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Academia Brasileira de Letras
João Ubaldo Ribeiro é imortal, porém não daqueles imortais que você vê na TV, a imortalidade dele é na realidade teórica. Para os leitores que estão mais acostumados com a TV e não sabem o que é a Academia Brasileira de letras, escreveremos o parágrafo abaixo:

A ABL é uma instituição fundada em 1897 que tem como intuito cultivar a língua e
  João Ubaldo Ribeiro -
 


 

literatura nacional (isso quer dizer que se um dos membros deparar com um dos meus textos ou assistir a uma aula de português, em qualquer escola da rede pública, não seria totalmente irracional essa pessoa sugerir para seus outros 39 colegas mudar a academia de letras para outro campo de atividade, algo que seja mais tangível).

(Já peço perdão pelas frases que irei escrever assim que fechar esse parêntese, pois muitos dos membros da academia são escritores, autores e intelectuais que merecem mais do que elogios de uma idealista cheia de sonhos quixotescos).

A lição de anatomia do mestre holandês Rembrandt:Olavo Bilac, Leôncio Correia, Henrique Holanda, Pedro Rabelo, o doutor Pederneiras, Álvaro de Azevedo Sobrinho e Plácido Júnior. O autopsiado é Artur Azevedo - possivelmente vítima de indigestão -, sendo o legista, que o opera com o sabre emprestado pelo oficial da ronda, Coelho Neto. Esta fotografia pertencia a Bilac e está autografada pelo Príncipe dos Poetas.A ABL conta com 40 participantes, que são chamados imortais porque supostamente teriam deixado obras literárias e feito contribuições ao nosso idioma de tanta importância que colocariam o nome dos autores, escritores e demais para sempre na história.

Entre os autores que almejam uma cadeira na academia, os membros devem ser mais conhecidos como sempiternos do que imortais. Uma vaga só é aberta quando o ocupante da cadeira resolve desafiar a relatividade da palavra imortalidade.

Entre os membros atuais da ABL, encontramos nomes como: Arnaldo Niskier, Candido Mendes de Almeida, Carlos Nejar, Cícero Sandroni, Ivan Junqueira, Marcos Vinicios Vilaça e João de Scantimburgo (Nota aos leitores: Se você não sabe a quem pertencem os nomes acima, não se sinta inferiorizado, junte-se a 99% da população e a nós). Em meio a tantos imortais também podemos encontrar nomes como: Marco Maciel, Ivo Pitanguy, José Sarney e Paulo Coelho (finalmente a academia resolveu ser menos elitista e abrir as portas a outros profissionais que não estão necessariamente ligados à cultura ou a escrita, assuntos que hoje em dia são considerados démodé!!!).

Porém não é só de fardão, chá e biscoitos que a vida é constituída. Na ABL podemos encontrar autores como Artur Azevedo (ops...esse já faleceu), Castro Alves (esse também já foi) e Manuel Bandeira (que já deve ter nascido imortal) e o magnífico Machado de Assis (algo me diz que após corrigir os erros gramaticais desse texto, ele estaria concordando com muitas das afirmações escritas nessa matéria)... Entre os imortais que ainda tem os pés fincados sobre o solo, me dá muito gosto poder citar João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna, Zélia Gattai, Nélida Piñon, Lêdo Ivo, Lygia Fagundes Telles, entre muitos outros.

Uma pequena biografia de João Ubaldo Ribeiro
João Ubaldo Ribeiro ocupa a cadeira número 34 na ABL, desde 1993. Essa cadeira pertenceu a vários nomes que deixaram saudades, sendo o antecessor de João Ubaldo Ribeiro, Carlos Castello Branco.

João Ubaldo Ribeiro nasceu na ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de Janeiro de 1941. Quando ele tinha dois anos de idade sua família se muda para Aracajú. Graças o desapego de seu pai em relação ao analfabetismo, João com sete anos já era alfabetizado e pode ingressar no Instituto Ipiranga.

Desde cedo apaixonado por literatura, e contando com o “auxílio” de seu pai, ele sempre se teve motivação para estar entre os primeiros alunos da classe. Em casa, seu pai sempre solicitava informações sobre o que ele havia aprendido na escola, chegando às vezes a pedir para João resumir e traduzir trechos de livros lidos.

Não chamando o pai do menino de exigente ou coisa parecida, porém muitas vezes ele requisitava que João Ubaldo Ribeiro traduzisse canções do francês para o português e digamos que uma de suas atividades de férias era copiar sermões do padre Vieira em latim, sem esquecer que ele ainda era extremamente avançado em Inglês. Eu mencionei o fato que o pai de João, Manoel Ribeiro, era chefe da polícia militar?

