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A religião e o egocentrismo religiosidade e seu relacionamento antrópico e sociológico A religião e o egocentrismo religiosidade e seu relacionamento antrópico e sociológico A religião e o egocentrismo religiosidade e seu relacionamento antrópico e sociológico A religião e o egocentrismo religiosidade e seu relacionamento antrópico e sociológico A religião e o egocentrismo

 



Rafael Lasevitz - Publicado em 12.12.2003


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Já havia tempos pensava em adentrar-me mais profundamente nas polêmicas algébricas da religiosidade e seu relacionamento antrópico e sociológico. Finalmente, percebo-me hoje em um derradeiro estado de inspiração para tanto, e assim o faço.

Na realidade, acabamos voltando ao velho tópico da Sustentabilidade Social, já discutido parcialmente em textos anteriores. Pois disso trata a implantação de religiosismos na sociedade desde que se mantém uma consciência histórica; exigindo uma sobrevivência instintiva, o Homem relaciona-se socialmente, interage e, em conseqüência, obtém, neste processo, vantagens essenciais para sua própria manutenção vital.

Tratemos primeiramente da Religião. Esta costuma tratar basicamente de temáticas relacionadas à própria Sustentabilidade Social. Ou seja, criar um conjunto abrangente de normas e valores éticos buscando, ao menos inicialmente, regulamentar uma convivência ideal. Mas como definir o que é, deveras, a Ética? Deixando de lado pressupostos religiosos, temos a Ética como mero conjunto de idéias perante o ideal humano de respeitar para manter-se respeitado, auxiliar para ser auxiliado, e assim vai. A religião, por sua vez, acaba passando uma idéia de sacrifício, a necessidade de sacrificar o próprio ego e suas vontades; conceder aos miseráveis, auxiliar os desprivilegiados — de fato, não há sacrifício, apenas uma busca árdua e ardil pelo que conceituo como Conforto Social.

Todo o ato humano encontra-se centralizado em seu próprio ego. Para Schopenhauer, seria a Vontade que se manifesta irracionalmente em uma busca por uma satisfação eterna, infinita. Talvez, se Schopenhauer tivesse tomado maior conhecimento das idéias Evolucionistas, poderia ter desenvolvido então um raciocínio diferenciado. A Vontade não é exatamente irracional, e sim, instintiva e, se é insaciável, isto deve-se unicamente a insistência do próprio processo evolutivo em selecionar organismos que factualmente concentrassem suas percepções à própria sobrevivência. Claro, quem quer manter-se vivo, vive. É a mesma origem, por exemplo, do Medo.

Assim, o Homem encontra-se plenamente focado em sua sobrevivência. A idéia do Conforto Social trata justamente desta interação de idéias entre o Evolucionismo e a Sociabilidade. Ora, se interagimos, estaremos tanto repelindo o elemento de interação, ou atraindo-o. Se o repele, perde seu auxílio e assim, cria dificuldades. Pensemos na idéia oposta. Um Homem isolado de qualquer relação com outro ser vivo perceber-se-á diante de uma plena falta de segurança contra o Egocentrismo de outras espécies. Não apenas isso, a idéia da Relação condiz igualmente com a busca pelo Conhecimento — válido inclusive para os chamados animais irracionais — que, em mínimas proporções, concede técnicas tanto para defesa quanto para alimentação do ser vivo. Na realidade, a Religião contesta apenas a existência plena do Egocentrismo na caracterização da relação social.

Adentremos então nesta Sociologia, especialmente a pertinente aos tempos modernos, para melhor compreensão. Toda relação interantrópica possui base em necessidades particulares. Se agradamos, estamos buscando adquirir respeito; o respeito nos concede o tal Conforto, que define-se, em sua essência, por uma posição especial na qual se está mais apto para conviver de acordo com seus ideais e próximo de uma maior liberdade. Confortados, sobrevivemos. Verbi gratia, podemos colocar uma situação de difícil compreensão; o choro. Ao vermos um amigo ou um familiar imerso em seus prantos, tendemos a chorar, mesmo tendo a fonte deste sofrimento como desconhecida. Ora, este familiar, este amigo, nada é senão fator de segurança da própria pessoa. Se este passa por dificuldades, você inevitavelmente compartilha-as, pois a dificuldade também é sua, o choro também é seu. Mais que isso, torna-se cúmplice — em oposição à indiferença — e assim, mais próximo, íntimo, protegido. Não se trata de calculismo, e sim instintivismo. Não é sórdido, apenas orgânico, natural, simples.

A Religião, portanto, acaba apenas por impor regras que já são preconcebidas no próprio instinto humano. Pior, dogmatiza-as com a inexplicação, explicando-as por meio de imagens superiores e hierarquias de estratificação infinita. Dogmatizando, manipula, aliena, impõe a nanificação do raciocínio, a Cacopedia Social — ler artigo "A Cacopedia e a Sociedade", de 8/11. Quando na realidade, tudo é racional, deduzível, empírico, sustentável.

Passamos, deste modo, por milênios de sufocamento intelectual, no qual ainda nos encontramos. O mundo exige a acepção do dogma e nós, ou agimos de acordo, sem compreendê-lo, forjando uma bondade inexistente — pior, criando uma bipolaridade com a denominada maldade, que também inexistente em teoria, é reprimida com dogmas ainda maiores como os relativos a Céu e Inferno — e dando origem à rebelia dos que rejeitam esta que nada é mais que uma doutrina do inexplicado e, desconhecendo as reais razões por trás da Ética, acaba por buscar uma ruptura; é a Crise do Indivíduo.

Uma mudança neste contexto é por demasiado delicada para tomar lugar tão cedo, mesmo considerando a atual volatilidade da mente social provocada por incessantes condicionamentos e alienações comerciais. Há o problema do Medo. O Medo da acepção, por exemplo, de uma humanidade Egocentrista. Não sabemos o que é o Egocentrismo. Também, sequer sabemos o que é o Ego.


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