Maomé, um profeta revolucionário < Império Islâmico: uma unidade de fé forjada numa diversidade de culturas < Dossiês < Duplipensar.net Português do Brasil  English 
 

 
Maomé, um profeta revolucionário Império Islâmico Maomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário Império IslâmicoMaomé, um profeta revolucionário  



Danilo José Figueiredo - Publicado em 30.03.2004


  Publicidade

Existe uma certa discordância entre os autores especialistas no período, sobre em que ano exatamente nasceu Maomé. É certo, no entanto, que a data de seu nascimento não pode ser anterior a 567, nem posterior a 572. Dentro deste breve intervalo de possibilidades (apenas cinco anos), o ano tomado como mais provável é o de 571, sendo assim, será esta data que adotarei para me referir à idade do profeta nos diferentes períodos.

O fundador do Islamismo era filho de um negociante chamado Abdallah e de uma mulher chamada Amina. Não chegou a conhecer o pai, que faleceu numa de suas viagens, antes mesmo de seu nascimento. Quando tinha seis anos de idade, perdeu também a mãe, que só lhe legou alguns camelos, algumas ovelhas e uma escrava.

Filho único, Maomé passou então a viver com o avô paterno, Abd al-Mottalib, que, no entanto, só viveu até que o neto completasse oito anos de vida.

Mais uma vez sozinho no mundo, o garoto foi viver com seu tio, Abu Talib. Este, com a morte do pai, herdara a liderança da família, os Banu Hachim, e, dessa forma, um posto no conselho Coraixita de Meca, visto que a família, ou clã (palavra mais apropriada, visto que família, de um modo geral, engloba apenas o núcleo familiar, enquanto que clã engloba a totalidade dos parentes e, no caso de uma sociedade patriarcal, como a Árabe sempre foi, também as mulheres que se casassem com os homens da família, deixando, no entanto, as mulheres realmente do clã de fazer parte deste quando se casassem com um homem de outro clã; em outras palavras, a mulher pertencia ao clã de seu pai até que se casasse, quando passava a fazer parte do clã do marido) estava entre as mais proeminentes da cidade.

Abu Talib tinha um filho, Ali, que cresceu como irmão de Maomé e que, ao longo de sua adolescência, tornou-se seu maior e melhor amigo, além de vir a ser um de seus primeiros seguidores.

Quando passa a viver com o tio, Maomé começa a ser iniciado na profissão de mercador, ou seja, começa a realizar viagens a toda parte, em especial para o norte, rumo a Damasco e outras cidades do Império Bizantino e da Pérsia, principalmente na Síria. Reza a tradição Muçulmana de que numa dessas viagens, Maomé, ainda adolescente (entre 12 e 15 anos) teria encontrado um monge do deserto, um eremita (nos primórdios do Cristianismo os eremitas eram muito comuns, visto que segundo as pregações do apóstolo Paulo, a salvação estaria numa renúncia ao sexo e a sociedade, ou seja, na castidade total e esta só seria possível com o afastamento das tentações mundanas, em suma, com o isolamento do indivíduo em um lugar distante, como uma montanha, uma floresta ou um deserto) chamado Bahira. Este teria predito a missão do garoto e recomendo a seu tio que o protegesse de seus possíveis inimigos (que os Islâmicos gostam de ver como sendo os Judeus ou talvez os Bizantinos, porém, com maior possibilidade para os primeiros).

Até os vinte anos Maomé continua trabalhando e vivendo com seu tio, até que, em 591, torna-se agregado (um empregado que vive na casa do patrão e, em troca de seus serviços, é sustentado por ele, porém, um agregado é muito diferente de um servo ou um escravo, pois possui única e exclusivamente um vínculo empregatício com seu patrão, vínculo este que pode ser desfeito a qualquer momento por qualquer das partes, ou então baseado em um acordo formal pré-existente) de Khadidja, uma rica viúva de trinta e cinco anos.