A família se muda mais uma vez. Dessa vez eles vão para Salvador, aonde em 1956, João Ubaldo conhece Glauber Rocha. Um ano depois João tem a sua estréia em jornalismo. Com cerca de 17 anos ele chega a exercer o cargo de editor-chefe do jornal Tribuna da Bahia.

Participante ativo do movimento estudantil, João nessa época estudante de direito, juntamente com Glauber Rocha, se dedica a editar revistas e jornais culturais. Quando se formou em direito, profissão que nunca exerceu, ele decide fazer sua pós-graduação em administração pública.

Escreve o seu primeiro romance em 1963, “Setembro não faz sentido”. Em 1964, ao mesmo tempo em que estava sendo procurado por aqui no Brasil, o nosso querido autor estava fazendo o seu mestrado na Universidade da Califórnia. Retornando ao Brasil e ao Jornalismo e com a ajuda de Glauber Rocha e o apadrinhamento de Jorge Amado, seu primeiro romance “Setembro não faz sentido” é publicado.

Daí pra frente a carreira literária de João Ubaldo é um conglomerado de obras incríveis: Sargento Getúlio, Revelação do Autor, O livro de contos Vencecavalo e o Outro Povo podem ser citados como exemplos.

Entre mudanças do Brasil para a Europa, João cada vez mais firma seu nome como um dos escritores mais conhecidos do Brasil e do mundo. João Ubaldo Ribeiro escreveu livros, contos, crônicas, novelas, séries e mini-séries, até que no dia 7 de outubro, após a morte de Carlos Castello Branco, ele é eleito com 21 votos como membro da ABL.

Adriana Zimbarg é editora do site www.minharua.com.

Ficha de João Ubaldo Ribeiro
Nome completo: João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro.
Nascimento: 23 de janeiro de 1941, Ilha de Itaparica - Bahia.
Academia Brasileira de Letras: ocupa a cadeira 34 (Patrono Sousa Caldas) desde 1994.
Principais prêmios: Prêmio Jabuti de 1972 na categoria Revelação de Autor pelo livro "Sargento Getúlio", Prêmio Jabuti de 1984 na categoria Romance pelo livro "Viva o povo brasileiro", Prêmio Anna Seghers da Feira do Livro de Frankfurt, Prêmio de melhor livro infanto-juvinel Die Blaue Brillenschlange pela edição de "Vida e paixão de Pandomar, o cruel".

Romances de João Ubaldo Ribeiro: Setembro não tem sentido - 1968, Sargento Getúlio - 1971, Vila Real - 1979, Viva o povo brasileiro - 1984, O sorriso do lagarto - 1989, O feitiço da Ilha do Pavão - 1997, A Casa dos Budas Ditosos - 1999, Miséria e grandeza do amor de Benedita - 2000 e Diário do Farol - 2002.
Contos de João Ubaldo Ribeiro: Vencecavalo e o outro povo - 1974 e Livro de histórias - 1981.
Livros de crônicas de João Ubaldo Ribeiro: Sempre aos domingos - 1988, Um brasileiro em Berlim - 1995, Arte e ciência de roubar galinha - 1998, O Conselheiro Come - 2000, Você me mata, Mãe gentil - 2004 e A gente se acostuma a tudo - 2006
Livros de ensaios de João Ubaldo Ribeiro: Política: quem manda, por que manda, como manda - 1981.
Literatura infanto-juvenil de João Ubaldo Ribeiro: Vida e paixão de Pandomar, o cruel - 1983 e A vingança de Charles Tiburone - 1990.
Antologia: História Pitorescas - 1977 e Obra seleta - 2005

Participação em coletâneas: "Lugar e circunstância". In: Panorama do conto bahiano - 1959, "Josefina", "Decalião" e "O Campeão". In: Reunião: contos - 1961, "Já podeis da pátria filhos". In: Onze em campo e um banco de primeira - 1998. Obras traduzidas pelo autor: Sergeant Getulio (Sargento Getúlio) - Boston - 1978, An invincible memory (Viva o povo brasileiro) - N.York - 1989
Organização de livro: Nova floresta - Manuel Bernardes - 1993
Apresentação de livros: "Um espelho distante". In: A arte de furtar - 1992, "Apresentação". In: Nova floresta - 1993, "Apresentação". In: O mistério do Leão Rampante - 1995 e "Vida e livro fascinantes". In: Glauber Rocha, esse vulcão - 1997
Carnaval: seu livro "Viva o povo brasileiro" é tema da escola de samba Império da Tijuca no carnaval carioca de 1987.

Adaptações de suas obras para a TV: O sorriso do lagarto (Minissérie da Rede Globo exibida em 1991), O santo que não acreditava em Deus ("Caso Especial" da Rede Globo exibido em 1993) Cinema: adapta o romance "Tieta do Agreste" de Jorge Amado com Cacá Diegues e Antônio Calmon. Sua obra "Sargento Getúlio" vira filme, dirigido por Hermano Penna.

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