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A repercussão da frase "Bem-vindos ao Congo!" escrita por um dos gerentes de imprensa do Comitê Olímpico dos Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos
Rodrigo Constantino - Publicado em 11.07.2007




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“O objetivo do terceiro-mundismo é acusar e, se possível, destruir as sociedades desenvolvidas, não desenvolver as atrasadas.” (Jean-François Revel)

Estava estampado na capa do jornal O Globo de 7 de Julho a foto de um dos 18 gerentes de imprensa do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, Kevin Neuendorf, ao lado de uma mensagem que escreveu no quadro onde se lê “Welcome to the Congo!”. Depois, ao lado de um higienizador de ambientes, ele tentou se explicar, alegando que estava se referindo ao calor carioca. Não tardou a aparecer gente atacando os americanos, em geral, por preconceito. O sentimento de inferioridade nacional é tão grande, e o antiamericanismo tão irracional, que qualquer coisa é pretexto para condenar o “império” do norte.

Existem dois absurdos muito evidentes nessa postura de muitos brasileiros, que usam esse episódio para falar de “preconceito dos americanos”. Em primeiro lugar, fica claro o coletivismo tosco dessa gente, que usa o caso isolado de um sujeito para extrapolar para toda a nação a culpa. Ora, se um brasileiro qualquer falar algo sobre os Estados Unidos, isso jamais será sinônimo do que os brasileiros em geral pensam. Somente cupins, acostumados a “pensar” como uma colônia de insetos gregários, apelariam para tal generalização absurda. Em segundo lugar, esses brasileiros ignoram, ao acusar de preconceito esta comparação feita com o Congo, que estão sendo, eles mesmos, preconceituosos com os congoleses! Quer dizer que é humilhante comparar o Brasil ao Congo? Por quê? Por que seria xingamento isso? Os congoleses não podem se sentir ofendidos por serem comparados com o Brasil? Se o critério é o desenvolvimento, então seria ofensivo alguém chegar aos Estados Unidos e escrever “Welcome to Brazil”, certo? É triste ser para os Estados Unidos o que o Congo é para o Brasil...

Na verdade, como carioca, posso falar que outro dia mesmo estava comentando o calor do nosso “inverno”. Não, não sou daqueles que logo conclui que o aquecimento global é para valer, por culpa dos homens, e que o mundo vai acabar em breve se nada for feito. Esse alarmismo malthusiano, cheio de interesses obscuros por trás, não me convence, por vários motivos que não são tema desse artigo. Mas o fato é que nosso inverno é quente mesmo. Quando eu visitei Moscou na primavera, cheguei debaixo de neve, num frio insuportável. Se eu tivesse dito que aquilo parecia o Pólo Norte, seria acusado de preconceito? E se fosse preconceito, seria com Moscou ou com o Pólo Norte?

O presidente Lula, recentemente, fez um apelo para que os brasileiros não falassem mal do Brasil lá fora, e ainda afirmou que os suíços não faziam isso. Em primeiro lugar, é mentira. Muitos suíços criticam sua nação. Criticar é fundamental para quem deseja melhorar. Em segundo lugar, vamos combinar que há muito menos o que ser criticado na Suíça em relação ao Brasil. O presidente parece ser daqueles que acham que, se o fato for ignorado, o fato desaparece. Se um filho tem problemas com drogas, por exemplo, basta não comentar isso, fingir que está tudo normal, e tudo ficará normal. É a primazia da mente acima da primazia da realidade. Algo como as mensagens bobas de livros da auto-ajuda, onde basta repetir em frente ao espelho que somos perfeitos e assim seremos. Uma obesa pode repetir quantas vezes quiser que é linda e magra, mas se não fechar a boca e fizer exercícios, continuará obesa. Como seria fácil se a realidade pudesse ser transformada apenas com o desejo da mente!

No programa Manhattan Conection de algumas semanas atrás, Diogo Mainardi teve uma tirada muito espirituosa, quando Lucas Mendes lhe perguntou se o Brasil seria uma Suíça perto do Cazaquistão. Ele disse que o Brasil seria um Cazaquistão perto da Suíça! Encarar os fatos da realidade faz bem. Não é por acaso que os Estados Unidos são o que são. Lá a crítica é freqüente, ácida e muitas vezes até mentirosa, como nos “documentários” do aclamado Michael Moore, ídolo dos invejosos tupiniquins. Os Estados Unidos, com imprensa livre, estão sempre sob constante ataque dos próprios americanos, e isso força uma melhoria através da pressão popular. O já citado Michael Moore, que usa e abusa de manipulações em seus filmes, gosta muito de criticar os Estados Unidos e falar bem até mesmo de Cuba. Mas o fato é que ele pode fazer isso à vontade nos Estados Unidos, enquanto se fosse o contrário, já teria sido fuzilado no paredón cubano faz tempo. Fidel não gosta muito de ser criticado.

Os brasileiros que sofrem da doença infantil do antiamericanismo são tão caras-de-pau que costumam comparar nossa minúscula elite com todo o povo americano. Esquecem que a classe média americana é gigantesca, e a palavra medíocre vem de média. Sim, é verdade que o americano médio nem mesmo sabe a capital do Brasil. Mas, cáspita! Por acaso o brasileiro médio sabe a capital da Índia ou da China?! Até mesmo a capital dos Estados Unidos, país mais rico e importante do mundo, é desconhecida pela maior parte dos brasileiros. Por que então o americano médio deveria saber a capital de um país pouco relevante no comércio internacional como o Brasil? Que tal compararmos as taxas de analfabetismo, incluindo o funcional, tão comum por aqui, entre o povo americano e o povo brasileiro, em geral? Isso os antiamericanos não fazem...

Por fim, acusar os americanos de xenofobia e preconceito contra estrangeiros parece um tanto esquisito quando lembramos que lá residem pacificamente milhões de brasileiros, mexicanos, cubanos, porto-riquenhos, chineses, indianos, judeus, irlandeses etc. Os Estados Unidos foram criados na base da imigração. Nos últimos anos, receberam milhões de imigrantes novos, tendo que gerar postos de emprego para essa massa de gente que foge de seus países de origem em busca de melhores oportunidades. Ainda assim, está com uma taxa de desemprego de apenas 4,5% e economia crescendo mais que a nossa, mesmo partindo de uma base muito maior. Creio que isso é que deve incomodar mesmo essa turma antiamericana, que vive sonhando com o dia em que o “império” será destruído. Keep dreaming...

O ato do americano Kevin Neuendorf pode ser encarado como um ato infeliz, sem dúvida. Gente idiota existe no mundo todo, em especial no Brasil, onde ainda se idolatra o marxismo, por exemplo. Mas seria bom se os brasileiros conseguissem superar essa doença infantil que é o antiamericanismo, já beirando níveis patológicos por aqui. Afinal, a inveja é uma droga!

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