Para a viúva, Maomé trabalha por cinco anos, provavelmente como chefe de suas caravanas comerciais, visto que, com a morte de seu marido, não havia quem acompanhasse os empregados nas viagens de negócios. Depois de cinco anos, o futuro profeta, agora com 25 anos, casa-se com a patroa, agora com 40 anos (idade avançada para a época e para as condições de vida da Arábia).

O casamento resulta em tranqüilidade financeira e status social para o rapaz. Além disso, ele tem sete filhos com a esposa (ao que, parece todos em seqüência, e nos primeiros anos de casamento, devido à avançada idade de Khadidja): três homens que morreram ainda bebês e quatro mulheres: Zeineb, Roqaia, Ummu Keltsum e Fátima.

Em 611, já com quarenta anos, Maomé finalmente iniciou sua vida de profeta; depois de distribuir gordas esmolas aos pobres de Meca, retirou-se para as montanhas, onde iniciaria sua meditação.

Meditação e Experiência, a criação da nova Fé:
Alguns meses se passam sem que Maomé retorne para casa, nesse tempo, ele observa os céus e medita constantemente (talvez se lembrando do que o velho eremita lhe dissera, quando garoto).

Nada acontece nos primeiros tempos de meditação do profeta, porém, depois de um certo período de isolamento, numa certa noite, enquanto Maomé dormia, sonhou com um anjo que lhe entregava um pergaminho e ordenava: "Leia!". Maomé, que era analfabeto, insistia ao anjo que não sabia ler, no entanto este insistiu que o homem o fizesse e este, sem escolha, obedeceu.

Para sua própria surpresa, ele conseguiu ler tudo o que estava escrito no pergaminho e, quando acordou, sentiu que um livro havia descido dos céus para seu coração. A este livro, Maomé chama Corão, ou Alcorão.

À partir dessa noite, Maomé teve certeza de que era realmente o "escolhido" de Allah e que deveria pregar ao mundo. Retornou então a cãs, onde contou sua experiência a Khadidja, agora uma anciã de 55 anos. Ela, que poderia ter desdenhado do marido, ao contrário, tornou-se a primeira convertida ao Islã. Nascia uma nova fé.

Maomé estava convertido, aos 40 anos, em profeta, o que, na Arábia daquela época, era comum, visto que por todos os lados havia os Kâhin, ou profetas, que preconizavam desde a vinda de um messias até o Juízo Final.

Inicialmente, o profeta pregou apenas para aqueles que lhe eram mais caros, ou seja, para a mulher, para o primo, Ali; para Abu Bakr, um grande amigo; para Zayd, um escravo liberto que Maomé adotara como filho; e para Uthman, seu genro. Maomé esperava que novos sinais dos céus lhe fossem enviados, porém, em quase três anos nada aconteceu, dessa forma, ele se sentia acovardado em iniciar suas pregações para estranhos.

Em 613, porém, um novo "contato divino" foi estabelecido com Maomé, ele teve uma espécie de ataque epilético (tanto que hoje muitos historiadores suspeitam que o profeta sofresse de epilepsia), do qual, depois de voltar a si, contou revelações. Na verdade, a partir dessa data, esses "contatos divinos" começaram a se tornar mais freqüentes e isso motivou o profeta a iniciar suas pregações ao povo.

A princípio, as pregações do profeta não atingiram grandes proporções, mas por volta de 615, já havia um bom número de recém-convertidos ao Islamismo. Nesse grupo podia-se contar principalmente jovens dos grandes clãs Coraixitas; membros dos clãs Coraixitas menos influentes; pessoas não pertencentes aos clãs Coraixitas e escravos.

A conversão dos filhos dos grandes clãs começou a preocupar a elite Coraixita que não via com bons olhos algumas das práticas recomendadas por Maomé, tais como: a valorização da solidariedade e a doação de esmolas (essas práticas iam de encontro aos ideais pré-capitalistas profundamente enraizados na sociedade Mequense, isso porque os ricos almejavam se tornar mais ricos e para isso exploravam os pobres, sendo assim, o fato de Maomé condenar à danação os que não fossem solidários e caridosos enfurecia as elites), e o caráter profundamente monoteísta do Islamismo (esta era a pior característica da nova religião, do ponto de vista dos Coraixitas, isto porque se ela se propagasse muito, poderia causar um colapso na economia de Meca que, como expliquei anteriormente, girava em torno da Caaba).

