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Eduardo de Araújo Carneiro e Egina Carli de Araújo Rodrigues Carneiro - Publicado em 22.01.2007

"Nunca houve, talvez, uma geografia tão confusa, hesitante, cheia de erros e de reticências do que a do ocidente do rio Madeira, durante os tempos coloniais". (Leandro Tocantins, 2001, 387p. )

A pergunta que traz o título desse artigo parece ter uma resposta óbvia para os
  Índios do Acre
 


 

acreanos. O Acre pertencia ao Brasil. Mas, se questionarmos a história, veremos que outros dois países também reivindicavam essas terras: o Peru e Bolívia. Então, o Acre era realmente de quem?

Do BRASIL? Juridicamente todos os Tratados Internacionais anteriores ao de Petrópolis (1903) respondem negativamente a essa pergunta. A Bula Papal Intercoetera (1493) Tratado de Tordesilhas (1494), Tratado de Madri (1750), Tratado de El Pardo (1761), Tratado de Santo Ildefonso (1777) e o Tratado de Badajós (1801). O próprio Brasil Imperial reconheceu que o Acre pertencia à Bolívia (Tratado de Ayacucho, 1867).

Do PERU? Lembremos que na época em que o Peru era um dos quatro vice-reinados da Espanha aqui na América, as terras que compõem o território boliviano, lhe pertenciam. A Bolívia conquistou a independência em 1825. No entanto, não houve consenso em relação aos limites fronteiriços com entre os dois países. O Peru alegava que era dono de todo o vale do Amazonas, a leste do meridiano do nascente do Javari. Quando a “revolução” acreana aconteceu, essa questão ainda estava latente. No caso, o Brasil teria de negociar o Acre com o Peru e não com a Bolívia. O Barão de Rio Branco em poucos meses resolveu a questão acreana com a Bolívia. Com o Peru, ao contrário, a pendenga durou seis longos anos.

Da BOLÍVIA? A Bolívia considerava o Acre como “Tierras non descobiertas”, ou seja, terras ainda não exploradas pelos bolivianos. A atenção econômica desse país estava voltada para a extração de ouro e prata, negócio seguro e certo. Além do mais, a Bolívia vinha de uma guerra contra o Chile de quatro anos (1879-1882), portanto, teve que deslocar recursos humanos em direção oposta ao Acre. Aproveitando-se do patrocínio internacional e da crescente valorização do preço da borracha, milhares de nordestinos ocuparam as terras, criando o que se chamou de “Questão do Acre”. A Bolívia, mesmo sem ter ocupado a terra, alegava que o Acre lhe pertencia baseando-se nos mesmos Tratados Internacionais que o Peru, exceto o de Ayacucho.

De quem era o Acre, afinal? Ora, segundo a retórica aceita do UTI POSSIDETIS, o Acre pertenceria não aos seus descobridores, e sim aos seus ocupantes. Então, o Acre inegavelmente pertencia ao Brasil, certo? Não, errado. Os brasileiros foram um dos primeiros brancos a assassinarem índios na região, e não os seus primeiros ocupantes. Os primeiros ocupantes foram os índios.

Até a segunda metade do século XIX, viviam no território hoje conhecido como Acre cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos. Os sítios arqueológicos descobertos recentemente em Sena Madureira (AC) revelam indícios da existência de vida indígena há pelo menos dez mil anos.O que fazer com essa presença milenar? O que dizer da diminuição abrupta dessa população? O índio é um tema nevrálgico na historiografia oficial acreana. Sofre interdições abertas - é controlado, selecionado, organizado e redistribuido por procedimentos que têm por função conjurá-lo. Nos dizem que que pertenciam a uma pré-história do Acre e que não conseguiram se adaptar ao progresso da civilização. Na verdade, até hoje são tratados como estrangeiros.

