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Artigo sobre o massacre de Virginia Tech - Tiroteio em universidade mata 32 pessoas em Virgínia
Patricia Botelho - Publicado em 23.04.2007

A escola é uma instituição que objetiva cultivar relações que promovam o compartilhamento de conhecimento, gerando o ensino. Embora essa afirmativa pareça correta, outras pessoas fazem uso desse espaço para outros objetivos distantes do que se chama ensino.
  Violência na escola, um problema social - Massacre de Virginia Tech
 


 

Na segunda-feira, dia 16 de Abril de 2007, a escola tornou-se o cenário em que se desenrolaram atos violentos no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Um aluno sul-coreano protagonizou o que muitos denominaram barbárie, porque culminou na morte de 32 pessoas. Tal notícia conduz a questionamentos como: O que motivaria a prática da brutalidade? E porque o espaço escolar foi participante nesse processo?

A sociedade permanece perplexa diante de manchetes como essas, mas não percebe que é co-participante na motivação desses atos violentos. Para discutir essa concepção, torna-se necessário fazer uma releitura do texto de Lília Lobo, intitulado “Crônica da escola assassinada” (Revista do Departamento de Psicologia da UFF, ano I, 1989), que revela como uma escola pode ao mesmo tempo ser assassinada e assassina.

Incrível constatar que um texto escrito há 18 anos permanece atual, aplicável na discussão aqui pretendida. A imagem da escola como o cerne do saber, um lugar ideal e belo em que se cultivam valores éticos e igualitários tem sido manchada por constatações realistas de sua co-participação no processo de produção da violência. Nota-se que o sistema de ensino tem servido aos apelos da sociedade de classes, difundindo o discurso da dominação ao relegar ao aluno a restrição ao saber, ignorando o seu saber em função da imposição do “saber dominante”. Depois, dentro desse mesmo ambiente, falsamente democrático, os próprios alunos passaram a fazer as mesmas distinções presentes na sociedade ao reproduzir atos velados de preconceito (em diversos âmbitos, sobretudo financeiramente). Os atos discriminatórios tomaram corpo, contrariando a política social da igualdade, e a válvula de escape se manifestou por meio da violência.

Cercear a discussão sobre a violência focando somente o aluno, que protagonizou ou que poderá protagonizar uma tragédia, seria perpetuar uma ignorância tamanha por não atribuir ao sistema escolar a parte que lhe cabe na promoção desse processo. As manchetes dos grandes meios de comunicação revelam a parte final do grande problema que está instalado nas escolas, como descrição de um diagnóstico. É preciso partir para o início do processo, percebendo onde estão os sintomas dessa doença, porque somente remediar está custando muito caro. Quem mais sofre com essa carência são os pais e os educadores comprometidos com seu papel, porque para outros, sobretudo a elite, tal diagnóstico favorece o discurso de dominação, em que o pobre permanece mais pobre e o rico, mais rico.

A sociedade precisa refletir a respeito dos valores difundidos para a comunidade jovem, e a escola tem que servir como meio que gera o conhecimento compartilhado, não servindo mais como propaganda da violência, a começar pelo âmbito ideológico, favorecendo a distinção de classes. A escola precisa ser um ambiente que promova valores necessários, como o respeito, e o professor precisa trabalhar a favor do ensino, se reconhecendo como parte desse desenvolvimento e não como seu ponto fundamental. Assim, o aluno passará a perceber que é detentor de saberes necessários ao desvelar educativo, trabalhando como parceiro daquele que tem por função dividir e promover o ensino em vez de impor.

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