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Compatriotas ou “contrapatriotas”? - Introdução
Henrique Mumme - Publicado em 27.06.2006

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Toda época de Copa do Mundo é a mesma coisa. Arremessam bombas de tintas verde e amarela com ataques aéreos massivos e não escapa quase ninguém sem ser manchado. Os pintados são a maioria. Verdadeiros zumbis verde-amarelos. Já os que escapam são as vítimas excluídas, das quais boa parte terá os miolos pintados por outros zumbis durante o desenrolar da Copa.
O caminho fácil é se deixar contagiar pela energia e vibração do povo inflado pela mídia. O caminho difícil é tentar entender o que há de errado com isso.
Possivelmente irão mal interpretar meu posicionamento em relação à Copa do Mundo como uma típica e imatura reação de “ser do contra”, ou ainda, como um “chato de galocha” que quer desligar o som da festa e fazer todos pararem de dançar.
A verdade é que alguma coisa em meu íntimo me diz com força que há algo de muito errado na maneira como o futebol é realizado e encarado pela maioria das pessoas. A Copa do Mundo não é só uma brincadeira divertida e inofensiva.
As idéias expressas nos textos abaixo buscam exteriorizar este meu sentimento na busca de consolidar ou fazer entender melhor o porquê da minha impressão de que ao entrar no “ritmo de Copa” estamos apenas nos enganando e distraindo os olhos de uma realidade aterradora que muitos até sabem superficialmente da existência, mas poucos a incorporam verdadeiramente no caráter, ao mesmo tempo em que também distraímos os olhos de potenciais humanos mais dignos e louváveis.
Aldous Huxley em seu excelente livro “Eminência Parda” nos brinda com alguns conceitos relevantes à idéia que desejo transmitir com meu texto:
“O mundo externo, tanto quanto se refere ao homem civilizado, é sobretudo o seu mundo, feito à sua própria imagem – uma projeção e uma incorporação material de sua razão, das suas paixões e das suas idiotices. Assim, as distrações interiores correspondem às distrações externas da vida civilizada – novidades, mexericos, vários tipos de sensualidade, prazeres emocionais e intelectuais, inovações e aparelhos de toda sorte, casuais contatos em sociedade, atividades, negócios desnecessários, enfim, todas as diversificadas irrelevâncias cuja sucessão sem sentido constitui a vasta maioria das vidas humanas. E porque grande parte da nossa personalidade é naturalmente idiota, porque gostamos desta idiotice e a cultivamos como um hábito, construímos para nós mesmos um mundo altamente idiota, dentro do qual vivemos”.
“Todo ser humano sensível compreendeu, uma vez por outra, a ausência de sentido e esqualidez da vida ordinária feita de incessantes e reiteradas distrações, e tem almejado um alvo para a existência e pureza de coração. Mas quão lamentavelmente poucos têm alguma vez preferido agir de acordo com esta compreensão, têm tentado satisfazer o seu anelo!”
Série Compatriotas ou “contrapatriotas”?
Parte 1 - Introdução | Parte 2 - Heróis nacionais? | Parte 3 - Relações pessoais | Parte 4 - Pão e circo | Parte 5 - Mercado capitalista | Parte 6 - A Copa prostituta
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