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Armas e o referendo do desarmamento As Armas na indústria cultural Armas e o referendo do desarmamento As Armas na indústria cultural Armas e o referendo do desarmamento As Armas na indústria cultural Armas e o referendo do desarmamento As Armas na indústria cultural Armas e o referendo do desarmamento

 


Maurício Gomes Angelo - Publicado em 16.10.2005


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É necessário tecer mais alguns adendos a um tema tão debatido. Vamos pensar ponto a ponto.

• Já ouvi muitos “espertões” dizerem que o referendo só foi colocado em pauta agora para desviar a atenção da população da “crise” estabelecida no país. Bobagem. O referendo já está marcado desde, no mínimo, 2003.

• A propaganda do “sim” e do “não”, ou, indo ao seu nome, Frente Parlamentar Obrigatória de rádio/tv já levanta algumas questões por sua própria existência. Afora os argumentos ridículos dos dois lados, descendo para acusações de toda sorte, seria produtivo pensar que tipo de interesses leva certo a grupo a defender, em rede nacional, o voto pelo sim ou pelo não. O que ganham com isso? Quais seus reais motivos? Irão comemorar a vitória? Vitória (?) da sociedade ou de seus interesses? Sejam quais forem, tais interesses são muito menos “inocentes” do que possam parecer.

• O gasto anual com armas, no mundo, é de 1 trilhão de dólares. Apenas de números oficiais. Só os Estados Unidos são responsáveis por 405 bilhões desta quantia. Dinheiro desperdiçado, dinheiro queimado a reveria em prol de algo que certamente não traz nenhum beneficio à população mundial. E se esse dinheiro fosse convertido para a criação, manutenção e desenvolvimento de iniciativas necessárias e promissoras?

• Nós é que alimentamos esta indústria. Assim como alimentamos todas as outras. A proibição da venda de armas no Brasil não fará com que paremos de contribuir para a proliferação das armas. Através da globalização, do ciclo infinito de consumo mútuo. É com o nosso dinheiro e a nossa cumplicidade abnegada, que vidas humanas são ceifadas por balas em todo lugar.

• A existência das armas, “um refino de nosso instinto de defesa”, e a grotesca importância atribuída a elas, sinaliza o nível de selvageria em que nos encontramos. Usadas, em 98% dos casos, contra seres humanos, ela representa o permanente estado de medo e apreensão que sentimos de nós mesmos.

• Se a não existência das armas pode criar um estado de temor, o seu fácil acesso, no outro extremo, cria um sentimento de “coragem” e supremacia deveras abundante e perigoso.

• Um pouco da filosofia clássica: “liberdade não é fazer o que se quer, mas fazer tudo aquilo que é permitido pela lei”.

• Muitos se atemorizam com a proibição da venda de armas. “Ficaremos indefesos”. “Indefesos contra o Estado, os bandidos e a obscura vontade alheia”. Precisamos de uma arma. Precisamos dela para nos sentirmos mais livres, mais cidadãos, protegidos, amparados, mais humano, mais dono de si. Para exercitarmos o livre-arbítrio dado por Deus.

• Estarei sendo cerceado em minha liberdade de escolha se a venda for proibida. Eu não posso ser ferido nisto. Preciso ter a mesma liberdade que tenho para decidir sobre todas as outras coisas.

• Sem a arma, me torno frágil. Isto não pode acontecer. Me foi ensinado que preciso ser forte e guerreiro para vencer na vida. Só os fortes sobrevivem. Aos perdedores, nada. Não irei contra minha natureza.

• Os bandidos continuarão armados. O mercado negro vai aumentar. Pessoas de bem vão ser presas se insistirem em possuir uma arma, se comprarem uma sem o amparo da lei. Enquanto bandidos perigosos continuarão a solta. É uma injustiça. Não posso tolerar injustiça.

• A polícia vai perder a batalha. Eu estarei no meio do fogo cruzado. A criminalidade vai dominar o mundo.

• Cônscios de que estou indefeso, os criminosos não terão escrúpulos. Perderão a prerrogativa da dúvida. Poderão dar vazão a todas suas perversões violentas.

• Eles terão o poder de matar mais facilmente. Eu não. O poder é tudo.

• O Estado fará o que quiser pois não verá ameaça na população.

• A repressão, pelas armas, aumentará exponencialmente.

• As trombetas soarão. Os sete selos serão abertos. A besta dominará a terra. Rios de sangue irão surgir. Seremos condenados ao inferno.

• Decifra-me ou te dou um tiro.

Faz-me rir.

• Especial Desarmamento hoje. E amanhã?


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