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Universo Matrix (Matrix trilogia)
Igor Garcia - Publicado em 17.12.2003

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O convite da trilogia Matrix é tentador: Conhecer o mundo real. No entanto, a própria noção de realidade está colocada à prova. As possibilidades ampliam seus horizontes, superando sua condição de filme e transcendendo para a caracterização de um verdadeiro universo.
Em Matrix, primeiro filme da trilogia, somos apresentados à visão que o Arquiteto e o Oráculo passam aos humanos. Acreditamos na profecia, pois como humanos também estamos presos a Matrix. O filme serve como um mecanismo de controle de nossas mentes.
Nossa necessidade de esperança nos faz acreditar na vitória esmagadora dos humanos sobre as máquinas; esse sentimento de superioridade de espécie se reflete na figura de Neo, nosso salvador. O desafio feito por Neo ao telefone, e a música do “Rage Against the Machine” (Fúria Contra a Máquina) exaltam nossa condição e saímos satisfeitos do cinema.
O plano do Arquiteto funciona também conosco, aceitamos a Matrix, adoramos o filme, pois temos esperança que o predestinado cuidará de nós e a vitória será eminente e esmagadora. Somos escravos, mas a certeza (esperança) na liberdade nos torna escravos bonzinhos; dificilmente alguém critica esse filme.
Chega Reload e toda nossa crença cai por terra. Somos colocados diante do plano de controle da Matrix, nossa impotência frente às máquinas e ainda perdemos nosso Salvador. Frustração total!
Ah! Mas ainda não acabou, resta um filme. “To be Continued” alegra nossa boba esperança. Ainda existe uma chance, acreditamos e esperamos um final glorioso. Novamente somos controlados a aceitar a Matrix e depois da decepção inicial, passamos a adorar o segundo filme.
Assim como os personagens depositam sua fé na revolução, e ainda na recuperação do predestinado, aceitamos essa primeira derrota e esperamos com ansiedade o terceiro filme.
Os mais crentes, como Morpheus são os mais abatidos, mas ainda crêem na volta do predestinado. A vida dele sempre foi embasada na crença ao predestinado, o herói salvador que conduzirá a humanidade à vitória total. Da mesma forma acreditamos nos irmãos Wachowski, esperamos deles a vitória da raça humana.
O final chega com Revolutiuon. Mas não foi o grande final aguardado pelos humanos. Somos presenteados com um final diferente, na verdade com o único final possível; a paz.
Novamente os mais esperançosos, os mais fáceis de controlar, não aceitam a realidade. Morpheus fala que sempre sonhou com aquele momento, mas fica nítido que não era o que ele esperava. Decepção geral, lógico, a maioria como diz o próprio Morpheus não está preparado para o mundo real.
O fato de não ter sido apreciado pela maioria das pessoas é uma crítica que o filme faz à raça humana, incapaz de aceitar a paz como solução. Ainda vivemos em tempos de força, de preconceito, de guerras, de superioridade, de poder... Não aceitamos a convivência pacífica com os desiguais.
O final dos irmãos Wachowski é o mais corajoso que já vi nos últimos tempos; é duro, real, triste, incerto, mas ainda esperançoso. Esperança, não na supremacia humana, mas na percepção humana. Percepção que fez de Neo o “The One”. Percepção de que só a paz é um final digno e possível.
“The One” pode ser considerado o primeiro a acabar com a idéia do “olho por olho”. O grande amor de sua vida acabara de morrer, grande parte por culpa das máquinas. Mas não vemos ódio em Neo quando ele conversa com o chefe deles. Ele percebe que numa guerra não existe culpado, e não interessa quem começou; a razão não está com ninguém. A única coisa que interessa é quem vai acabar com a guerra.
As máquinas são influenciadas pela postura de Neo, e também percebem a importância da paz. Notamos um ódio de filho com orgulho ferido quando Neo conversa com o chefe das máquinas, além de uma falta de esperança em seu gesto, questionando o que aconteceria se Neo falhasse. No entanto é evidente o carinho com que recolhem o corpo de Neo, morto ou não.
O Universo Matrix não é uma simulação, mas sim uma metáfora. Nossa condição humana é jogada na nossa cara. Nossa fragilidade e angustia existencial fazem com que acreditemos em qualquer história que nos conforte e traga esperança. Enquanto ficamos acreditando em algo superior a nós, seremos facilmente controlados. O Oráculo descobriu e se aproveitou dessa característica humana, como muitos têm feito durante nossa história.
