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Estamos na Oceania
Adriel Diniz - Publicado em 14.07.2005

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“Estamos na Oceania. As teletelas estão por toda parte”. Anuncia o e-mail. Li, entendi, pensei, escrevo:
Nas escolas os pais aprovam a colocação de câmeras na sala de aula. Dizem, melhora a disciplina. No entanto, aprisiona, inibe, vigia. Nos balcões do serviço público há teletelas, mostrando a face sórdida do poder. A propina vira estrela e o país cai em desgraça. Vêm à tona denúncias, dinheiro, podridão. Estamos na Oceania.
Mas cadê a Polícia do Pensamento? Onde estão os agentes de O’Brien?
Quem é Goldstein? Estamos em guerra com quem?
Estamos na Oceania. Concordo com o e-mail.
O Partido, no poder, de tudo faz para continuar lá. O PT já jogou no Buraco da Memória tudo o que disse sobre justiça social, ética, moralidade, reforma agrária, FMI...
José Dirceu O’Brien e seus agentes mais próximos, na direção do partido, tentaram usar o Ministério da Verdade para atacar o Goldstein do momento: Roberto Jéferson. Por uma inversão pouco natural, o deputado, de acusado, passou a denunciante, vítima. É golpe! Gritam assustados os vermelhos. Comunistas! Respondem os oposicionistas.
Todos estão certos. Não há erros em seus discursos. A história se repete. Os baluartes da justiça social, do correto, da retidão, chegam ao poder. Invertem os valores, mudam o discurso, como os marxistas soviéticos, os marxistas brasileiros se empanturraram com o poder.
Mas nós estamos em guerra. Uma guerra contra a corrupção, anunciou o presidente, o igual a nós, homem do povo, um irmão dos pobres, um grande irmão. A guerra já foi contra o desemprego, contra a inflação. Só mudam os inimigos, e do jeito deles, continuam a guerra.
Mesmo com as ações do agente, que era secreto, Marcos Valério, o big presidente continua bem com o povo. Afinal, não tem ele nada a ver com isso tudo. Nada o atinge. Até Goldstein o poupa. Antes do final, já amamos o grande irmão.
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