Revolução Russa, 90 anos - Introdução
Mauro Luiz Barbosa Marques - Publicado em 15.10.2007
Neste ano, a Revolução Russa estará completando 90 anos de sua ocorrência, desde o distante novembro de 1917 pelo calendário russo ou outubro pelo calendário ocidental. A ruptura da tradicional ordem absolutista e do direito divino na Rússia de Nicolau II foi quebrada pela Revolução e, ao mesmo tempo, surgiu numa Rússia atrasada e não completamente capitalista um novo sistema econômico e político que se colocava alternativo e superior ao capitalismo daquele período.
Podemos considerar a Revolução Russa como uma das mais genuínas Revoluções do século XX pelas suas características e especialmente pelas suas conseqüências. Segundo o historiador Eric Hobsbawm, nascido justamente em 1917, os russos fizeram o maior movimento organizado da história moderna.
Para seus autores, o processo russo seria o prefácio da Revolução Mundial, objetivo maior dos marxistas revolucionários. Se por um lado esta Revolução Mundial não ocorreu como pretendida por Lênin e seus companheiros nos anos 1910 e 1920, logo após a Segunda Guerra Mundial o modelo socialista soviético influenciou em maior ou menor grau um terço do planeta e desafiou permanentemente o capitalismo.
Para entender este complexo contexto é preciso ir às origens, na conjuntura que tornou a Rússia o primeiro Estado não-capitalista no século XX nascido de um movimento das massas camponesas e operárias, genuinamente proletárias, portanto.
A Rússia do final do século XIX era um país semi-agrário. Apenas três milhões de operários habitavam aquelas terras junto a mais de 120 milhões de camponeses. Era inexistente uma classe intermediária, média ou a típica pequena burguesia. Acima do proletariado se localizava o clero privilegiado e corrupto ao lado dos nobres alheios a vida real do povo. Segundo Trotski, destacado revolucionário daquele período, havia uma combinação de formas atrasadas e modernas convivendo em distintas combinações que torna o processo russo desigual e combinado.
A todo este contexto somaram-se os conflitos internacionais que a Rússia se envolveu, especialmente a Primeira guerra em 1914, onde milhões de russos foram mobilizados, muitos destes pereceram nos campos de uma batalha sem sentido para o povo e que trazia carestia, racionamentos, desemprego e repressão aos movimentos reivindicatórios.
Pierre Broué nos lembra que esta situação radicalizou o ódio popular contra o czar Nicolau II – espécie de imperador russo – e seus conselheiros considerados como responsáveis pela situação do país. As deserções da guerra radicalizam-se a partir de 1916 e a crise se torna insustentável somada à impotência governamental.
A partir de uma manifestação de mulheres duramente reprimida ocorreu uma reação dos operários de Petrogrado e a adesão de soldados que se negavam a reprimir o movimento. Era o fim do velho regime russo. O czar abdicou e um governo provisório foi montado com os partidos liberais a cabeça. Era fevereiro de 1917. Os acontecimentos iriam mais longe e a Revolução também, causando um choque e um temor nas estruturas capitalistas da Europa e do mundo envolvidas em uma guerra sua naquela altura, a Primeira Guerra.
Revolução Russa, 90 anos
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 1 - Introdução
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 2 - Origens
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 3 - Os bolcheviques
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 4 - Primeiros passos
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 5 - As dificuldades
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 6 - Balanço e legado
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