O sigilo bancário aos caros amigos
Lula deveria erguer um altar ao ministro Nelson Jobim em sua casa.
O motivo é simples. O ministro do STF concedeu duas liminares impedindo a quebra de sigilos telefônico, fiscal e bancário do empresário Roberto Kurzweil. Este nobre senhor alugou dois automóveis de luxo para o PT durante a campanha eleitoral de 2002.
Segundo as denúncias, o carro foi utilizado para transportar os famosos dólares cubanos escondidos em caixas de bebidas. Além disso, o empresário responde à acusação de ter intermediado a proposta de US$ 1 milhão dos donos de bingos ao PT para legalizar o jogo no Brasil.
Se fosse feita a quebra dos sigilos a conexão com o presidente ficaria mais perigosa e poderia facilmente levar ao impeachment do ex-operário mais rico do país. Jobim assegurou ao seu amigo o término de seu mandato e uma possível continuação para alegria do setor financeiro.
Ainda tem gente que acha existe um complô das elites para derrubar Lula. Se imprensa, empresários e banqueiros realmente quissesem derrubá-lo Lula já estaria vendo os jogos do Corinthians em seu confortável apartamento em São Bernardo.
Certamente que a oposição quer desmoralizar o presidente visando as eleições nos próximos meses, mas se fosse ao contrário, o PT não faria o mesmo?
O curioso é que o ministro Jobim aparece como possível candidato à presidência da república. Desconfiados disto, 35 magistrados interperlaram no STF a posição do ministro.
Se Jobim é candidato não seria um contrasenso defender o atual presidente? Não me surpreenda que seja um candidato apenas para ter 1% dos votos e barrar de vez o perigo Garotinho, que já larga com quase 20% da preferência do eleitorado.
Quem deve não teme, certo? Pois bem, fica a impressão que o sigilo bancário existe apenas para assegurar que alguns privilegiados não sejam punidos.


