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Reviravolta!
Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 20.01.2007
Os nazistas estavam às portas de Moscou, no final de 1941...
A alguns quilômetros da cidade sitiada, Stalin estava reunido com os seus principais assessores, desalentado e sem saber o que fazer. Era uma pálida sombra do todo poderoso líder da União Soviética, que se autodeclarara único herdeiro de Lênin, deturpara suas idéias e eliminara, um a um, todos os que ameaçaram sua liderança
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absoluta. Seu caráter centralizador, seu complexo de inferioridade e sua paranóia, haviam dizimado a maioria dos estrategistas militares mais experientes, e a formação dos novos quadros ainda não supria, em quantidade e qualidade, os comandantes presos ou executados. De nada adiantara tentar ganhar tempo com o pacto de não-agressão, que acordou com o “Führer”, em 1939. A Alemanha invadiu a “URSS”!
Os erros se sucederam, junto com pesadas baixas, e, em poucos meses, os exércitos de Hitler - articulados, motivados e audaciosos - já se preparavam para comemorar vitória. E não era apenas Stalin que seria derrotado: a vitória de nazismo seria, também, um drástico golpe para os aliados do ocidente!
A incerteza reinava entre os soviéticos, e já se preparava a retirada de Stalin da região. Mas, ele havia construído tal aura de infalibilidade e impavidez perante o povo, que sua fuga seria um golpe de misericórdia no moral das tropas, desorganizadas, e do próprio povo, desesperançado, faminto e acuado.
Foi quando um dia, para surpresa geral, ele perguntou como estavam os preparativos para o tradicional desfile em comemoração à Revolução...
Aquilo parecia improvável, diante da virtual queda de Moscou! Todos se entreolharam, atônitos; mas, pouco a pouco, entenderam que aquilo poderia ter uma dupla utilidade: levantar o moral das tropas e do povo, e deixar os alemães perplexos!
A programação foi feita, e a notícia se espalhou, divulgada por todos os meios de comunicação disponíveis. A incerteza e o temor, gerados pela sucessão de reveses, deu lugar à consciência coletiva de que fugir seria entregar tudo o que tinham de valor a estranhos e, a partir daí, viver eternamente com medo.
O povo decidiu defender sua cidade!
O desfile ocorreu na Praça Vermelha, com todo o aparato que lhe era peculiar; e o povo compareceu...
Deu certo! E na seqüência as tropas se reorganizaram, chegaram reforços do oriente, e, numa sucessão de atos heróicos e estóicos, conseguiram repelir os invasores germânicos!
Se a Batalha da Inglaterra freou o “front” ocidental; a Batalha de Moscou marcou a reviravolta em favor dos aliados!
A obstinação do povo venceu aquela batalha! Mas, isso não o poupou de suportar os desmandos de Stalin por mais uma década... No entanto, livrou-o de uma dominação que poderia ter sido muito pior.
A história é pródiga em situações similares, em vários países e sob vários regimes de governo! A única constância é o povo: a sociedade!
É certo que precisamos de uma reviravolta no Brasil! Para tanto, é preciso expurgar a corrupção dos Três Poderes e do cotidiano; é imprescindível criar condições sócio-econômicas para a geração de empregos e desenvolvimento; em suma, é fundamental construir uma nação justa para todos! Mas, enquanto a sociedade não alcança essa vitória, não podemos permitir que um mal maior nos aflija, nos domine e, por fim, nos prive da liberdade.
Há riscos envolvidos, e o medo é poderosamente letárgico, mas, o povo não pode render-se nem se esconder diante das ameaças do crime organizado.
É preciso que a vida volte ao normal; que as instituições democráticas cumpram suas atribuições; e que, apesar de tudo, a sociedade continue a acreditar nelas!
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