Jovens violentos
A agressão sofrida pela doméstica Sirlei Dias de Carvalho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, por cinco jovens de classe média alta
Jaime Leitão - Publicado em 03.07.2007
A agressão sofrida pela doméstica Sirlei Dias de Carvalho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, por cinco jovens de classe média alta, nos faz levantar algumas questões importantes. Dos cinco, quatro são universitários, teoricamente educados. Na prática selvagem, espancando Sirlei violentamente, principalmente na cabeça, provaram que não são. Receberam educação formal e informativa, mas não receberam a educação formadora da família, da escola e da própria sociedade, que é a maior deseducadora.
Um dos pais, depois de pedir desculpas à agredida, disse que considera um absurdo crianças que estudam irem para presídios com criminosos comuns. Que crianças adultas são essas, que brincam de agredir e roubar uma pessoa indefesa, e depois alegam que imaginaram que fosse uma prostituta?
Agredir prostituta pode? Isso me lembra o caso do cacique pataxó em Brasília, morto há vários anos, também por jovens de classe média alta, que na época disseram que só estavam brincando e que pensaram que o índio fosse um mendigo. Repito a pergunta de maneira adaptada: Agredir e matar mendigo pode?
Esses jovens vivem a cultura do pode tudo, do meu pai me tira da cadeia quando for preciso, e é justamente essa cultura que estimula a violência contra o outro, o comportamento primitivo, sem freios.
Cansados de jogar videogame, vão para o game real onde têm a ilusão de que sempre ganham. A primeira vitória imaginária desses jovens é a sensação de que destruirão a sua vítima, isso porque são vários e ela é só uma. Não há possibilidade de perder, ao contrário do que ocorre nos games. A segunda vitória seria a da impunidade garantida por pais cheios da grana , que têm condição de contratar os melhores advogados.
Dos cinco agressores, quatro cursam faculdade, um de Direito, mas provavelmente lêem pouco, tanto livros quanto jornais, e representam aquele grupo da sociedade que tem com a educação uma relação distante, só para garantir um diploma e um emprego razoável. O dinheiro que faltar para completar o salário, o pai paga, esse é o raciocínio.
Quando Sirlei afirma que os jovens da periferia, que moram em favelas como ela, gostariam de viver com a mordomia dos rapazes da Barra da Tijuca, ela tem toda razão. Eles queriam ter a oportunidade de viver melhor e provavelmente seriam muito menos arrogantes e agressivos se tivessem essa chance.
Educação é um termo complexo e inclui emoção, diálogo familiar, leitura de textos literários e filosóficos que tratem de ética. Proporcionar educação não é pagar escola do filho e se eximir da responsabilidade de interagir com ele, de orientar, de colocar limites, de estimular a reflexão.
As crianças adultas da Barra da Tijuca não merecem agrados, mas precisam ser punidas pelo que fizeram, independente da classe social a que pertencem.
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