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Mark Manahan


“O problema de vocês é que vocês querem ver resultados mas não querem fazer o que é necessário para que esses resultados aconteçam.”
Agente Jack Bauer, antes de matar um prisioneiro durante interrogatório.

24 Horas é um seriado conservador? Ou seja, é um seriado que defende medidas duras contra o terrorismo e os estados-bandidos, que patrocinam o terror em suas formas mais sujas como seqüestros, assassinatos de mulheres e crianças intencionalmente e esquartejamento de prisioneiros? É um seriado para dar suporte a Bush e aos republicanos?

Não. A primeira pista para entender a postura política de um seriado como 24 Horas é o presidente americano negro. Muitos conservadores não são racistas – embora haja alguns que o sejam e alguns liberais-democratas também – mas não vêem a menor necessidade de colocar um negro como presidente num futuro próximo. Ou simplesmente não pensam que isso seja possível proximamente. Conservadores em geral são figuras práticas, não muito dados a sonhos e fantasias que eles não enxerguem como viáveis.

Segunda pista. Como em Matrix, os personagens centrais cheios de virtude são de minorias raciais, a começar pelo próprio presidente, excelente ator (Dennys Haysbert) e que sabe transmitir uma imagem de benevolência e discernimento. Aquilo que se requer de um bom político. Uma imagem paternal e segura, além de uma elegância extrema e modos comedidos. Bem, isso depende do país...países onde se grita muito e se faz barulho por qualquer coisa curtem presidentes gritalhões e que sacodem o punho o tempo todo. Mas continuando a nossa segunda pista, os personagens “malignos” que atentam contra a vida, contra a nação colaboram com o terror são quase sempre brancos. Começando pelo vice-presidente.

Essa é uma visão californiana de mundo. Ou Berkeleyniana, poder-se-ia dizer. A virtude vem de acordo com a raça. É o que eu chamo de neoracismo anti-branco. A solução estúpida para combater o preconceito no estilo “política de cotas”.

O mundo que 24 Horas mostra é um prato cheio para os críticos das instituições. Funcionários do governo traidores, facilidade de ação dos terroristas, agentes que não hesitam em matar. Ou hesitam pouco em submeter os prisioneiros pelo menos à tortura psicológica – caso do terrorista que assiste à morte da família via satélite por agentes de seu país a mando do governo americano (estadunidense). Era uma encenação mas constitui tortura psicológica. Nada contra, porque eu próprio, se pudesse impedir a detonação de um nuclear numa área densamente habitada, não hesitaria muito considerando os direitos humanos de um criminoso.

Mas o que conta aqui não é a minha aprovação e sim o retrato que o filme procura dar de governabilidade e dos EUA. Note que o agente passa vários capítulos tentando evitar que uma guerra seja deflagrada contra países do oriente do médio a partir de provas falsas. Alguma semelhança com a posição dos hiperdemocratas em relação à Guerra do Iraque-2003?

Nada mais fácil ou melhor do que ter recursos para retratar quem você não gosta. Arte cênica é isso: você põe atitudes e sentimentos que quiser em quem você gosta e em quem você não gosta. Você está fazendo um relato sobre tipos e personagens. E pobre das personagens de quem o artista (diretor, roteirista, ator) não gosta! E pobre de quem assiste aquilo achando que é a tradução da verdade! Os artistas têm essa magnífica possibilidade de mostrar os outros como eles vêem. E digo, têm a chance de mostrar seu ponto de vista ao mundo. Isso não é pouco, pode-se colocar rabos de burro em quem se quiser, para falar o mínimo. O fascismo da arte é querer colocar a opinião de uns poucos como se fosse uma verdade absoluta ou “inteligente” . É tentar dizer que a maioria pensa como ele. E tudo é feito para que pareça isso mesmo.

Finalizo pensando nas origens da série 24 horas. Durante algum tempo, a partir de 2002, circulou nos meios de informação (sim, sim isso é coisa restrita) a notícia de que haveria sete nucleares plantados nos EUA prontos para explodir a qualquer momento. Depois a coisa caiu na internet, comentou-se etc. Os telejornais do Brasil, pelo menos, só noticiaram esse ano. Talvez por prudência? A série foi lançada em 2001, não dá pra saber se as notícias já tinham vazado antes e criaram a série ou se a série foi feita antes por “concepção genial”. Suspeito que seja o primeiro caso.

Enfim, a série mergulha um pouco nessa possibilidade, não muito remota, de um agente tentando evitar a detonação em Los Angeles. Eu fico achando engraçado que dado o antiamericanismo de muitos netos da contracultura dos anos 60 residentes na Califórnia, nenhum atentado de grande porte tenha ocorrido lá. Sinal de cumplicidade de organizações californianas? Não é segredo que muitos grupos radicais antiamericanos começaram lá e tinham fortes raízes, desde os anos 60. Na atualidade há o exemplo de John Walker Lindh, o taleban americano (estadunidense). Desde os 16 anos freqüentando Mesquitas em Los Angeles e de lá mesmo enviado para o Afeganistão a lutar junto com os açougueiros medievais do taleban.

Ou será que a Califórnia não explode porque Holywood está lá? Talvez seja apenas uma questão de tempo, até o próximo racha de algum grupelho terrorista. Vidinha maçante essa, hein?

Série: 24 horas (24)
Idiomas: inglês | Alemão | Coreano | Árabe | Espanhol | Servo-croata | Mandarim
Ano: 2001 - 2005
Diretor: Joel Surnow e Robert Cochran
Gênero: Ação / Drama / Thriller
Elenco: Kiefer Sutherland - Jack Bauer
Leslie Hope - Teri Bauer (2001-2002)
Elisha Cuthbert - Kimberly Bauer (2001-2004)
Dennis Haysbert - David Palmer
Penny Johnson - Sherry Palmer (2001-2004)
Sarah Clarke - Agent Nina Myers (2001-2004)
Xander Berkeley - George Mason (2001-2003)
Carlos Bernard - Tony Almeida
James Badge Dale - Chase Edmunds (2003-2004)
William Devane - Secretário de Defesa James Heller (2005)
Alberta Watson - Erin Driscoll (2005)
Kim Raver - Audrey Heller Raines (2005-)
Roger R. Cross - Curtis Manning (2005-)
Mary Lynn Rajskub - Chloe O'Brian (2004-)
Gregory Itzin - Presidente Charles Logan (2006)

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