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Asas da imaginação
Kátia Drummond - Publicado em 01.09.2003
Para todas as crianças. Grandes e Pequenas.
Minha convivência com o mundo animal.
Asas da Imaginação 1
Era apenas um pedaço de papel.
Ele fez um risco.
Ele fez um traço.
E de rabisco em rabisco,
o vazio ganhando forma
e a forma ganhando cor,
virou uma linda ave.
E a linda ave, um dia,
bateu asas e voou.
Beija-Flor
Quando a última flor
do último jardim morrer,
beija-me, beija-flor.
Que eu vou virar um jardim
cheio de flor pra você.
Borboleta
A borboleta voou
deu a volta no jardim
e como quem acha a flor
pousou em cima de mim.
Borboleta, eu quero ser
bem igualzinha a você.
Eu também quero voar.
E depois, feliz da vida,
escolher em quem pousar.
Salvador BA, primavera de 1989.
A Cigarra
Caem folhas e oitis.
Rasgando o silêncio
a outonal cigarra,
engendrando a própria morte,
parece cantar feliz.
Vaga-Lume
Outro dia,
antes de acabar a poesia,
um vaga-lume pousou no papel.
A poesia brilhou!
Vaga-lume,
acende em mim o seu lume
que eu também quero brilhar.
O vaga-lume voou...
O Cágado
É um cágado pequeno.
Mais parece uma castanha
esse bichinho indolente
que se arrasta paciente
nos quatro cantos da casa,
cheio de terra e de manha.
Às vezes, desaparece.
A casa inteira o esquece.
Lá está ele escondidinho,
parado no seu cantinho.
Se alguém lhe faz um carinho,
ele se encolhe e se guarda.
Esse singelo bichinho
tem o tempo da memória:
muitos mil anos de história
que a “festa no céu”, um dia,
desenhou no seu casquinho.
E hoje em dia, o caguinho,
devagarinho demais,
é brinquedo de criança
no mundo do faz-de-conta.
Personagem da lembrança
do reino dos animais.
Kátia Drummond
Salvador Bahia Brasil
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