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Danilo José Figueiredo - Publicado em 23.10.2003




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Talvez o indivíduo mais comentado da Terra em todos os tempos tenha sido Jesus Cristo, um carpinteiro muito pobre nascido em Nazaré (apesar de a Bíblia dizer que ele nasceu em Belém, afirmação essa nitidamente construída para comprovar que ele era de fato o Messias, visto que a tradição Judaica dizia que o Messias viria da mesma linhagem do Rei Davi, cuja mesma tradição relacionava à cidade de Belém; por isso a invenção da História do censo que, na realidade, só ocorreu quando Cristo já tinha cerca de doze anos de idade, em 6 d.C.), por volta de 6 a.C. (esta é a data mais aceita Historicamente, o fato de o nascimento de Jesus situar-se seis anos antes do devido é explicado por um erro de cálculos da própria Igreja Católica quando da substituição do Calendário Juliano pelo atual Calendário Gregoriano), filho de Maria, uma jovem que teria sido inseminada pelo Espírito Santo sem perder a virgindade (é curioso que até hoje, no Amazonas, quando alguma moça das populações ribeirinhas fica grávida antes de se casar, a gravidez seja atribuída ao Boto Cor-de-Rosa (um Espírito de um índio que vaga pelos rios da bacia amazônica e que, vez por outra, fecunda uma índia moça só para trazer-lhe problemas perante sua comunidade)).

Enquanto grávida, Maria teria se casado com um velho homem de nome José, que se apiedara dela e, para evitar que fosse alvo de falatórios, resolveu casar-se com a moça. Que a Bíblia é o texto mais modificado da História, qualquer pessoa com um mínimo de esclarecimento sabe, por isso, não é novidade para ninguém que a Igreja tenha adicionado e retirado trechos e até livros inteiros do conteúdo original ao longo dos tempos para que a Bíblia servisse melhor a seus propósitos. Sendo assim, muitos estudiosos afirmam que alguns textos ditos apócrifos (de autoria controversa) eram originalmente parte integrante do livro mais vendido de todos os tempos. Um desses textos apócrifos, que data do século II, diz que Jesus seria filho de Maria com um soldado Romano (uma hipótese muito plausível) e que para evitar que fosse apedrejada por tal ato de lascívia, José se casara com esta menina de então apenas 12 anos.

Uma referência que a própria Bíblia faz (mas que é contestada por teólogos (que, em geral (e quando digo em geral, não quero dizer todos), não costumam ser cientistas sérios, mas apenas Teófilos (amantes de Deus), ou seja, fanáticos religiosos tentando comprovar seus dogmas através de uma suposta ciência (teologia = estudo de deus))) é a de que Jesus teria tido seis irmãos, sendo quatro homens e duas mulheres. Se pelo menos um deles for também filho de Maria, cai imediatamente por terra a teoria da virgindade da Santa Católica.

Quanto à infância do Messias, a Bíblia faz poucas referência, mas nas que faz pode-se perceber duas coisas: uma criança com poderes especiais e fora de seu controle e, por outro lado, um menino arrogante e ingrato com o todos, inclusive com o homem que lhe adotara, José. Desde cedo Jesus começa a acreditar que só ele está certo, que está a serviço de Deus e de mais ninguém e coisas do gênero. Certa passagem da Bíblia conta que uma vez ele se perdeu e foi encontrado discutindo religião com os sacerdotes do Templo de Salomão, em Jerusalém (esta teria sido a primeira ida dele ao Templo principal do Judaísmo).

Os evangelhos apócrifos mostram um Jesus não tão bonzinho quanto o que a Bíblia pinta. Segundo tais textos, o Messias quando criança gostava muito de impressionar os amigos e às vezes perdia as tardes fazendo bonecos de barros aos quais posteriormente concedia a vida para se exibir. Há um episódio em que o menino Jesus teria fulminado com um raio um garoto só porque este esbarrara em seu braço na rua, porém, depois de levar uma bronca do pai (não se pode precisar se Deus, ou José) ressucitara-o.

Entre os doze e os trinta anos de idade, a Bíblia apresenta um grande vazio sobre a vida de seu Messias. Este vazio é providencial, afinal a fase da vida de um homem onde ele mais se entrega a comportamentos não ortodoxos é justamente a adolescência e entre os 20 e os 30. Sendo assim, é muito possível que as passagens que citassem a vida dele nesse período tenham sido propositalmente excluídas ao longo dos séculos (a exclusão de partes da Bíblia e inclusão de outras era muito simples de se realizar até o século XV, quando Gutemberg inventou a primeira prensa da História e iniciou a impressão da Bíblia em série, além disso, até o século XIX, os Católicos de todo o mundo era proibidos de ler a Bíblia por conta própria, para isso precisavam ir à Igreja).

Durante peregrinações pelo deserto, Jesus teria encontrado com o Diabo e este teria lhe oferecido tudo o que desejasse para que se curvasse às Trevas, mas, segundo a Bíblia, o Messias teria recusado e esconjurado a aparição.

