Resenha do filme Maria, Mãe do Filho de Deus - Análise crítica do filme Maria - Ficha do filme Maria - A guerra religiosa chega às telas < Duplipensar.net
 

 



Ramon Torres - Publicado em 13.10.2003

O Império finalmente conseguiu dar um passo a frente nesta disfarçada guerra religiosa que existe em nosso país.

No dia 10 de outubro estreou o primeiro filme do padre-estrela Marcelo Rossi: Maria - Mãe do Filho de Deus, já mostra logo no título que a idéia é atrair todos, porque a igreja
  Cena do filme Maria - Mãe do Filho de Deus
 


 

abriu mão de um titulo que revolta os evangélicos: Maria mãe de Deus. Isto também demonstra um apelo comercial óbvio e uma tentativa escancarada de morder uma fatia do delicioso bolo do mercado religioso. Algo que os evangélicos fazem com êxito há algumas décadas. Este fenômeno surgiu com força total no inicio da década de 90 com o não menos estrela apóstolo Estevam Hernandes (na época um pastor da desconhecida Renascer em Cristo) que começou a ver o publico evangélico como um consumidor ávido de modernidade e atualizou a musica evangélica no Brasil com sua Gospel Records abrindo caminho para a nova Line Records (da universal) dentre outras que faturam como gravadoras seculares (esse é o termo que os evangélicos dão para as musicas não cristãs). Resultado?

Segundo a revista Isto É Dinheiro e pesquisas de várias revistas especializadas, o gênero gospel já o terceiro estilo musical mais consumido no país deixando o pagode e o axé bem para trás. No meio gospel existem fenômenos como a Igreja Batista de Lagoinha que junta em média um milhão e meio de pessoas para as gravações de seus cds (em varias capitais brasileiras) e recentemente ganhou o disco de platina por ter vendido 500 mil cópias de seu último cd em apenas 15 dias. Mais do que o ex-sertanejo Leonardo, por exemplo.

O padre Marcelo apareceu em resposta a esse movimento há alguns anos atrás e vendeu horrores com a fórmula evangélica. O seu primeiro cd tinha 90% de musicas evangélicas já consagradas.

Todo o mundo sabe que o padre Marcelo é o ultimo foco de resistência e modernização na Igreja, que vem sofrendo muito nas ultimas décadas com o êxodo de seu rebanho, para as diversas religiões do Brasil (especialmente para os evangélicos) e além disso tem o sério problema com os fiéis que são ecumênicos, ou seja, mesmo católicos se dizem espíritas (crença que é completamente contraria a crença católica).

A igreja esta em um beco sem saída: ou moderniza suas bases e estruturas como foi proposto há séculos atrás ou vai ver seu final igual ao de seu líder máximo o Papa, doente e debilitado.

E os evangélicos? Estão tranqüilos comercialmente e contam com a vantagem de se adaptarem a qualquer época e situação (mesmo que isso comprometa a qualidade). Mas eles também perderam o foco, pois, parece que as igrejas agora só querem saber de megatemplos para rivalizarem com as basílicas católicas, esquecendo de seus conceitos bases e crenças.

Quem perde nesta guerra é o povo que fica no meio de uma tremenda inversão de valores que tem deixado nossa sociedade maluca e perde todo o apoio espiritual mostrando que nem católicos e nem evangélicos tem capacidade de fazer o que Jesus tanto gostaria:

Transformar a sociedade com base no amor.

