tecnologia e do progresso, através do consumo.
Nesses livros, Huxley nos mostra com muita clareza, os meios e processos que podem ser utilizados por um poder supostamente democrático para manipular e conduzir o povo, “como um gado”. Esses métodos, são, na verdade, a evolução da forma milenar do “pão e circo”, utilizada por imperadores romanos.
Entre esses métodos, Huxley cita o uso dos poderes da sugestão, que pode ser da forma branda usada no marketing no ocidente, ou da forma traumática das lavagens cerebrais utilizadas nas ditaduras socialistas do oriente; as técnicas de condicionamento social; bem como o fornecimento de “felicidade” ao povo com sexo livre, conforto e comodidade da sociedade de consumo, além de diversões baratas e vulgares e no último caso, a fuga da realidade com drogas.
O autor também fez previsões sombrias sobre o uso da genética para produzir humanos previamente adaptados ao seu papel social. Nesses dois livros, Huxley foi simplesmente brilhante quando fez comparações entre uma sociedade claramente ditatorial, que se mantém através da opressão e do medo, por um lado, e de uma sociedade supostamente democrática por outro. Segundo ele, para um ditador é muito mais eficiente uma sociedade em que aparentemente floresça a liberdade do que aquela mantida pela força, pois nessa última, o indivíduo é impelido a cooperar pelo medo, pelo terror, pelo castigo.
O resultado a longo prazo é a queda nos resultados para o ditador e seus objetivos. Pois, oprimido, o cidadão se torna desmotivado, improdutivo. Pode usar o boicote, como válvula de escape. Talvez esse tenha sido um dos motivos da queda do regime socialista soviético. Já numa sociedade falsamente liberal, o indivíduo tem a impressão de estar livre, de estar agindo por sua própria vontade. Ele irá cooperar e produzir mais, sem ter noção de que é guiado. Motivado, sentindo-se sujeito ativo do processo, irá atender muito melhor aos objetivos do ditador. Talvez, esse tenha sido um dos motivos do sucesso do capitalismo norte-americano.
Para o ditador, o sistema de condução suave é mais eficiente do que a ditadura declarada. Mas, e para o indivíduo, qual é melhor? Ou aliás, qual é menos má? A resposta é que não há resposta. A primeira mantém os indivíduos medrosos e infelizes. A segunda os mantém “felizes”, mas alienados, limitados em seu potencial humano.
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