Colhendo as sensações
Processo contra Renan Calheiros no Senado volta à estaca zero
Jaime Leitão - Publicado em 11.07.2007

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A manchete da Folha de ontem mexeu comigo: “Processo contra Renan no Senado volta à estaca zero”. Logo abaixo, em destaque: “Presidente de conselho vê erros de tramitação, e caso é devolvido à Mesa”. Em vez de fazer mais uma análise sobre esses últimos acontecimentos no Senado, preferi colher e nomear algumas sensações que eles me provocaram... Creio que muitos sentiram o mesmo que eu senti.
A primeira sensação foi um profundo asco, um enjôo sem fim. É como se o Senado me oferecesse um peixe podre para comer e dissesse: - Coma e não reclame. É o único prato que temos e finja que está delicioso. Faça cara bonita. E depois pague bem por ele. Com direito aos 10% do serviço.
A segunda sensação é angústia, um aperto no peito, por não ter, pelo menos no momento, forças para reverter esse quadro de horror que eles criaram e com o qual se divertem ao expô-lo a nós num vernissage macabro.
A terceira sensação é o medo de que a democracia desengate de vez e não reencontre o rumo perdido. Porque se o Legislativo, um poder tão importante, perde a sua credibilidade, a sua ética, o seu senso, abre-se espaço para saídas de exceção, e isso não queremos de forma alguma. Já conhecemos o filme da ditadura, ainda está bem vivo na nossa memória e ainda nos causa arrepios.
A quarta sensação é de profundo desencanto. Acreditávamos em mudanças, em mais justiça, em menos roubalheira, e nada disso se deu. A esperança desesperançou-se, a grande chama apagou-se, e não é o pessimismo de cada um que revela isso, mas os fatos vistos e revistos todos os dias, nas tramas daqueles que de acusados se transformam em vítimas em fração de segundos.
A quinta sensação é de indignação, e essa temos que manter viva, muito viva, para que a anestesia geral não tome a todos, fazendo com que não sintamos mais os beliscões, os tapas na cara e as ofensas à nossa ética e moral , perpetrados por aqueles que se dizem nossos representantes.
Das sensações colhidas, podemos semear o novo, não manter plantadas as sementes de mofo que os maus políticos fazem germinar. A única sensação que não podemos ter nesse momento é a da indiferença, porque ela alimenta a morte, a podridão, a corrupção e outros males que crescem como vírus neste País que tanto amamos e que é saqueado a cada minuto, e que só poderá deixará de ser quando o nosso grito unido, tecido em milhões de teares com a nossa voz impressa neles, for ouvido na planície e no Planalto e contribuir para modificar essa trágica e vergonhosa realidade.
Não queremos mais ler estas notícias, mas outras que tragam que os senadores sob suspeita de usar o dinheiro público em benefício próprio foram obrigados a se afastar pelo menos durante as investigações. É o mínimo que merecemos.
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