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Danilo José Figueiredo - Publicado em 30.03.2004


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A Caaba era um templo existente em Meca, a cidade onde nasceu Maomé. Meca era mais uma daquelas cidades-Estado do centro da Arábia, com governo e leis próprias. Ao contrário do que era mais comum nessas cidades, Meca não era uma monarquia, mas sim uma oligarquia comercial.

Vejamos como surgiu a cidade. As origens de Meca são desconhecidas e de tão antigas, existem lendas que remontam ao próprio Adão, porém, o que nos interessa saber é que a cidade foi fundada por uma etnia, os Khozâ’a, já na era Cristã, mas numa data não precisada, Qusay, líder dos Coraixitas, um povo que vivia nas montanhas próximas a Meca, liderou seu povo numa invasão à cidade, dessa invasão resultou o domínio de Meca pelos Coraixitas e a conseqüente subjugação dos Khozâ’a.

Os Coraixitas, amparados por seu líder, realizaram algumas mudanças na estruturação da cidade, tornando a Caaba, seu templo, o centro de todos os cultos da Arábia Central.

A Caaba, segundo a mitologia Árabe é tão antiga quanto Meca e teria sido construída por Adão. Ao seu redor, desenvolveu-se a cidade. O fato é que antes dos Coraixitas dominarem Meca, o culto da Caaba era dedicado a uma estranha Pedra Negra, que muitos acreditam (hoje), ser um pedaço de asteróide caído na Terra. Porém, Qusay, após dominar a cidade, reconstruiu a Caaba (que segundo as lendas teria sido reconstruída dez vezes, sendo as duas últimas já pelos Islâmicos, enquanto as duas primeiras por Adão e por seu filho Seth, irmão mais novo de Caim e Abel, do qual descenderia toda a humanidade, uma vez que Abel foi morto e Caim condenado por sua morte) e levou para ela as diversas divindades da Arábia Central. O objetivo do conquistador era, não outro senão o atrair fiéis para Meca e, com isso, realizar feiras que renderiam grandes lucros aos Coraixitas. Na verdade Meca sempre conviveu com feiras, visto que se desenvolveu no cruzamento de rotas comerciais, tanto da Índia para a África, quanto da Arábia para a Ásia.

A idéia de Qusay deu certo e, em pouco tempo Meca se tornou o centro mais cosmopolita da Arábia, com visitantes em todas as épocas do ano, mas especialmente durante as festas religiosas. No início, a cidade se limitava a sediar as feiras, mas depois de algum tempo, passou a enviar caravanas comerciais para as diversas regiões da Arábia e até a Damasco.

Com o avanço comercial de Meca, uma elite substituiu gradualmente o poder de um só líder, esta elite era constituída pelas famílias, ou clãs, de comerciantes ricos, ou chefes de cada uma dessas famílias compunham o conselho dos Coraixitas, que governava Meca. Estas famílias possuíam as melhores casa, ou seja, as mais centrais e, portanto, mais próxima a Caaba e ao poço que havia em sua frente. Os Coraixitas mais pobres viviam no subúrbio, ou seja, nas regiões mais afastadas do centro. Além dos Coraixitas, detentores de maior status na cidade, havia também os membros de outras etnias, como os próprios Khozâ’a, e outros povos que migraram para a cidade em conseqüência de sua prosperidade, prosperidade esta devida à Caaba, dessa forma, a Caaba era, para Meca, muito mais do que um lugar de culto religioso, era mesmo a fonte de poder e razão de existência da cidade.

Especial Império Islâmico: Uma unidade de Fé forjada numa diversidade de Culturas.

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