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Eleutério Brandão - Publicado em 09.10.2005




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Isso mesmo caro leitor, o título está correto, mas calma, esta frase não é minha, até porque minha senhora mãe já está na companhia dos justos e nunca tive a intenção de feri-la. Quem disse esta frase foi uma ex-ginasta num programa de televisão de uma rede comprometida com a campanha do sim.

A matéria veiculada na Rede Globo não era propriamente sobre o desarmamento. Era sobre mulheres que se envolvem com bandidos. A ex-atleta teria se envolvido com traficantes de drogas e cometia delitos para manter o vício. A chocante frase veio em momento oportuno numa matéria já recheada de conselhos aos pais e alarmes contra a violência. Sim, o perigo das armas em mãos de descontrolados não poderia faltar na campanha disfarçada que a Globo promove. Revistas e jornais nos entopem com imagens de canos de revolveres. Armas, armas e mais armas para amedrontar o eleitor.

Boa parte dos meios de comunicação só quer nos convencer que o comércio de armas é o responsável por alimentar a violência. Não se preocupe porque eles vão demonstrar por A mais B, no melhor estilo de Joseph Goebbels, que as armas compradas legalmente são as culpadas por todos os males do país e que a sua família corre risco com elas.

O apelo a favor da vida, família e contra a violência são os apelos desta campanha, reforçada pelos artistas da casa. Desde o péssimo ídolo Felipe Dylon aos burgueses Chico Buarque e Luís Fernando Veríssimo, os quais são favoráveis à proibição por estarem em seus confortáveis lares no trecho Zona Sul-Paris.

Artistas endinheirados, políticos financiados por organização estrangeiras e parte da mídia apóia a campanha. Por que eles dizem sim ao desarmamento?

Em primeiro lugar vale lembrar que o desarmamento já está em curso, independentemente do resultado do referendo de 23 de outubro. Esta eleição visa apenas justificar a proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil. Grande parte da mídia está apoiando esta iniciativa porque é questão de sobrevivência para eles.

Você não foi chamado para o mensalão e muito menos para este megaacordo do desarmamento. Este é um plano globalizado para evitar riscos e desordem nos cinco continentes. Uma população armada é sempre perigosa - Hitler e Stálin sabiam bem disso. O iniciante Bush Jr. já aprendeu que vale a pena desarmar antes de invadir.

O Brasil passa por um momento de desencanto com os políticos, agravado pelo aumento da violência e escândalos em todos os setores (até no futebol!). Se existisse um líder carismático (não estou falando do Padre Marcelo Rossi) correríamos o risco de esse chegar ao poder sem eleições. O time da corrupção e da preguiça venceu de goleada a esperança do Duda Mendonça e o medo da Regina Duarte.

Enquanto o seu Messias não vem, os meios de comunicação tentam enfiar goela abaixo da população mentiras com apelo dramático. A campanha às vezes é velada ou às vezes é escancarada como fazem colunistas, redatores e até humoristas destas corporações.

Existe um jogo de interesses entre governo e mídia. Com isso, você é induzido a votar sim no referendo. Matérias em jornais, dados estatísticos dignos do Ministério da Verdade, filme estrelado por Nicolas Cage contra as armas (O Senhor das Armas), novela baseada em faroeste e informações distorcidas aparentemente isentas, como se algum veículo de comunicação fosse independente de fato.

A Globo, maior entusiasta da campanha do sim, nasceu com a ditadura militar. O golpe de 1º de abril foi uma mentira e um retrocesso para o país no processo democrático. Para manter a mentira era preciso que toda a população deste país continental tivesse acesso aos dados do Ministério da Verdade. Para tal foram subsidiados aparelhos de televisão, criada a Embratel e, principalmente, a Rede Globo, emissora que nasceu com a CPI da Time-Warner.

A Rede Globo foi o porta-voz da ditadura; só apoiou as eleições diretas quando não podia mais ficar contra; não esclareceu a morte de Tancredo; é acusada do escândalo do Proconsult que roubaria votos para que Leonel Brizola não fosse eleito governador do estado do Rio de Janeiro, o mesmo Brizola que anos depois seria ultrapassado por poucos votos para disputar o segundo turno por um ex-metalúrgico. Este, um candidato despreparado que nos debates finais não sabia explicar como possuía um moderno "aparelho de som". Naquela vergonhosa eleição a Globo apoiou descaradamente o candidato Collor de Mello e relembrando o famoso "3 em 1" pode-se chegar à conclusão que Lula já era carta marcada e que Brizola seria um candidato muito mais difícil de vencer.

Brizola não era santo mas tinha declarado que cancelaria a concessão pública da emissora como seu primeiro ato se eleito presidente da república. Já Lula...

A Globo massacrou Lula em três eleições até 2002. Ano em que o PT e seu candidato se renderam e começaram a apoiar o PL, PTB, Igreja Universal, Política de juros exorbitantes e a aceitação das regras ditadas pelo FMI. Lula disse sim ao Partido. Lula diz sim ao referendo. Será uma boa idéia? Tim-tim.

Agora a Globo e parte dos veículos de comunicação apóiam o sim no referendo.

Os veículos de comunicação estão em dificuldades financeiras e para sair do atoleiro precisam se subjugar às vontades dos organismos internacionais. Existem metas para o controle da inflação e da população que tem de ser cumpridas. O desarmamento faz parte deste plano. Uma ordem imposta. A paz que eles querem não é paz que nós queremos. E esta campanha é para difundir a paz dos ricos, por isso é oportunista, assim como a imprensa é oportunista (ao contrário do que os oportunistas dizem que é ela é comunista).

Esta é uma campanha mentirosa, condenável e este referendo simplifica o problema da violência no porte de armas. Ele joga o problema para o cidadão-comum assim como eles tentam dizer que o problema das drogas está no usuário e não na proibição. As pessoas consomem e não vão parar de consumir. A proibição das drogas é a verdadeira causa da violência, entretanto muitas pessoas com sobrenomes famosos ganham muito com o mercado negro.

A proibição só vai gerar desemprego interno, aumentar a violência, aumentar o tráfico de armas e aumentar a lucratividade das empresas bélicas do exterior.

Eu odeio armas, não gosto nem faço coro com os fascistas que querem rasgar os direitos humanos e implodir a ONU. Acredito sim que, no Brasil, um bandido é tratado melhor do que policiais e pequenos empresários. Você é melhor amparado pelo estado se fundar um quadrilha do que abrir seu pequeno negócio. Você tem apoio das organizações estrangeiras se for bandido mas se for policial... A polícia brasileira é mal aparelhada e desprovida de amparo pelas organizações que fiscalizam os direitos do homem; que valem para todos, para mim e para você. Por estes direitos é que temos a licença de nos defender sem precisar do governo. Ou você acredita que este governo e esta oposição juntos irão fazê-lo?

Armas matam, assim como automóveis matam e drogas matam. Drogas são proibidas e as pessoas consomem. Os automóveis são produzidos para atingir muito mais do que a velocidade máxima permitida. O aborto é proibido e milhares de mulheres o fazem diariamente. Agora, armas de fogo serão proibidas. Você realmente acredita que eles estão pensando na sua segurança?

Tudo o que os EUA gostariam de encontrar no Iraque e no Afeganistão era populações desarmadas. Assim como o petróleo a água um dia ficará escassa e seremos alvo. Pense nisso.


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