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O "justo" e o bom
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 11.04.2007
Nas missas da França, logo após exortar os fiéis a dar graças a Deus, afirma-se que isto é justo e bom ("Cela est just et bon !"). Ao analisar detidamente esta frase, chega-se a conclusão de que nem tudo o que é justo é bom, e nem tudo o que é bom é justo. A distinção entre a “justiça dos homens” e a “justiça divina” também reforça essa tese.
A justiça dos homens é feita de medidas, que nem sempre atendem ao interesse do
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povo, mas quase sempre ao de minorias, que fazem dela uma salvaguarda do poder temporal, que tutelam.
Essa “justiça” é mensurável, enquanto a bondade é infinita!
Além disso, o termo justo também é empregado para definir o que se encaixa perfeitamente, sem sobras. Mas, por não ter sobras já é, por princípio, imperfeito, pois é adequado, apenas, aos poucos que se encaixam dentro de suas limitações físicas e existenciais. Nesse caso, o que é justo pode ser bom para um e não para outro. Já a bondade se encaixa em qualquer lugar: É flexível. É adaptável.
Seguindo essa linha, então, nem tudo o que é justo é merecido. No mais, nem tudo o que é "justo" é justo...
O "justo" preocupa-se com a forma. O bom preocupa-se com o conteúdo.
O bom questiona o "justo" em busca da perfeição, e é senhor de seus atos. O "justo" é escravo da regra ou tira proveito dela até que a mudem.
O bom perdoa o próximo. O "justo" é condescendente consigo e com os seus. Talvez daí venha o lema ditado: “Para os amigos, tudo! Para os outros, a lei!”.
O "justo" conhece todos os caminhos que lhe ensinaram ou por onde o conduziram. O bom está sempre disposto a encontrar novos!
O bom busca a verdade universal. O "justo" tende a valer-se das ambigüidades da momentânea.
O bom procura corrigir seus defeitos ou poupar o semelhante de seus efeitos. O "justo" se acha no direito de ter os que a lei permite, como contraponto filosófico da perfeição que acredita encarnar.
O bom está sempre disposto a caminhar junto, por uma boa causa. O "justo" quer liderar, pelas que elege.
O bom, sem querer, é luz para todos. O "justo" quer e acredita ser essa luz, mesmo quando não passa de um mero reflexo.
O bom é. O "justo" aparenta. São como esmeraldas e turmalinas, respectivamente.
O bom acredita na liberdade, com respeito, e na igualdade. O "justo" a quer sob controle, para garantir sua ascensão pessoal.
O bom se basta. O "justo" precisa de público.
O bom usa de todos os sentidos para analisar. O "justo" conclui baseado apenas no que vê ou lhe mostram.
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