Mas o leitor pode me perguntar: eram índios brasileiros ou bolivianos? Eu responderei que as nacionalidades são invenções recentes, criadas pela modernidade. O Estado-Nacional que conhecemos hoje nasceu no século XIX, na Alemanha de Bismarck. Portanto, não podemos enquadrar o índio numa categoria criada pelo branco.

O que podemos dizer é que os índios foram mortos aos milhares. O genocídio foi fruto da intolerância e da ambição dos brancos. É bom lembrar que esses brancos são, em sua maioria, constituídos por brasileiros - os nossos antepassados que tanto cultuamos como heróis. O branco patriota dizimava índio por meio das famosas “correrias”.

Atualmente vivem no Acre um pouco mais de 10 mil indígenas. No dia 19 de abril, dia em que o branco concedeu ao índio para vãs “comemorações”, geralmente vemos políticos disputarem microfones para convencerem outros brancos, que os índios têm VALOR. Pode o índio ter valor sob a tutela do branco? O Acre pertencia aos índios, mas esse debate pouco importa numa terra feita de “heróis”.

Egina Carli de Araújo Rodrigues Carneiro é professora de história, pós-graduanda em História da Amazônia pela UFAC.

Eduardo de Araújo Carneiro é licenciado em História, concludente do curso de Economia e acadêmico do Mestrado em Letras pela UFAC e edita o blog História do Acre

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Quem foi Gálvez da minissérie Amazônia?
Erroneamente apontado como boliviano, Luis Gálvez Rodríguez de Arias nasceu em São Fernando, na região da Andaluzia (Espanha) numa tradicional família. Gálvez era jornalista e diplomata. Gálvez estudou ciências jurídicas, tornou-se diplomata na Europa. Seu vasto conhecimento não impediu seu espírito aventureiro de procurar o "Eldorado" na Amazônia. Tornou-se jornalista em Manaus no jornal Comércio do Amazonas, abriu um bordel com uma antiga amante (Lola). Decide partir para a conquista do Acre ao traduzir um documento da Bolívia. Proclamou a República do Acre em 1899, o qual governou entre 14 de julho de 1899 e 1º de janeiro de 1900 e 30 de janeiro e 15 de março de 1900. Gálvez morreu em Madri em 1935.

Quem foi Chico Mendes?
Francisco Alves Mendes Filho nasceu em Xapuri, Acre, em 15 de dezembro de 1944. Chico Mendes, como era mais conhecido, era seringueiro. Fundou um sindicato de seringueiros para preservar a profissão da extração madeireira indiscriminada e o desmatamento. Atuou na fundação do Conselho Nacional dos Seringueiros e ajudou a formular a proposta das Reservas Extrativistas para os seringueiros. Em 1987 Chico Mendes foi reconhecido internacionalmente com os prêmios "Global 500" da ONU e a "Medalha do meio ambiente" da Better World Society. Foi assassinado em frente de sua casa em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos. A justiça condenou os fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva pela morte de Chico Mendes.

