O mais recente discurso oficial visando justificar o péssimo desempenho econômico do Brasil, nos últimos anos, está ancorado em uma falácia. Se intencional ou por estupidez, não se me atrevo a definir. Mas que é uma falácia, um equivoco, um erro, não tenho dúvida.
Ao atribuir a pobreza continental de nosso país a ignorância de seu povo, o governo procura ocultar sua responsabilidade no caso. Joga-se, novamente, a culpa nos ombros dos menos favorecidos.
Provavelmente, a idéia de vender essa tese à população busca alimentar o sentimento de culpa, de impotência e de conformismo. "Mudanças neste país, apenas no longo prazo", dirão os gurus do Estado. "Temos um problema que se arrasta por gerações e que não pode ser resolvido de um dia para o outro."
Dessa forma, arrasta-se o problema por mais algumas gerações e evita-se as reais causas do problema: a concentração de renda, a sangria arrecadatória do Estado, os gastos governamentais sem critério, o compromisso com o desenvolvimento econômico internacional e a centralização política que afasta o cidadão brasileira de decisões de seu interesse.