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As Castanheiras de Eldorado dos Carajás O Massacre de Eldorado de Carajás vitimou 19 sem-terra em confronto com a Polícia Militar do Pará As Castanheiras de Eldorado dos Carajás O Massacre de Eldorado de Carajás vitimou 19 sem-terra em confronto com a Polícia Militar do Pará As Castanheiras de Eldorado dos Carajás O Massacre de Eldorado de Carajás vitimou 19 sem-terra em confronto com a Polícia Militar do Pará As Castanheiras de Eldorado dos Carajás O Massacre de Eldorado de Carajás vitimou 19 sem-terra em confronto com a Polícia Militar do Pará

 



Artigo sobre o massacre de Eldorado de Carajás
Mark Manahan - Publicado em agosto de 2002 . Revisado em 15.04.2006


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Houve um tempo mais tranqüilo para ser-se um intelectual - sim, essa palavra gasta mesmo - em que, por exemplo, a experiência e o envolvimento pessoal com um assunto era um quesito a mais para enriquecer um tema, um assunto, um texto. Essa fronteira é tênue, e é ultrapassada por aqueles que tendo APENAS uma experiência pessoal e limitada em alguns poucos assuntos, desatam a fazer teses e mais teses sobre os mesmos.

Ciente disso me apresso a declarar: todo o processo do julgamento dos PMs que compunham a tropa que enfrentou o piquete dos sem-terra no famoso Eldorado de Carajás - e não "dos" Carajás, é o nome da região, fica no meu estado, pô - todo o processo repito, no que toca principalmente à acusação, é um show abominável para o lado que se olhe. Se já tinha uma opinião desfavorável a respeito, tenho o testemunho pessoal a dar: um dos tenentes envolvidos na ação, o Ten. Mauro, foi meu colega e amigo durante a graduação no curso de História na Federal do Pará.

E quem era o Ten. Mauro? Um sanguinário direitista pronto a matar integrantes de movimentos populares quer estes fossem anjos ou não? Nada disso, era apenas um garoto pobre, nos seus 20 anos, vindo de Macapá, que precisava de dinheiro para se sustentar em Belém, durante o curso. E como era também um desportista, não hesitou em fazer o concurso para oficial da Polícia Militar Por sinal, em razão das exigências que o cargo impunha, acabou por afastar-se do curso de História, que até onde eu sei, nunca concluiu. Entre a graduação e a remuneração, meus queridos dândis, o Ten. Mauro optou por deixar os livros e seguir carreira na PM. Até mesmo porque não tinha costas quentes lá dentro e foi deslocado da capital para Marabá, cidade a 12 horas de viagem da capital Belém quando a estrada está boa. Foi deslocado como que para um encontro com o destino.

Se for um absurdo julgar em bloco 158 homens, vários deles com motivações as mais diferentes possíveis para servirem como policiais, e provavelmente uma esmagadora maioria que não disparou um tiro sequer, absurdo maior foi ouvir comentários de colegas, quase dizendo que ele merecia por ter-se tornado um "traidor" . É o absurdo retrógrado, em nome dos filósofos mortos e ainda vindouros, é o absurdo que ainda sobrevive num meio acadêmico perversamente "intelectualizado".

Permitam-me ressaltar um ponto: ninguém ser condenado por uma ação tão desastrada quanto a morte dos 19 sem-terra é impalatável, seria totalmente absurdo. Mas outro absurdo da mesma monta é cometido quando se pede pena igual para todos da tropa oposta, do Coronel ao soldado raso! Existem ativistas de direitos humanos e outros que parecem esquecer que homens fardados não perderam sua condição humana. Que há uma forte dose de mito na violência supostamente inerente à Ordem, porque nos faz pensar que a desordem seria pacífica e não-violenta.

Não há outra tradução para tais acusações, ou para a recusa do MST em levar representantes ao julgamento: motivações politológicas, mais do que políticas. Porque para se apurar responsabilidades, haveria que ao menos se ouvir o governador do Estado, as lideranças dos próprios sem-terra que deveriam instruir melhor seus militantes acerca dos perigos que enfrentam e de como evitá-los se são realmente pacíficos, e claro, a cúpula da PM do Estado, responsável pelas operações. Mas só a última parte está sendo feita. Será que ficamos todos tão cegos que não dá pra perceber que o resultado de uma condenação geral dos PMs poderia ser um avanço incontido da ala radical dentro do MST? Que qualquer um querendo travestir-se de reformador social vai liderar os seus militantes de maneira inconseqüente torcendo pela fabricação de cadáveres? Morre-se nos morros do Rio de Janeiro. Ninguém se importa, a PM diz não precisar de ajuda militar, mas o fato é que cada um procura fazer o seu próprio jogo, e dizer palavras cínicas para o cinismo das emissoras de TV. O Rio está além do controle oficial, porque são muitos os embaraços quando alguma ação dá certo. Os policiais que detiveram um bonde PCC/CV matando 15 no estado de SP estão sob suspeita de terem praticado execução... E quem tem interesse em tudo isso? Se alguém souber, me diga.

Acho que o Rio precisa se não é de tropas é da orientação dos esquadrões antiterror peruanos que desbarataram Sendero Luminoso e MRTA. O MST não sei do que precisa, eles tem uma perfeita estrutura de comunicação, orientação por satélite de vez em quando, caminhões, material, mídia a favor, base partidária. Ah sim, lembrei: eles não têm terra...


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