| negada e depois esquecida. Aliás,
eis um excelente exemplo de como as palavras caem no esquecimento e/ou adquirem
novo sentido: George Orwell não poderia imaginar que o Big
Brother se tornaria personagem de TV, com grande índice de audiência.
A crítica à vigilância permanente, ao controle do indivíduo
pelo Estado, à aniquilação da liberdade, perde-se no glamour
dos artistas televisivos, eles e seus espectadores presos às exigências
do Ibope. O conceito orwelliano do Big Brother
é propositadamente removido da história. A peleja de Orwell contra
a manipulação da linguagem, contra o seu uso enquanto forma de opressão,
nos alerta para a necessidade de preservar a memória, os registros da história.
A etimologia, o estudo das palavras, de sua história, e das possíveis
mudanças de seu significado, constitui uma contribuição fundamental.
Saber as origens das palavras, estudar as suas metamorfoses e seus usos, conforme
os interesses políticos-econômicos por todas as épocas, é
essencial para a luta permanente contra o esquecimento. Este só interessa
às personalidades e governos autoritários. Um povo que não
conhece o seu passado, ou o conhece sob a ótica dos | |
que dominam, é incapaz de mudar o presente e construir o seu futuro. E,
para além dos objetivos políticos dos que manipulam as palavras
e a história, temos a tendência natural de esquecer. Como Jean Lauand
escreve na apresentação: Nossas grandes iluminações,
nossas grandes intuições, brilham por um momento na consciência,
mas logo na rotina do dia-a-dia começam a cair no esquecimento
(essa expressão é, aliás, pleonástica: esquecer, etimologicamente,
é começar a cair). Não é que se aniquilem, confundem-se
na massa informe dos cuidados quotidianos e saem do âmbito da consciência:
precisamente o que se indica com o vocábulo esquecer. (PERISSÉ:
2002, p. 11) Gabriel Perissé, mestre em literatura brasileira e doutorando
na Faculdade de Educação (USP), nos brinda com uma bem-humorada
seleção de palavras e expressões e nos ajuda a não
esquecer. Além de aprendermos suas origens, ainda nos deliciamos com um
estilo literário oposto à sisudez própria de muitos textos
acadêmicos que abundam por aí. A propósito, abundar não
é palavrão. Mas isso me faz
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