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Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 15.06.2006




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O estilo de transmissão dos locutores esportivos brasileiros chama a atenção em qualquer parte do mundo!

Os europeus, acostumados a fazer transmissões “de terno e gravata”, sem nenhuma emoção, estranham quando vêem aqueles indivíduos à beira de um ataque de nervos baterem recordes de controle respiratório, de fazer inveja aos “Pavarottis” da vida, ao se esgoelarem feito doidos para anunciar: “Goooooooooooooool!”, enquanto eles informam, educadamente: “Rete!” (italiano) ou “But!” (francês). Convenhamos: os sinônimos do inglês “goal” nesses idiomas também não ajudam grande coisa...

Nosso estilo narrativo é tão marcante, que havia um narrador francês que gritava “gooool!” nas transmissões locais e, por isso mesmo, era conhecido como “le brésilien” (o brasileiro).

Mas, nem só de gols vivem os locutores brasileiros: Nas transmissões radiofônicas, principalmente, a narração em cima do lance, tão minuciosa quanto rápida, quase alucinante, é emblemática, e sempre recheada de bordões.

Ah, os bordões... Cada locutor cria os seus ou recicla os dos outros. Assim, temos: do lugar comum à obra-prima, que se consagra na voz do povo. E como eles são pródigos nisso, meu Deus!

Faz sentido! Afinal, a falta de imagem obriga ao preenchimento dos espaços com a fala, o que não é para qualquer um. Assim, um bom locutor radiofônico tem que ser, também bom de papo, criativo e rápido de raciocínio: recursos indispensáveis para manter a assistência, sobretudo quando o jogo está entre morno e sofrível. Aí vale prosa, poesia, anedota... Não é à toa que personagens como Ary Barroso, Antonio Maria e tantos outros fizeram história no rádio esportivo brasileiro.

Na televisão isso é mais difícil de ver e ouvir. Aliás, muitos locutores da “telinha” se perdem ao tentar fazê-lo... O festival de “abobrinhas” e lugares-comuns que se segue justifica o hábito cultivado por alguns, de baixar o som da TV e aumentar o do rádio...

Por essas e outras é que ainda tenho saudade do fantástico Geraldo José de Almeida, que era capaz de ressuscitar defuntos com a sua narração! Ainda ecoam em meus ouvidos seus: “Por pouco, pouco, muito pouco, pouco mesmo”, “Olha lá! Olha lá! Olha lá!” e a inconfundível pronúncia de “Barrrrrrbante”.

Nessa mesma nostalgia também se encaixam: Pedro Luis, Edson Leite e, a partir de “ontem”, Fiore Gigliotti, que foi o último representante da geração “romântica” dos narradores esportivos. Um grave acidente também nos deixou órfãos das performances vocais do “Pai da Matéria”: Osmar Santos, que teve sua capacidade de fala gravemente comprometida.

Por sorte, ainda podemos contar com a ironia corrosiva de Sílvio Luis, a precisão de José Silvério, a explosão marota de Dirceu “Maravilha”, o dinamismo de Cléber Machado, e a imensa capacidade do futebol brasileiro em gerar novos talentos, dentro e fora “das quatro linhas que definem o gramado”.

É... Nesse quesito somos campeões mundiais desde 1930!

E pelo menos nisso estamos livres do assédio europeu...

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