Revolução Russa, 90 anos - Origens
Mauro Luiz Barbosa Marques - Publicado em 15.10.2007
As origens da Revolução Russa podem ser divididas em três momentos principais. Em 1905 ocorreu o que Lênin chamou de ensaio geral: após a derrota da Rússia para o Japão em uma guerra de fronteiras houve uma série de episódios reivindicatórios de luta popular. Entre estes, se destacam o episódio do Potenkim, uma rebelião de marujos contra os maus tratos que colocou um encouraçado com potencial bélico nas mãos de amotinados, greves em fábricas que ainda não tinham nem a mínima legislação trabalhista já existente em outros países e especialmente o chamado “Domingo Sangrento”, uma repressão duríssima do czar contra mulheres, religiosos e manifestantes pacifistas que foram ao palácio solicitar ao ‘papai czar’ melhorias para sua vida.
O resultado dos movimentos de 1905 foi a convocação da Duma, uma espécie de parlamento, por parte do governo. A população, por sua vez, aumentou a desconfiança perante o governo czarista e instalou a primeira experiência, que se repetiria mais tarde, de conselhos populares - os soviets, de onde advêm a expressão soviético – composto por trabalhadores da cidade, do campo e soldados. No auge da Revolução não podiam participar dos soviets empregadores, nobres e religiosos.
Estes órgãos, os soviets, nos momentos decisivos da Revolução foram uma espécie de poder paralelo, um poder dual que era a ‘salvaguarda da Revolução’ nas palavras de Marc Ferro. Os soviets pressionando a duma derrubaram o czar em fevereiro de 1917 e elaboraram reivindicações e um programa político para a chegada dos socialistas ao poder.
Após os acontecimentos de 1905 como uma espécie de ensaio revolucionário, temos o ano de 1917, no coração da Primeira Guerra Mundial. O contexto descrito anteriormente levou à abdicação do czar isolado por todos e derrotado. Nicolau II representava uma dinastia de três séculos, que não resistiu às condições de vida de seu povo, à guerra e ao atraso de seu país.
Para substituir o czar, a Duma elegeu Alexander Kerenski para um governo provisório; um político moderado de tendências liberais que acabou mantendo a Rússia na guerra, um erro fatal para o seu governo.
Oito meses se passaram entre o surgimento do governo provisório em fevereiro e sua queda pela ação dos soviets e dos socialistas em outubro. Neste tempo, germinou a radicalidade política especialmente a partir da ação dos bolcheviques, o partido comunista da Rússia.
Lênin, principal dirigente dos bolcheviques trabalhou a idéia da tomada de poder em todo período do governo provisórios. Nas palavras de Eric Hobsbawm, ó governo provisório ra impotente, não conseguindo governar de fato. Com suas exigências aos soldados e tropas, levaram estas ao esgotamento e à deserção em massa da guerra. Contribuíram para a radicalização das cidades e dos campos.
Por seu turno, os socialistas agitavam idéias de ‘pão, paz e terra’ no plano das reivindicações materiais e “todo poder aos soviets” nas vésperas de outubro como idéia política. Com a crise gigante da Rússia e os bolcheviques dispostos a um plano conspirativo organizado, a queda do governo provisório foi questão de tempo.
Revolução Russa, 90 anos
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 1 - Introdução
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 2 - Origens
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 3 - Os Bolcheviques
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 4 - Primeiros passos
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 5 - As Dificuldades
• Revolução Russa, 90 anos - Parte 6 - Balanço e Legado
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