Os números dizem tudo: “Segundo o levantamento, os gastos com a CPMF podem chegar a R$ 40 bilhões em 2007, enquanto os gastos com arroz (10, 3 bilhões), feijão (5,7 bilhões) e leite (9,1 bilhões) chegam a cerca de R$ 25 bilhões”. Esses dados saíram na “Folha” de ontem.
No momento em que li essa notícia, me veio à cabeça uma cena absurda, mas que metaforiza bem a realidade. No restaurante, o cliente pede o prato do dia. O garçom diz que é CPMF à moda da casa, sem direito a couvert. Sem entender nada, o cliente, que passou a manhã trabalhando em sua oficina mecânica, aceita. Depois de uns dez minutos, o garçom serve um prato cheio de cheques. O cliente, mais confuso ainda, corta com a faca todos aqueles cheques e começa a comer sem nenhuma vontade, com certo nojo, aquela profusão de cheques que lotam o seu prato. Ele ainda tenta uma explicação e pergunta para o garçom: -Não tem arroz, feijão e um bifinho de coxão-duro? O garçom, sem piedade, diz: -Este é o prato do dia. Diante da pergunta do rapaz assustado: -E amanhã, qual será o prato do dia? O garçom: -Também será este. E depois de amanhã também.
Terminado o almoço, o cliente, que comeu a duras penas aquele prato indigesto, cheques e mais cheques, com molho de tinta de caneta esferográfica, pediu a conta.
Foi pagar com dinheiro, e o garçom, nada educado, falou: -Só aceitamos cheque.
E vem o presidente Lula dizer que pobre não vai ser prejudicado pela CPMF porque pobre não trabalha com cheque. Ninguém escapa desse imposto impostor.
O pior de tudo é que não há nenhuma segurança de que ele vai ser destinado na maior parte para a saúde. Nunca foi. Se fosse, os hospitais públicos, principalmente os federais, não estariam em estado deplorável.
O brasileiro precisa sim comer mais arroz, feijão, carne, salada e pagar menos impostos, seja a CPMF ou outros embutidos em todos os produtos, fazendo com que custem muito mais do que deveriam.
Em todo prato que comemos diariamente há impostos embutidos. Aquele gostinho amargo do peixe, da carne não é de algum molho exótico, diferente. É o molho do imposto que pesa, que faz mal, que complica a nossa digestão, fazendo com que grande parte da população coma menos do que necessita para sobreviver bem nutrida.
Se os impostos fossem menores, o consumo seria muito maior e o crescimento do País também. Todos ganhariam com isso. É a lógica . Cobrar impostos demais é ir na contramão do bom senso provocando caos e miséria.
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