pública, impunha-se a eloqüência. De que serviria hoje, quando a força pública substitui a persuasão?”. (Id., p. 198) A propósito, sofista (do grego, sophistés) originalmente significava sábio; posteriormente adquiriu o sentido de impostor (derivado do latim sophista).
Rousseau não poderia imaginar o alcance dos meios modernos de persuasão, nem como os Estados totalitários os usariam para dominar os povos. A obra de George Orwell mostra a estreita conexão entre liberdade e linguagem. Não é por acaso que, em geral, políticos e burocratas autoritários tendem a metamorfosear as palavras, mascarando-as ou destituindo-as do seu significado real. O burocrata patológico faz questão de dominar os códigos, os segredos inseridos nas entrelinhas e especializar-se, a ponto das pessoas temerem-no. Já o político populista-autoritário, usa frases pomposas e abusa da balofice. “A linguagem política”, escreveu Orwell, “destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”.
A corrupção da linguagem é essencial para a manutenção da dominação política. Um ótimo exemplo disto pode ser observado no clássico A Revolução dos

  Bichos. Em outro livro, 1984, a linguagem, como forma de opressão política, ocupa um lugar central. Na novilíngua (newspeak), as palavras servem como engodo e falsificação da verdade. O indefensável ganha a áurea de sagrado e indiscutível. A mais simples dúvida constitui uma crimidéia, impossível de ocultar.
Assim, o Ministério da Verdade (Miniver, em novilíngua), tinha como função distorcer e forjar novas verdades, ou seja manipular. No Ministério do Amor, mantinha a lei e a ordem impondo a dor e a tortura. (“O grande Irmão zela por ti!”). No Ministério da Paz, tramava-se a guerra. E, no Ministério da Fartura, tratava-se de fabricar falsas estatísticas sobre os dados econômicos, ou seja, encobrir a escassez.
“Quem controla o passado”, dizia o lema do Partido, “controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”. (1998: 36) Trata-se na Novilíngua, do duplipensar: a realidade histórica é e não é conforme os interesses do partido. Conforme a vontade do Estado, os registros históricos são suprimidos; mata-se o indivíduo pela simples remoção dos registros, eliminado-se qualquer referência ao mesmo. Sua existência é
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1984
Obra-prima de George Orwell. [$]










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