Ficha do Filme Maria, Mãe do Filho de Deus

Título original: Maria, Mãe do Filho de Deus
Países: Brasil
Ano: 2003
Idioma: Português
Diretor: Moacyr Góes
Roteiro: Thiego Balteiro e Marta Borges
Gênero: Drama e Religioso
Elenco: Giovanna Antonelli - Maria | Luigi Baricelli - Jesus Cristo | Ana Beatriz Cisneiros - Joana | Padre Marcelo Rossi | José Wilker - Pilatos | José Dumont - Diabo | Expedito Barreira - Apóstolo Filipe | Eugenio Bretas - Apóstolo Bartolomeu | Bruno Cariati - Jesus aos 7 anos | Ewerton de Castro - Joaquim | Régis Di Sóri - Apóstolo Simão | Flávio Elia - Apóstolo Tiago | Guti Fraga - Manassés | Cláudio Gabriel - Apóstolo Judas | Malu Galli - Maria Madalena | Leon Goes - Apóstolo Tiago | Thiago Martins - Apóstolo João | Chris Nicklas - Mulher do povo | Clarice Niskier - Ana | Tonico Pereira - Herodes | Gustavo Rodrigues - Apóstolo Tadeu | Ítalo Rossi - Caifás | Fábio Sabag - Anás | Nilvan Santos - Apóstolo André | Leonardo Senna - Apóstolo Mateus | André Valli - Belquior | Paulo Vespúcio - João Batista | Clemente Viscaíno - Apóstolo Pedro | Entre outros.
Trailer do Filme Maria, Mãe do Filho de Deus: -
Duração: 107 minutos
Avaliação no IMDB: 5,6 (22.12.2006)

DVD Maria - Mãe do Filho de Deus GIOVANNA ANTONELLI LUIGI BARICELLI PE. MARCELO ROSSI
A nossa história começa nos dias de hoje, num povoado pobre do interior do Brasil. Numa casinha muito simples, Maria Auxiliadora, 24 anos, carregando uma expressão angustiada, está saindo apressada com sua filha Joana, 7 anos. Na saída de casa elas encontram Marcos, um jovem com um cesto cheio de balas de açúcar. Joana implora por uma balinha e como a mãe não tem dinheiro, ela puxa a filha e insiste para que prossigam o caminho. Marcos se comove com o desejo da criança. Vai atrás dela e lhe dá de presente o confeito. A menina Joana registra a generosidade de Marcos. As duas seguem. Chegando na pequena igreja do povoado, Maria Auxiliadora que não tem com quem deixar Joana, pede ao padre para tomar conta da sua filha. Sem que a menina ouça, sua mãe diz ao padre que precisa ir ao posto médico buscar o resultado do exame de Joana. Pelo tom da conversa ficamos sabendo que a menina está com suspeita de uma enfermidade muito grave e, se a doença for confirmada, Maria Auxiliadora não terá como conter seu desespero diante de Joana, o que aumentaria o sofrimento de mãe e filha. Mas Joana não quer ficar na igreja, não quer se separar da mãe. O padre tenta convencê-la prometendo contar-lhe uma bela história. E diz a Maria Auxiliadora que irá rezar para que Deus vele por Joana. A mãe da menina se despede emocionada. Joana ainda insiste em ir com ela. Mas o padre a convence a ficar contando-lhe a história de uma mãe que devotou-se ao seu filho. A partir desse momento o padre começa a contar para Joana a história de Maria e sua vida com Jesus. Como uma original de abordar a história mais conhecida da humanidade, o padre narra o ponto de vista de Maria, essa extraordinária mulher escolhida e abençoada por Deus. A menina fica fascinada com o que ouve. Como a narrativa é cheia de ações emocionantes e o padre desce aos detalhes, Joana passa a imaginar a história nos locais do povoado onde mora. São as únicas referências visuais que ela possui. De imediato, quando o padre fala de Maria, mãe de Jesus, Joana imagina esse personagem na figura de sua própria mãe, Maria Auxiliadora. Quando ele conta sobre o arcanjo Gabriel, Joana imagina o próprio padre como o portador da boa nova. E Jesus, como o homem generoso que lhe ofereceu as balinhas de açúcar. Assim, passamos a ver e a nos emocionar mais uma vez com essa fabulosa história, agora contada pelo padre e imaginada por uma criança muito simples, isolada num pequeno povoado do interior do Brasil.



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