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Garfield e McKinley, dois presidentes dos EUA assassinados e esquecidos
Leonardo Silvino - Publicado em 20.07.2004
Quando se comenta sobre presidentes estadunidenses que foram assassinados durante o exercício de seus mandatos, pensa-se apenas em dois: Lincoln e Kennedy. Entretanto, os EUA, amantes da paz e ferozes combatentes das armas de destruição em massa, já tiveram quatro presidentes assassinados. Dois destes pouquíssimas vezes são mencionados. Você já ouviu falar de Garfield e McKinley?
James Garfield e William McKinley não são tão lembrados quanto Abraham Lincoln (assassinado em 1865) e John F. Kennedy (assassinado em 1963). Em comum, Garfield e McKinley lutaram na Guerra Civil, nasceram em Ohio, eram do partido Republicano e morreram em setembro.
James Abram Garfield (1831/1881)
James Abram Garfield nasceu em Cuyahoga, Ohio, em 1831. Entra para a política jovem e durante a Guerra Civil torna-se líder do corpo de voluntários. Eleito em 1863 para a câmara, tornou-se líder dos republicanos devido às suas habilidades oratória e política. Garfield teve sua reputação arranhada em negociatas e suspeitas de cumplicidade em escândalos financeiros. Mesmo assim, elegeu-se senador em 1880, mas teve de renunciar atendendo ao pedido do partido para concorrer às eleições presidenciais no mesmo ano.
Garfield venceu as eleições com uma diferença de menos de 10 mil votos populares. Enquanto ele teve 214 votos eleitorais (4.449.053 votos populares), seu oponente, o general Winfield Scott Hancock, do partido democrata, teve 155 (4.442.035).
A administração do 20º presidente dos EUA mal começara e no terceiro mês de mandato ele foi baleado por Charles J. Guiteau, em 2 de julho de 1881 numa estação de trem em Washington. Mortalmente ferido, Garfield agonizou na casa branca por semanas. Durante a comoção nacional, Alexander Graham Bell, inventor do telefone, tentou em vão encontrar a bala com um dispositivo elétrico. Mesmo após as mais inusitadas tentativas de recuperar o presidente, Garfield morreu em conseqüência de infecções e hemorragia interna em 19 de setembro. Chester Arthur tomou posse e governou até o fim do mandato.
William McKinley (1843/1901)
William McKinley nasceu em Niles, Ohio em 1843. Major da Guerra Civil, após o conflito abriu um escritório de advocacia em sua terra natal. Eleito para o congresso em 1876, conseguiu praticamente se reeleger até 1891. Sua marca registrada foi ultra-protecionista Tarifa McKinley de 1890 (sobretudo da França e Alemanah). Dois anos depois, tornou-se governador de Ohio e candidato do Partido Republicano em 1896.
Nas eleições McKinley obteve 271 votos eleitorais (7.035.638 votos populares) contra 176 (6.467.946) do candidato democrata William J. Bryan. O metodista William Mckilney (mesma religião e partido de George W. Bush) tornou-se o 25º presidente dos EUA aos 54 anos, apoiado pelos setores conservadores que consideravam o candidato democrata progressista demais.
A administração de McKinley foi marcada pela guerra. Desta vez não estava em jogo o combate ao comunismo nem o petróleo, mas sim a hegemonia no continente americano.
Com o incentivo e financiamento do governo e mídia (vide a famosa alusão de Orson Welles criticando W. R. Hearst. em "Cidadão Kane") os Estados Unidos tomaram o que restava do império espanhol na América. Durante o confilto de 100 dias, Cuba e Porto Rico tornaram-se estados títeres na América, assim como a Filipinas na Ásia. Porto Rico ganhou em 1952 o duplipensado título de Estado Livre Associado.
McKinley era pacifista e tentou conter a guerra. Entretanto os setores que o apoiaram não deixaram saída para evitar o conflito. A mídia estadunidense propagou a crise durante a explosão do encouraçado Maine, que resultou em 260 vítimas. O apelo foi tamanho que cerca de 200 mil voluntários se apresentaram para livrar Cuba do "Eixo do Mal".
O sucesso da curta guerra fez McKinley se reeleger em 1900 com ainda mais folga, novamente sobre W. Brian. Desta vez ele teve 292 votos eleitorais (7.219.530 populares) contra 155 (6.358.071) do oponente democrata.
No dia 6 de setembro de 1901, McKinley foi baleado em Búfalo (NY) por Leon F. Czolgosz, um anarquista. Oito dias depois estava assassinado, pela terceira vez, um presidente estadunidense. Theodore Roosevelt assumiu em seu lugar o posto vago e Czolgoz morreu na cadeira elétrica cantando "Glória, glória, glória".
Presidentes dos EUA que foram assassinados:
Abraham Lincoln asassinado por John Wilkes Booth em 1865.
James Garfield asassinado por Charles J. Guiteau em 1881.
William McKinley asassinado por Leon F. Czolgosz em 1901.
John Kennedy asassinado por Lee Harvey Oswald em 1963.
Presidentes dos EUA que sofreram atentados:
Andrew Jackson
Harry Truman
Gerald Ford
Ronald Reagan
Presidentes dos EUA que morreram no exercício do mandato:
William Henry Harrison em 1841 aos 68 anos.
Zachary Taylor de cólera em 1850 aos 65 anos.
Warren Harding de pneumonia em 1923 aos 57 anos.
Franklin Roosevelt de hemorragia cerebral em 1945 aos 63 anos.
Presidente dos EUA que renunciou:
Richard Nixon
Vice-presidentes dos EUA que completaram os mandatos dos presidentes:
John Tyler - morte de William H. Harrison.
Millard Fillmore - morte de Zachary Taylor.
Andrew Johnson - assassinato de Abraham Lincoln.
Chester Arthur - assassinato de James Garfield.
Theodore Roosevelt - assassinato de William McKinley.
Calvin Coolidge - morte de Warren Harding.
Harry Truman - morte de Franklin Roosevelt.
Lyndon Johnson - assassinato de John Kennedy.
Gerald Ford - renúncia de Richard Nixon.
Leia também:
• Todos os presidentes dos Estados Unidos
• Eleições para presidente dos Estados Unidos da América de 2008
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