| mais competente canal de informação
e educação de todos os tempos: a televisão. Quem sabe
é chegado o momento de, humildemente, aceitarmos a vocação
educativa da TV? Entendermos que tanto faz o formato do programa, a linguagem
audiovisual adotada, seja jornalismo, novela, filme, ficção, show
de auditório, mini-série, desenho ou programa infantil, pouco importam
os meios, pois, no fim, todo conteúdo televisivo sempre será assimilado
como educação. Ou seja, tudo que a mídia eletrônica
emite é capaz de interferir, ensinar, modificar, inseminar, contaminar
e encantar corações e mentes. Doravante, quando na hora do almoço
ou jantar os jornais nacionais exibirem sem pudor nossos cadáveres, seria
prudente pensarmos noutra lição deixada por Orwell: sim, é
possível escapar das armadilhas do grande irmão. Caso contrário,
corremos o risco de, no próximo capítulo do nosso reality show particular
sermos os protagonistas das cenas de violência que a TV expõe diariamente
e que, por enquanto, tocam apenas momentaneamente nossos sentimentos, pois, afinal,
dizem respeito somente aos outros. Quanto ao possível engajamento da
TV no tão falado | | esforço
pela paz mundial, não basta meia dúzia de filmetes de 15 segundos
ou dúzia e meia de artistas com sorriso de creme dental pronunciando
palavras insossas. Talvez o que ninguém da TV ousa dizer é que esse
movimento depende de outros fatores. Primeiro, do discernimento dos patrocinadores
que, por hora, fomentam tudo que é produzido e cheire a pontos na audiência;
segundo, dos criadores que têm buscado reinventar em muitos programas as
relações humanas tendo como base a intriga, a trapaça, a
traição, a superexposição da intimidade. E finalmente,
do público que, infelizmente, seja falta de opção ou preferência,
depois de secar as lágrimas sobre o sangue derramado do último seqüestrado,
do último assassinado, do último Celso Daniel, da última
vítima do terrorista-bomba, do último bebê morto por desnutrição,
não cansa de aplaudir as novas arenas e nossos quase modernos gladiadores. Wagner Bezerra e Heloísa Dias - 04.02.2003
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