Brother, Casa dos Artistas e No Limite, o reality show oferece como produto básico satisfazer o desejo dos telespectadores com cenas de exibicionismo e auto-flagelo. Some-se a isto a capacidade do participante ao eliminar seus adversários da competição e, conseqüentemente, ter sua grande chance de experimentar mais do que os quinze minutos de fama já
conquistados.
Ora, que tipo de realidade é esta em que o excitante é ver o outro em situações muitas vezes constrangedoras, como ir ao banheiro diante de câmeras ou “pedir a cabeça” de uma pessoa por quem se criou afeição? Por estranho que possa parecer, a lógica dessa (re)criação remete à das lutas entre os gladiadores na Roma antiga, uma espécie de gameshow onde os participantes eram guiados por duas necessidades básicas: eliminar o adversário e exibir-se para saciar uma platéia ávida por emoções baratas e bizarras. Tanto na arena de ontem, quanto na telinha de hoje, o vencedor continua sendo aquele que consegue eliminar seus adversários mais rapidamente; e o público segue experimentando o prazer de ver o sofrimento alheio, seja com o sangue que outrora jorrava da espada, seja com a superexposição, a

  delação e outros ingredientes resultantes dos mais baixos sentimentos, nessa modalidade pós-moderna de combate entre iguais.
Se compararmos o que nos oferece a arena pós-moderna do Big Brother dos nossos dias - sexo, mentiras e traição - com a mensagem do grande irmão de George Orwell, em 1984? Seríamos todos reféns de um voyeurismo do qual não conseguimos escapar, condenados a nos manter eternamente divididos entre atores e observadores da nossa própria indiferença ante a violência que acomete outros indivíduos, outras famílias, outros povos?
Parece que o grande irmão de Orwell, aquele que, na contramão dos atuais Big Brothers, suscitou tanta discussão sobre nossos medos em relação à invasão da privacidade, pode nos permitir compreender mais da realidade atual do que inspirar a luta pela audiência na TV.
Quem sabe, quando negamos informação e entretenimento de boa qualidade aos famintos consumidores daquilo que é servido pela mídia eletrônica durante anos a fio e deixamos de oferecer algo diferente
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1984
Obra-prima de George Orwell. [$]










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