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| Crânio e Ossos - Artigo sobre a Skull and Bones e Prescot Bush< Duplipensar.net |
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Crânio e Ossos
Paulo Alexandre Filho - Publicado em 06.02.2004
Prescot Bush, um respeitável cidadão estadunidense, foi pai e avô de dois presidentes de seu grande e poderoso país. Dizem as más línguas, que o incrível patriarca Bush aprontou uma molecagem das grandes em sua mocidade, quando freqüentava a gloriosa Yale (berço acadêmico de significativa parte da elite estadunidense): o velho Bush simplesmente profanou o túmulo do legendário líder indígena Jerônimo e saqueou os seus restos mortais como uma espécie de prêmio ou troféu macabro para uma misteriosa
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irmandade universitária que atua em Yale, a Skull and Bones ("Crânio e Ossos"). Seus famosos descendentes, o filho George e neto George Walker, também integraram a seleta Skull and Bones, que "escolhe" apenas 15 membros a cada ano desde os idos de 1830. Os membros da macabra irmandade, que funciona num antigo edifício escuro e sem janelas no campus de Yale, tradicionalmente mostraram-se como destacados elementos na sociedade estadunidense.
A exemplo dos herdeiros de Prescot Bush, alguns presidentes dos EUA foram membros da Skull and Bones e outros tantos influentes políticos do país também se reuniram naquele prédio sombrio. Metade da equipe do primeiro escalão do Governo Bush é formada por "bonesmen" (como são vulgarmente chamados os membros da SKull and Bones). Muitos dos chefes de grandes corporações e importantes formadores de opinião também são bonesmen - há um total de 800 deles vivos e em atuação nos EUA, mas normalmente estão em posições privilegiadas e destacadas, comandando ou influenciando a vida de uma multidão que vai além das fronteiras dos EUA e ainda respondendo por uma incalculável soma de dólares. Na Skull and Bones deve-se celebrar alguma espécie de pacto com o poder e o sucesso nas misteriosas seções e reuniões que se realizam em sua sede, considerando o notável desempenho de seus membros. A escolha dos 15 felizardos anuais deve seguir, portanto, uma criteriosa atenção, levando-se em conta o fato de que eles serão importantes líderes a viver segundo o lema da entidade - "Por Deus, pela Pátria e por Yale".
O retumbante papel dos bonesmen na sociedade estadunidense e sua atuação como líderes até fez com que se suscitassem as inevitáveis "teorias da conspiração" que colocaram a entidade no centro de alguma espécie de comando pelo controle do mundo, pois eles acabam comandando o planeta de alguma forma. Independente das teorias conspiratórias, é natural considerar que a elite que comanda a nação mais poderosa do mundo acaba, por tabela, comandando também o mundo. Esta é uma relação lógica.
Se nos falta a mística de alguma Skull and Bones ou se já não temos os poderosos maçons que tomavam conta do Império no século XIX e nem mesmo a decaída Escola Superior de Guerra que nutria de malícia a elite política brasileira nos idos da Ditadura Militar, não temos razão para lamentar, afinal, possuímos no Brasil um grupo que nos comanda. Ainda que tenhamos presidentes operários, os plutocratas de plantão estarão vigilantes e ativos. Embora pouco numerosa, em termos absolutos ou mesmo relativos, a elite pátria é mais ou menos coesa em torno de seus grandes interesses, irmanada politicamente e sempre disponível para conduzir nossos miseráveis destinos. Portanto, se temos uma "bancada ruralista" e não temos uma reforma agrária não há porque lamentar a ausência de coisa parecida com a Skull and Bones. Se o ritmo e a intensidade dos lucros de banqueiros oscilam em patamares muito além de qualquer projeção a respeito do crescimento das possibilidades de emprego ou de ganho no poder aquisitivo para a população que paga os juros bancários, não há necessidade simbólica de bonesmen brasileiros.
Se o tráfego de helicópteros que transportam milionários sobre a quatrocentona São Paulo é tido como natural, se as velhas (e bota velhice nisso!) oligarquias políticas que dominam a política nordestina continua ilesa, então não teremos razão para invejar os mandatários de Yale. Este drama é quase mundial: ninguém tem a elite que merece!
Leia também:
Skull & Bones: A formação dos guerreiros retóricos
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