Quanto ao número de apóstolos, certamente 12 foi um número criado posteriormente, pois segundo estudiosos de símbolos, o 12 é um número perfeito que representa quatro vezes a trindade, três em cada ponta de uma cruz e as quatro pontas se ligando por um ponto de intersecção central: Jesus.

Junto com as pregações de Cristo, vêm declarações como: "Vim apenas para as ovelhas de Israel, acaso devemos alimentar os cães quando nossos filhos têm fome?" e "Só há um caminho para a Salvação e este caminho é através de mim!".

Segundo estudiosos, a ida de Jesus a Jerusalém fazia parte de um plano. Ele entrara na cidade montado num burrico pois sabia que na Torá (um dos dois livros sagrados dos Judeus que compõe também o início do Velho Testamento) o profeta Zacarias dizia que o Messias chegaria a Jerusalém dessa forma. Os Sacerdotes do Templo tomaram isso como uma provocação e, como se não bastasse, no dia seguinte, Cristo tem um acesso de raiva no meio do mercado de Jerusalém e ataca mercadores, destruindo suas tendas e alegando que aquilo era usura (lucro), coisa que Deus condenava: "Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus!" (Reino, aliás, que ele dizia pertencer a si próprio).

Depois de ser capturado, ele é crucificado e sepultado e, para o que ocorreu depois, há várias teorias. No entanto, as mais fortes são: ele sobrevivera à crucificação e fora sepultado vivo e assim, resgatado. Seu corpo fora removido por seus seguidores que espalharam o boato da ressurreição. Quem morreu na cruz foi um sósia, enquanto o verdadeiro Cristo estava escondido. Ou simplesmente, ele ressucitou, como querem os Cristãos. Não importa.

O fato é que após a morte de Cristo começam a se disseminar os ideais pregados por ele, ideais que contém essencialmente amor e paz, mas não igualdade, visto que ele próprio fazia diferença entre as pessoas de povos diferentes. O Cristianismo conseguiu, a duras penas, se fixar em Roma e, por volta do século IV, tornou-se a religião oficial do Império. Cresceu tão forte que resistiu mesmo à queda do Judaísmo (sua doutrina mãe), no século II, à queda de Roma (seu Estado mantenedor), no século V e às invasões Medievais.

A Bíblia, por sua vez, continuou sendo escrita pelos discípulos, pelos discípulos dos discípulos e também por seus discípulos... Depois de séculos, chegada a Idade Média, com o fim de Roma, o medo de um fim do mundo se aproxima e toma corpo e a idéia do Anti-Cristo se torna cada vez mais presente na cabeça da população. Em meio a representações grotescas de bestas com várias cabeças e outros tantos chifres, surge a idéia mais inteligente: o Anti-Cristo seria alguém exatamente igual em aparência, personalidade e poderes a Cristo. Ele viria ao mundo com o mesmo ideal missionário, mas, ao invés de salvar os que o seguissem, condena-los-ia à danação eterna.

Esse medo e essa imagem foram alimentados pela Igreja que temia que em meio a uma época de crise (guerras, fome, doenças) surgissem novos profetas e uma nova religião surgisse das cinzas do Cristianismo, assim como este surgira das cinzas do Judaísmo. Sendo assim, todo e qualquer profeta seria visto como um possível Anti-Cristo e a força da Igreja estaria assegurada.

Começam então a ser feitas representações do Diabo com o menino Jesus no colo (este, na verdade, o Anti-Cristo) e de coisas semelhantes.

Resta-nos então uma pergunta que será relevante para o próximo item do texto, a conclusão. Suponhamos que Cristo tenha mesmo sido o Messias (aliás, para os que não sabem, ele não se chamava Jesus Cristo, mas sim Jesus de Nazaré; Cristo é um título que significa "O Ungido (escolhido) de Deus"). Digamos que no deserto ele não tenha negado a tentação do Diabo (sim, porque se podemos considerar que existem um Deus do Bem, não vejo porque não podemos considerar que exista um Deus do Mal), mas, ao contrário, firmado um pacto com ele; um pacto que dissesse que ele morreria pela humanidade e que se visse que seus ensinamentos não deram resultados num determinado período de tempo, entrega-la-ia ao seu Adversário, visto que ela estaria perdida. Isso explicaria o porque de um clero tão corrupto desde o princípio, de tantas guerras e tantas mortes em nome de Deus e de Cristo (Cruzadas, Inquisição, Nazismo, Fascismo, Conquista da América, Escravidão Negra...). Isso explicaria o Maniqueísmo, doutrina posterior ao Cristianismo e que acredita que o Bem ou a Luz reside dentro do Mal ou da Escuridão. Nós, somos seres de escuridão, mas com almas luminosas, só que para que alcancemos a salvação devemos aprender a contornar a escuridão para libertar a luz. Em outras palavras, temos que estar bem perto da danação para que assim, e só assim, alcancemos a salvação. Esta teoria, o Maniqueísmo (que por ser Persa, tem inspirações tanto Cristãs quanto Zoroastristas), foi a fonte principal de inspiração para a criação do vilão mais bem elaborado, complexo, mal e bondoso (ao mesmo tempo) da História do Cinema: Darth Vader.

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