A montagem de "Os Crimes do Preto Amaral" é uma experiência completamente nova. Você vai se encontrar no meio de uma sala de visitas, todo o ambiente é decorado em tons esbranquiçados.

Quase todo o figurino é feito em branco para, provavelmente, não destoar
  Peça Os Crimes do Preto Amaral
 


 

esteticamente com o tema da peça. O Preto Amaral quebra esse figurino harmônico, aparecendo inteiramente vestido de preto, fato que pode ter sido usado para enfatizar a diferença e a contradição que foi encontrada pelo negro na sociedade dessa época.

Também podemos interpretar a utilização das cores seguindo o efeito psicológico que elas têm sobre as pessoas: a cor branca chama a atenção para a pureza, limpeza e sofisticação, ao mesmo tempo a mente humana atribui à cor preta idéias sinistras, geralmente relacionadas com a morbidez e pecado.

O ambiente do teatro ao mesmo tempo em que te fará sentir confortável, vai te causar “frio na espinha”. O fato de a história ser uma mescla de um romance mitológico com fatos baseados na realidade de um homem negro (baseada na tese de doutorado de Paulo Fernando de Souza Campos) contra uma sociedade racista e discriminatória do Brasil na década de 20 faz com que essa história que está sendo apresentada em passo rápido, mexa muito com as sua idéia de teatro interativo. Não que a platéia seja convidada a participar da peça, porém prepare-se para sair do espetáculo se sentindo cúmplice dessa trama.

Provavelmente um dos fatores que ajudam essa peça a entrar pelas veias do expectador se deve ao fato de que a principal música da trilha sonora ser muito conhecida e amada por nós brasileiros. Além de ser tocada ao vivo por um conjunto de músicos, em certos momentos ela e cantada e tocada por dois dos atores protagonistas.

A história da peça e os diálogos foram escritos pelo diretor Paulo Faria. Muito mais que um ótimo diretor, ele tem uma sensibilidade enorme para lidar com a crítica social. Entre vários outros méritos, um que não devemos deixar de citar é a qualidade dos atores selecionados para fazer parte da “Cia. Pessoal do Faroeste”. Seria injusto e imperdoável citar apenas o nome de um dos atores, sendo que todos têm uma participação fundamental para a obra que, por nós, é considerada uma das melhores peças teatrais do ano de 2006.

Ficha técnica da peça "Os Crimes do Preto Amaral"
Direção geral e dramaturgia: Paulo Faria
Elenco: Adão Filho, Álvaro Franco, Bri Fiocca, Charles Braun, Ênio Gonçalves, Erika Altimeyer, Isadora Ferrite e Sílvia Borges
Músico: Pedro Birenbaum
Co-diretor: Iarlei Sena
Direção musical e preparação vocal: Carlos Bauzys e Denise Venturini
Sonoplastia: Jorge Pena
Supervisão histórica: Dr. Paulo Campos
Realização: Cia. Pessoal do Faroeste e Cooperativa Paulista de Teatro
Duração: 90 minutos
Local: Sede Luz do Faroeste – Rua Cleveland, 677, Campos Elíseos, São Paulo, SP

Especial - A história da eugenia e os crimes do Preto Amaral
Parte 1 - Introdução (23.01)
Parte 2 - Eugenia no mundo (24.01)
Parte 3 - Nietzsche e o super-homem (25.01)
Parte 4 - Movimentos eugenistas (26.01)
Parte 5 - Eugenismo e eugenia no Brasil (27.01)
Parte 6 - A história de Orfeu e Eurídice (28.01)
Parte 7 - A peça "Os Crimes do Preto Amaral" (29.01)

Adriana Zimbarg é editora do site www.minharua.com.
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