Acreditando em mentiras reconfortantes, e nos opondo a aceitar o mundo real, nunca conheceremos nossas possibilidades. Nunca poderemos construir nosso próprio futuro. Nunca seremos realmente livres. Enquanto insistirmos na pílula azul, seremos sempre escravos.
Filme: Matrix
Título original: The Matrix
País: Estados Unidos
Ano: 1999
Idioma: Inglês
Direção: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Gênero: Ação / Ficção-Científica / Thriller
Elenco: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Gloria Foster, Joe Pantoliano, Marcus Chong, Julian Arahanga, Matt Doran, Belinda McClory, Anthony Ray Parker, Paul Goddard, Robert Taylor, David Aston, Marc Gray, Ada Nicodemou, Denni Gordon, Rowan Witt, Elenor Witt, Tamara Brown, Janaya Pender, Adryn White, Natalie Tjen, Bill Young, David O'Connor, Jeremy Ball, Fiona Johnson, Harry Lawrence, Steve Dodd, Luke Quinton, Lawrence Woodward, Michael Butcher, Bernard Ledger, Robert Simper, Chris Scott, Nigel Harbach, entre outros.
Filme: Matrix Reloaded / Matrix 2
Título original: The Matrix Reloaded / The Matrix 2
País: Estados Unidos
Ano: 2003
Idioma: Inglês / Francês
Direção: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Gênero: Ação / Ficção-Científica / Thriller
Elenco: Ray Anthony, Christine Anu, Andy Arness, Alima Ashton-Sheibu, Helmut Bakaitis, Steve Bastoni, Don Battee, Monica Bellucci, Daniel Bernhardt, Valerie Berry, Ian Bliss, Liliana Bogatko, Michael Budd, Stoney Burke, Kelly Butler, Josephine Byrnes, Noris Campos, Collin Chou, Paul Cotter, Marlene Cummins, Attila Davidhazy, Essie Davis, Terrell Dixon, Nash Edgerton, Laurence Fishburne, Gloria Foster, David Franklin, Austin Galuppo, Nona Gaye, Daryl Heath, Roy Jones Jr., Malcolm Kennard, David Kilde, Randall Duk Kim, Christopher Kirby, Peter Lamb, Nathaniel Lees, Harry J. Lennix, Tony Lynch, Robert Mammone, Joshua Mbakwe, Matt McColm, Scott McLean, Chris Mitchell, Steve Morris, Carrie-Anne Moss, Tory Mussett, Rene Naufahu, Robyn Nevin, David No, Genevieve O'Reilly, Socratis Otto, Harold Perrineau, Jada Pinkett Smith, Montaño Rain, Adrian Rayment, Neil Rayment, Rupert Reid, Keanu Reeves, David Roberts, Shane C. Rodrigo, Nick Scoggin, Kevin Scott, Tahei Simpson, Frankie Stevens, Nicandro Thomas, Gina Torres, Andrew Valli, Steve Vella, John Walton, Clayton Watson, Hugo Weaving, Cornel West, Leigh Whannell, Bernard White, Lambert Wilson, Anthony Wong, Anthony Zerbe, entre outros.
Filme: Matrix Revolutions / Matrix 3
Título original: The Matrix Revolutions / The Matrix 3
País: Estados Unidos
Ano: 2003
Idioma: Inglês / Francês
Direção: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski
Gênero: Ação / Ficção-Científica / Thriller
Elenco: Mary Alice, Tanveer K. Atwal, Helmut Bakaitis, Kate Beahan, Francine Bell, Monica Bellucci, Rachel Blackman, Henry Blasingame, Ian Bliss, David Bowers, Zeke Castelli, Collin Chou, Essie Davis, Laurence Fishburne, Nona Gaye, Dion Horstmans, Lachy Hulme, Christopher Kirby, Peter Lamb, Nathaniel Lees, Harry J. Lennix, Robert Mammone, Joe Manning, Maurice Morgan, Carrie-Anne Moss, Tharini Mudaliar, Rene Naufahu, Robyn Nevin, Genevieve O'Reilly, Harold Perrineau, Jada Pinkett Smith, Kittrick Redmond, Keanu Reeves, Rupert Reid, Kevin Michael Richardson, David Roberts, Bruce Spence, Richard Sydenham, Che Timmins, Gina Torres, Clayton Watson, Hugo Weaving, Cornel West, Bernard White, Lambert Wilson, Anthony Wong, Anthony Zerbe, Craig Walker, entre outros.
Artigos sobre a Matrix publicados no Duplipensar.net:
Notas sobre “Matrix” - Lázaro Curvêlo Chaves
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