Que professor é esse? - Concurso para professores do Estado de 5ª à 8ª séries do Ensino Fundamental e Médio (PEB II)... < Duplipensar.net
 

 



Paula Lameu - Revisado em 31.01.2007

Nos dias 2 e 9 de novembro realizou-se o concurso para professores do Estado de 5ª à 8ª séries do Ensino Fundamental e Médio (PEB II).

O número de vagas para o concurso foi significativamente inferior à procura. Além dos interessados em ocupar cargos efetivos no governo havia aqueles que prestaram o concurso para aumentarem sua pontuação.
  Que professor é esse?
 


 

O governo do Estado e o Ministério da Educação já vêm pensando, há algum tempo, na mudança de parâmetros para a educação brasileira. A implantação da progressão continuada e a utilização da pedagogia construtivista interacionista são pontos que estão sendo "trabalhados" e estudados objetivando a melhora na qualidade de ensino.

Não adianta elaborar propostas sem fundamentá-las. Não adianta fundamentá-las sem dar a capacitação necessária ao profissional.

No edital do concurso há o "perfil do professor", para mostrar que tipo de profissional o governo espera estar atuando na rede. Não basta não faltar, preparar as aulas, ensinar. O papel do professor é outro, não é mais aquele que explica os conceitos, impondo-os como verdade, mas o de facilitador que orienta o aluno a buscar conceitos por si.

O professor seria um gestor que se responsabiliza integralmente pelo nível de aprendizagem e pelo processo cognitivo do aluno. Aquela velha história de que o professor ensina e o aluno não aprende não existe. Se o aluno não aprendeu é porque o processo pelo qual o educador é responsável teve algum ponto falho. Dentro desse processo, o professor deve respeitar os valores sociais e culturais, trabalhando-os como fonte de conteúdo, utilizando o próprio aluno como recurso. Valores baseados na justiça também serão abordados, pois são primordiais ao convívio social, solidário e ético.

O educador deve conhecer as necessidades de seus educandos para supri-las, desenvolvendo um nível adequado de aprendizagem.

Outros fatores com que o educador tem que se preocupar é com sua formação e como aplicá-la. Sempre deve dominar o conteúdo a ser trabalhado, pois os alunos não respeitam o profissional que não sabe o que está falando. E quem respeita? O domínio de sua área permite que tenha uma base para definir o conteúdo, a metodologia, os recursos e a forma de avaliação adequada para o plano de ensino, pensando também nos PCNs e nas diretrizes da Secretaria de Educação.

O comprometimento do educador com a vida escolar complementa o processo educativo. O educador que se relaciona com seus colegas de trabalho, trocando idéias, montando parcerias, participando de trabalhos coletivos (HTPC, Conselho de Série/Classe/Escola) tem a capacidade de analisar e avaliar seu trabalho e o trabalho feito pela escola, pensando em um possível aprimoramento.

Quem quer esse profissional não é o governo e sim uma nação de brasileiros que sente que a única forma de melhorar suas condições é o ensino. Pais que podem garantir aos seus filhos apenas a educação, exigem das escolas um bom trabalho; conseqüência de um bom profissional.

Não adianta encostar-se ao Estado para garantir os benefícios e a estabilidade do emprego. Onde fica a consciência desse profissional que fala que a culpa é dos alunos se ele não é capaz de uma auto-avaliação, refletindo que sua aula é um pé no saco, onde poderia utilizar outros recursos para despertar o interesse nos alunos.

Infelizmente contamos os verdadeiros educadores nos dedos das mãos. Ouvi de muitas pessoas que se preparavam para o concurso que "a gente precisa acreditar ser esse profissional" ou que "a gente precisa mentir para poder passar". Realmente, passaram aqueles que dissertativamente possuíam esse perfil, agora se na prática nossos filhos terão aquele profissional ideal, isso é outra história.

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