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Danilo José Figueiredo - Publicado em 20.10.2003




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Apesar de inúmeros, poucos são os fãs de Star Wars que realmente fazem jus à palavra (fã é uma contração da palavra fanático). Isso porque, até 1997, eram poucos os que sabiam o que estava por vir em 1999, ou seja, o início da saga Star Wars.

Até então, George Lucas já era um dos homens mais ricos de Hollywood, ganhava rios de dinheiro todos os anos graças a merchandising de produtos relacionados a Star Wars e vivia uma vida calma e sossegada no Skywalker Ranch. Em termos de contribuição para o cinema mundial, George Lucas também estava entre os mais importantes de Hollywood. Isso graças a sua empresa semi-secreta: a Industrial Light & Magic (IL&M). A maior produtora de efeitos especiais do cinema na atualidade. Ninguém sabe precisar a localização exata da IL&M; isso porque, apesar de ter mais de 1500 funcionários e de ter a segunda maior capacidade de processamento de dados do mundo (perdendo apenas para a NASA, isso mesmo, para a agência aero-espacial dos EUA), aos olhos do transeunte normal a IL&M se parece com uma loja tradicional como uma relojoaria. Porém, essa loja é apenas a entrada de um Império subterrâneo de computadores de última geração, com técnicos treinados nas melhores universidades do planeta. Tudo isso para criar os efeitos especiais mais impressionantes do cinema. Segundo o próprio Lucas, que também é cliente de sua própria empresa (aliás, ele custa a assumir que é na realidade seu dono), sua empresa cria qualquer coisa que o diretor de um filme queira que seja criada, basta que se lhe dê tempo e dinheiro suficientes. Mesmo que o pedido seja algo que ainda não exista (como eram os dinossauros de Jurassic Park), não há problema, a IL&M inventa.

Mas voltemos a Star Wars. Em 1997, a trilogia original voltou aos cinemas. Foram apenas três semanas, mas foram três semanas de salas lotadas, isso porque os filmes haviam sido remasterizados, ou seja, as cenas cujos efeitos especiais estavam abaixo do padrão adequado para os dias de hoje foram melhoradas, além disso, haviam sido colocadas cenas novas nos filmes.

Foi um sucesso absoluto, sucesso muito superior, por exemplo ao fracasso da volta aos cinemas de outro grande filme remasterizado: ET, o Extraterrestre, que voltou aos cinemas no ano passado. Porém esse sucesso, mais do que à remasterização da série em si, se deveu ao fato de que aquilo que estava acontecendo era o início da contagem regressiva para o episódio I, que seria lançado em 1999, dois anos depois.

Enfim o mundo saberia porque a saga mais famosa da História do Cinema se iniciava com um filme intitulado episódio IV. Foram dois anos de espera por um filme que ficou abaixo das expectativas da imprensa, da crítica e da maioria dos fãs, mas que, mesmo assim, foi outro sucesso estrondoso de bilheterias.

Mais três anos de espera e, enfim um filme bom, à altura da série original, mas que, mesmo assim, e mesmo sendo outro sucesso de público, foi extremamente criticado. Tudo isso por quê? Porque Star Wars já abandonou os padrões de série de sucesso. Alcançou o padrão de mito e, como tal, é incomparável com quaisquer outras coisas, inclusive consigo mesmo. Desde o fã mais exaltado até o crítico mais ferrenho, todos esperam de Star Wars muito mais do que ele pode dar, isso porque todos esperam de Star Wars o que um fiel espera de um Deus: perfeição; mas Lucas não é um Deus. É um homem e como tal tem pontos de vista e percepções da realidade que podem (e com certeza não irão) agradar a todos, ainda mais se todos (mesmo os que não gostam) estão tão mal acostumados.

Em resumo Star Wars é uma série de tanto, mas tanto sucesso que o próprio governo dos EUA roubou seu título para o projeto de defesa anti-mísseis iniciado no governo de Ronald Reagan, na década de 80.

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