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Ricardo Boessio dos Santos - Publicado em 26.11.2004


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O título é meio assustador, mas é essa a idéia (polêmica) que quero defender neste artigo. Vou explicar melhor e talvez você, caro leitor, possa vir a concordar comigo. Acredito que uma maneira de ajudar a democracia e acabar com políticos que tentam comprar os votos dos eleitores é exatamente o contrário do que vemos como a pregação do certo, do correto e do legal.

É importante estabelecer algumas coisas que não vemos nos comerciais do Governo Federal, o “Vota Bem”. Assim como não vemos pessoas que vociferam contra a venda dos votos na mídia dizerem. Eles deveriam trazer algumas informações como o porque um candidato quer comprar os votos dos eleitores. Por exemplo: É um bom começo? Não seria, o candidato comprador, uma pessoa que estaria disposta a reaver todos os seus gastos e obter um lucro depois de eleito? O candidato que decide utilizar estes meios ilícitos para ganhar uma eleição não poderia ser alguém que também utilizaria meios ilícitos quando eleito? Ele (ou ela) não se venderia depois de eleito, já que acredita ser uma prática tão comum a comercialização dos votos? Lembrando que eles legislarão por quatro anos e o eleitor legisla por um dia.

Estabelecido isto, gostaria de estabelecer outra idéia. Ou melhor, a falta de uma idéia. Vejamos o horário político gratuito e as campanhas dos atuais candidatos aos almejados cargos públicos. Não existe, por mais que queiram tentar mostrar que existe, o maniqueísmo. Não existe mais o bem contra o mal. Aliás, será que um dia existiu?

A única coisa ruim que podemos citar e configurar como verdadeira é a corrupção. Se um candidato quer comprar seu voto, logo ele quer corrompe-lo. Se ele quer corrompe-lo, caro (e) leitor e (e) leitora, ele é uma pessoa corruptível. Cedo ou tarde ele irá se corromper no seu mandato. Provavelmente mais cedo do que tarde.

Como isso pode influenciar sua vida? Simples, eles vão legislar em causa própria. Seja essa causa diretamente ligada ao sujeito eleito, seja ligada a alguém que este queira favorecer.

Oras, mas se a idéia é boa porque ele necessitaria vendar sua alma para um empreiteiro, um empresário ou seja lá quem for? Não seria em benefício da população que o mandatário deveria legislar?

A resposta é simples: não, a idéia não deve ser boa, muito menos deve beneficiar a população em geral. Só beneficiará o cofre de umas poucas e já abastadas pessoas.

Então vamos simplificar as idéias acima. O candidato aparece todo cheio de sorrisos na porta de sua casa, lhe oferece gratificações (seja dinheiro, seja cesta básica, seja qual for a oferenda) em troca do seu voto, se elege, vende sua legislatura e espezinha aquele que votou nele.

A esta altura você deve estar se perguntando: Ué, este escriba não tinha a intenção de convencer a vender o meu voto? Porque ele está levantando todos os problemas que gerariam uma venda de voto e ainda quer defender esta prática?

Explicar-lhe-ei.

Defendo uma outra forma de venda de voto. A teoria que defendo é simples. Aceite o que o candidato lhe ofereça e peça mais. Depois vote em outro candidato. Se não te oferecerem nada, peça. O candidato propício à corrupção irá ceder rapidamente, já que existem os corruptos ativos (aqueles que já chegam oferecendo alguma vantagem, ou esperam muito pouco para fazer a oferta – que pode ser direta ou indireta) e os corruptos passivos (aqueles que temem oferecer, mas ao primeiro pedido já abrem um leque de oferendas). Desta forma você faria o candidato ter um dispêndio e não o deixaria recuperar quando chegasse ao poder, já que não chegaria ao poder.

Porém esbarraríamos em uma questão ética. Tirar proveito do dinheiro do candidato corrupto, independendo do fato de ele ser corrupto, não me faria igual ou pior do que ele? Mesmo que a intenção seja tira-lo do poder ou não deixa-lo chegar lá?

Eu acredito, sinceramente, que sim. Então o que fazer em um caso desses?

Eis a resposta: lanço aqui o projeto Robin Hood. Tiramos dos candidatos corruptos e ricos (pois se não fossem ricos não poderiam corromper ninguém) e entregamos a entidades beneficentes que necessitam de ajuda, ou seja, praticamente todas as entidades. Vamos investir estes valores em obras sociais.

Nas eleições municipais deste ano havia mais de 100 mil candidatos. Vamos fazer algumas suposições sem a menor comprovação científica ou empírica, somente para fins de ilustração. Digamos que havia 30% de candidatos dispostos a praticar a compra de votos, somados os ativos e os passivos. Teríamos cerca de 30 mil candidatos “compradores”. Agora digamos que cada um deles estivesse disposto a comprar o voto de cerca de 50 eleitores. Seriam cerca de um milhão e quinhentos mil eleitores que venderiam seus votos. Suponhamos que cada candidato estivesse disposto a gastar R$ 100,00 por voto. Vocês têm idéia do montante de dinheiro que estamos supondo? São cerca de 150 milhões de reais. Mais de dez vezes o que foi arrecadado no projeto “Criança Esperança” da rede Globo, que é dos projetos sociais que mais arrecadam doações. Dez vezes mais.

Só teria uma outra questão a se propor. Será que mesmo com boas intenções, doando todo o dinheiro arrecadado com a venda do voto e votando em outro candidato, seria correto? Não seria utilizar-se de expediente inglório por motivos gloriosos? Não seria praticar o correto por vias torpes?

A resposta disso eu não tenho. Só acredito que deva ser um debate interessante sobre ética, desde que todos os querelantes deponham todas as idéias preconcebidas e partam para um debate aberto.

Enquanto isso o que eu farei? Respondo a isso com um cartaz que acabei de pintar e colocarei em frente a minha casa: “Sufrágio à venda. Aproveite a promoção, preço de ocasião”.

Especial Desarmamento hoje. E amanhã?


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