Quem são os místicos berkeleynianos? - Berkeley foi um bispo filósofo extremamente influente. Sua teoria é extremamente idealista... < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Janos Biro - Publicado em 22.01.2008

Berkeley foi um bispo filósofo extremamente influente. Sua teoria é extremamente idealista. Para ele, a matéria simplesmente não existe. Tudo que existe ocorre na mente de um ser divino, e por isso todas as coisas são idéias. É como se nós estivéssemos vivendo numa realidade virtual, na mente de Deus. Não há cérebro algum, apenas mente.

O termo “místico berkeleyniano” é usado para aquele grupo de filósofos, cientistas,
  Berkeley foi um bispo filósofo extremamente influente. Sua teoria é extremamente idealista. Para ele, a matéria simplesmente não existe.
 




 

religiosos e pensadores que aceitam a tese de Berkeley e todas as suas conseqüências. Eles dizem estar se opondo ao velho paradigma mecanicista, mas eles não apenas criticam aqueles que excluem os fenômenos mentais e subjetivos do mundo, eles também excluem os fenômenos objetivos e físicos do mundo. Eles estão na outra extremidade do mesmo problema.

O novo paradigma é influenciado pela era da informação, criticando a era industrial. O universo não pode mais ser visto como um relógio, mas pode ser visto como um programa de computador, pois ele é feito de informação pura. Mas não é esse apenas o próximo passo lógico? Não é uma mudança necessária para que a natureza seja melhor “explicada” em termos de matemática? Com isso estamos apenas dando um passo além na direção da conformação da realidade natural a um ideal mental humano.

As implicações do novo paradigma são aparentemente maravilhosas para a vida humana, mas assim também parecia às pessoas quando o paradigma anterior surgiu. Levou séculos para perceber as reais e desastrosas conseqüências do mecanicismo. Toda a visão de mundo foi moldada em torno da visão cartesiana. As leis da física eram misteriosas e mexiam com a imaginação das pessoas, que ainda têm as mesmas expectativas em relação à ciência que tinham na época de Newton: esperam que ela explique o mundo e torne suas vidas melhores.

O novo paradigma é tão cientificista quanto o antigo, com a virtualidade como a nova maravilha ao redor das qual a nova visão de mundo se molda. O misticismo berkeleyniano não se afasta muito dos textos de teológicos medievais que tentavam provar a existência de Deus com fundamentações puramente lógico-matemáticas.

Uma das mudanças do novo paradigma é a influência do observador. O objetivo da ciência sempre foi determinar uma verdade independente de qualquer observador. Agora a própria realidade depende do observador. O observador não está mais separado do fenômeno, a realidade depende dele para existir. O funcionamento do mundo é basicamente explicado pelo funcionamento da mente.

As velhas promessas de iluminação do homem são substituídas por promessas de evolução da espécie humana rumo à virtualidade, ao controle total do seu ambiente. Fica implícita nesta promessa a idéia de que a racionalidade humana é o objetivo central da evolução do universo.

Se a realidade é maleável, basta pensar positivo e tudo pode acontecer. Isto é bastante animador, mas e um dogma. Afirmar que nós somos deuses é apenas o próximo passo lógico de afirmar que somos os favoritos de deus. Este discurso pode servir para motivar trabalhadores e donas de casa cada vez mais estressadas com a reprodução do cotidiano, mas não irá impedir que o futuro seja ainda pior. Este talvez seja o motivo porque as vendas de livros de auto-ajuda apenas sobem.

Muitos físicos estão usando o misticismo berkeleyniano para falar de física quântica. É como se a física quântica estivesse provando que Berkeley estava certo, quando o que ocorre é que a visão berkeleyniana está influenciando o resultado das experiências. Os físicos estão falando de filosofia usando termos da física, mas tese de Berkeley não é científica, é uma doutrina filosófica.

Se nem todos os físicos estão convencidos da validade dessa tese, entre os filósofos não será diferente. Acreditar que uma síntese entre ciência e religião pode salvar o mundo é um misto de cientificismo e fundamentalismo religioso. O racionalismo é tanto religioso quanto matemático. Pitágoras sabia disso e chegou a criar um culto religioso aos números. Embora muitos não vejam um motivo para não achar isso admirável, eu acredito que é precisamente a influência deste paradigma idealista que nos colocou na situação que estamos. O novo paradigma é um falso oponente do velho.

O misticismo berkeleyniano tem tomado conta das estantes de livros de auto-ajuda, das locadoras de filmes e tem lentamente invadindo nossa cultura. Na verdade, ele sempre esteve na base de nossa cultura, de tempos em tempos ela recicla seus fundamentos em forma de idéias aparentemente novas e maravilhosas. Isso apenas perpetua a essência daquilo que nos prejudica. Devemos ser mais críticos em relação ao misticismo berkeleyniano.

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  Tudo que existe ocorre na mente de um ser divino, e por isso todas as coisas são idéias. É como se nós estivéssemos vivendo numa realidade virtual, na mente de Deus. Berkeley foi um bispo filósofo extremamente influente. Sua teoria é extremamente idealista. Para ele, a matéria simplesmente não existe. Tudo que existe ocorre na mente de um ser divino, e por isso todas as coisas são idéias. É como se nós estivéssemos vivendo numa realidade virtual, na mente de Deus. Berkeley foi um bispo filósofo extremamente influente. Sua teoria é extremamente idealista. Para ele, a matéria simplesmente não existe. Tudo que existe ocorre na mente de um ser divino, e por isso todas as coisas são idéias. É como se nós estivéssemos vivendo numa realidade virtual, na mente de Deus. Berkeley foi um bispo filósofo extremamente influente. Sua teoria é extremamente idealista. Para ele, a matéria simplesmente não existe.
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