Ficha da minissérie Amazônia, de Gálvez a Chico Mendes
Horário de exibição: 23:00 às terças, quintas e sextas e 00:05 às quartas
Emissora: Rede Globo
Estréia: 2 de janeiro de 2007
Minissérie de Glória Perez
Direção: Pedro Vasconcelos, Marcelo Travesso, Carlo Milani, Roberto Carminati e Emílio di Biasi
Direção geral: Marcos Schechtman
Site oficial da minissérie Amazônia, de Gálvez a Chico Mendes
Elenco da 1ª fase:
José Wilker - Luis Gálvez Rodríguez de Arias | Alexandre Borges - Plácido de Castro | Cássio Gabus Mendes - Chico Mendes | Giovanna Antonelli - Delzuite | Christiane Torloni - Maria Alonso | Vera Fischer - Lola | Cacau Melo - Diná | Débora Bloch - Beatriz | Regina Casé - Maria Ninfa | José de Abreu - Coronel Firmino Rocha | Ilya São Paulo - Viriato | Osmar Prado - Gianni | Matheus Nachtergaele - Poeta | Malu Valle - Dona Júlia | Juca de Oliveira - José de Carvalho | Alessandra Maestrini - Soledad | Anderson Müller - Osmarino | Antônio Pitanga - Alcedino | Antônio Calloni - Padre José | Tonico Pereira - Genival | Betty Gofman - Amelinha | Eriberto Leão - Dianesco de Castro | Mussunzinho - Dico | Paulo Nigro - Tavinho | Brendha Haddad - Ritinha | Tarcísio Filho - Orlando Lopes | Luci Pereira - Jovina | Jackson Antunes - Bastião | Thiago Oliveira - Bento (Jovem) | Cacá Amaral - José Galdino | Leona Cavalli - Justine | Eunice Baía - Ayani | Eduardo Galvão - Joaquim Vitor | Tânia Alves - Dos Anjos | Neuza Borges - Zefinha | Franciely Freduzeski - Amparito | Victor Fasano - Gentil Norberto | Werner Schunemann - Rodrigo de Carvalho | Duda Ribeiro - Doutor | Márcio Vito - Clemente | Milena Toscano - Ilka Jobim | Suyane Moreira - Ianká | Sóstene Vidal - Honório | Magdale Alves - Angelina | Cláudio Janborandy - Benedito | José Ramos - Zuca | Ronaldo Dappes - Augusto | Val Perre - Vitorino
Elenco da 2ª fase:
Vanessa Giácomo - Ilza (Ilzamar Mendes) | Caio Blat - Xavier | Marcelo Faria | Camila Rodrigues | Emílio Orciollo Neto - Bento | André Gonçalves - Zuca | Dan Stulbach - Leôncio | Irene Ravache - Beatriz | Eva Todor - Branquinha | Júlia Lemmertz - Risoleta | Diogo Vilela - Juvenal Antunes | Letícia Spiller - Anália | Humberto Martins - Augusto | Fernanda Paes Leme - Adenoura | Patrick de Oliveira - Alípio | Kadu Moliterno - Governador Souza Braga | Jurandir Oliveira - Russo | Ernani Moraes - Coronel Tiburtino | Roberto Frota - Padre Freire | Cláudio Marzo - Ramalho Júnior | Odilon Wagner - Alarico | Paulo Betti - Gomes | Suzana Faini - Zeferina | John Vaz - Coronel Rojas | Leopoldo Pacheco | Pedro Paulo Rangel
Elenco da 3ª fase:
Lima Duarte - Augusto | Francisco Cuoco - Bento

Ficha do Estado do Acre
Região: Norte
Capital: Rio Branco
O Acre faz fronteira com: Amazonas, Rondônia, Bolívia e Peru
Mesorregiões: 2
Microrregiões: 5
Municípios: 22
Área: 152.581,4 km² (16º maior Estado)
População: 669.736 hab. IBGE/2005 (25º Estado mais populoso)
Densidade: 3,7 habitantes/km² (23º Estado com mais densidade de habitantes)
Clima: Equatorial Úmido
Fuso Horário: GMT-5 (Duas horas a menos que Brasília).

Indicadores do Acre:
Analfabetismo: 16,9% exceto população rural (2003)
Mortalidade infantil: 33,2% (2002)
Expectativa de vida: -
Índice Gini:
IDH do Acre: 0,697 PNUD/2000
PIB do Acre: R$ 2.716.123 mil (2003) = 0,2% do PIB do Brasil
PIB per capita: R$ 4.338 IBGE/2003
Quem nasce no acre é: acriano ou acreano (mais usado)
Sigla: AC
Ouça o hino do Estado do Acre (Versão WMA - 1,3 Mb)
Ouça o hino do Estado do Acre (Versão MP3 - 3,9 Mb)

Bandeira, brasão e mapa do Estado do Acre - AC
Bandeira do Acre
Bandeira do Estado do Acre - AC
Mapa do Acre
Mapa do Estado do Acre - AC
Brasão do Acre
Brasão do Estado do Acre - AC
 


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