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Wolf Borges - Publicado em 30.05.2004


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Era uma vez um condomínio fechado muito charmoso chamado “Liga da Justiça”. Seus moradores eram os “Super Amigos” – os Super-Heróis mais poderosos do mundo!

Por conviverem diferentes culturas e diversos tipos de super poderes, aconteciam certas divergências: cada um tinha um modo de viver e pensar sobre a segurança do planeta, as regras de justiça e até sobre a educação dos filhos. Outra diferença era que cada super-herói tinha um poder aquisitivo e um padrão de vida. Assim, supervizinhos super-ricos conviviam com supervizinhos superpobres...

Para evitar atritos e discussões acontecidas no passado foi criada uma regra democrática, uma espécie de “carta de princípios”, estabelecida por uma comissão do condomínio chefiada pelo rigoroso Comissário Gordon – e tudo vinha funcionando bem e a paz reinava nesse supercondomínio.

Numa belíssima casa no centro do condomínio, morava uma família muito rica, a do Capitão América, e por isso, todo mundo vivia “enchendo o ego” da família e fazia vista grossa de seus repentes de superioridade e arrogância, afinal, todos os vizinhos vendiam alguma coisa para eles, prestavam serviços como cortar a grama, limpar o carro da família, o que fazia os super-heróis mais pobres serem eventualmente chamados a participar de alguma festa – o que todos achavam um luxo. Obviamente, havia muita inveja da família América.

Um dia a casa dos América foi cruelmente invadida por um Super-Maluco do condomínio que, além de deliberadamente derrubar a torre da super chaminé, feriu mortalmente o Super-Cão. Todos ficaram indignados, e os América ficaram irados, prometendo vingança. Chamaram a polícia e começaram a procurar o maluco por todo o condomínio. Revistaram por toda a parte e não conseguiram encontrá-lo, o que aumentou a irritação desses heróis que não estavam acostumados a perder.

Bom, o tempo passou, mas a coisa toda não foi esquecida e foi se complicando. Havia um outro Super-Herói super grosseiro, o Incrível Hulk que diziam ser amigo do Super-Maluco, e que já tinha apresentado problemas no passado. Sabe como é: brigas em família, encrencas com os com vizinhos e mil dores de cabeça. - Estes problemas já haviam sido duramente julgados pela Liga da Justiça e a família Hulk estava sob rigoroso controle – diziam que eram discriminados e passavam por sérias dificuldades. Assim sendo, a família dos América espumando de ódio, precisava de um “judas para malhar” e começou a dizer que o Incrível Hulk teria armas perigosíssimas em casa, o que ameaçaria a paz do condomínio. A polícia do condomínio atuou rapidamente e fez uma revista na casa inteira, não encontrando nada. O Capitão América, colérico, garantia que haviam armas por lá e dentro de uma semana, iria botar ordem na questão e, se preciso, entraria lá também armado e mataria o Hulk se ele não confessasse que era mesmo maluco e entregasse estas suas armas. Hulk, que já estava cansado dessas atitudes, mandou o Capitão América “catar coquinhos”, é óbvio. Todo o condomínio acompanhava atônito o conflito. A Liga da Justiça se reuniu e tentou apaziguar a situação – achavam que era possível evitar essa briga de vizinhos para que reinasse a paz do condomínio. Mas não adiantou: o Poderoso Capitão, atropelando a decisão da Liga da Justiça e acreditando que sua riqueza a tudo comprava, entrou fortemente armado na casa do Hulk, derrubou o que quis, matou quem achou que deveria e levou a cabeça do Hulk como troféu... Um verdadeiro horror. O poderio de destruição do Capitão América foi tão grande que a Liga da Justiça não se atreveu a interferir na invasão.

Foi então que os resultados dessa barbárie começaram a aparecer. Todos passaram a ter medo dos América, ninguém queria fazer serviços para eles, nem mesmo cumprimentá-los como antigamente “– vai que eles invocassem com outro supervizinho...” Ninguém queria nem mesmo freqüentar as suas festas. Haviam fofocas que eles teriam ido para o lado negro da força. Olhavam para eles com ressentimento, indignação e certa raiva. Várias famílias se organizaram e fizeram boicotes – surgiram protestos, todos os dias os pneus do carro dos América eram furados, os muros eram constantemente pichados, até que eles ficaram isolados na sua prepotência e desrespeito às normas da Liga da Justiça, restando apenas uns poucos bajuladores de plantão.

Dizem que à noitinha, em segredo, outros heróis estão armando uma lição para os América, mas ainda nada veio à tona. Sabe como é: uma briga puxa outra e pelo visto esta ainda vai longe. Só ficou mesmo uma dúvida: Quem seria agora, o mocinho e o bandido da história?