Devido a esses pontos de conflito entre as elites de Meca e a religião de Maomé, iniciou-se uma forte perseguição a seu culto na cidade. Tais perseguições (iniciadas em 615) acarretaram na dissidência de muitos convertidos e na fuga de outros para a Etiópia, onde o monoteísmo era aceito devido ao fato de o país (que à época se chamava Abissínia) ser Cristão.

Vendo que seus adeptos estavam começando a diminuir devido às perseguições, Maomé começou a "se mexer" para arrumar um lugar onde seu culto fosse aceito.

A Hégira:
Na verdade, Maomé não sofria, ele próprio, nenhuma sanção dos Coraixitas, porque seu tio, Abu Talib, apesar de não ter se convertido ao Islã, permanecia como um dos membros do conselho da cidade e protegia o sobrinho e filho adotivo da ira do conselho. Além disso, Khadidja, sua esposa, era muito rica.

Porém, em 619, duas tragédias ocorrem em seguida para Maomé: primeiro Khadidja falece, aos 63, vítima de sua idade avançada. O profeta havia dedicado a ela vinte e três anos de sua vida e seu casamento havia sido tão feliz que Maomé nunca traiu a esposa, o que era comuníssimo na época.

Porém o pior golpe viria apenas alguns dias após a morte da esposa, seu tio e protetor, Abu Talib, chefe de seu clã, morreria e, ao se recusar a se converter, mesmo em seu leito de morte, geraria a crença, entre os seguidores de Maomé e no próprio, de que iria para o inferno. Essa crença fez com que Abu Lahab, irmão de Abu Talib e novo chefe do clã de Maomé, se tornasse o pior inimigo dos Muçulmanos, incentivando as perseguições, principalmente ao próprio Maomé.

Ao perder seus pontos de apoio, Maomé percebeu que sua vida, caso permanecesse em Meca, correria perigo, sendo assim, abandonou imediatamente a cidade e tentou se instalar em Taif, uma cidade nas montanhas, próxima a Meca. No entanto, depois de apenas alguns dias na cidade, foi expulso e obrigado a voltar a Meca. Tentou então contato com os chefes das tribos Beduínas, mas fracassou em uni-los e mesmo em converte-los, pois para estes, a unidade política não tinha sentido, amava a liberdade e o nomadismo que lhes eram intrínsecos há séculos.

Depois do fracasso diplomático frente aos Beduínos, Maomé voltou sua atenção à cidade onde seu pai havia sido sepultado: Yathrib.

A cidade de Yathrib havia sido fundada por três tribos Judaicas fugidas da destruição da Judéia: os Nadhir, os Qorayza e os Qaynoqa. Porém, depois de alguns anos do estabelecimento destas no território, duas tribos Árabes dissidentes do Iêmen, os Khazradj e os Awz, chegaram à cidade e depois de subjugar os Judeus, dominaram-na e passaram a lutar entre si pela hegemonia. Os Awz com os quais os Judeus se aliaram, venceram e passaram a controlar a cidade, num sistema semelhante ao de Meca. Porém, ao que parece, havia participação dos membros da outra tribo Iemenita no conselho da cidade, mas uma participação minoritária.

Maomé reuniu-se, em 620, com os líderes dos seis clãs khazradj (os minoritários) e converteu-os. Dessa forma, meio caminho já estava andado para o profeta. Depois da conversão de parte dos membros da tribo Awz, Maomé recebeu, em 622, garantias de que poderia vir com seus adeptos de Meca para Yathrib.

Maomé voltou para Meca e organizou a partida de seus seguidores, que partiram em pequenos grupos para não levantar muitas suspeitas. Ele e Abu Bakr foram os últimos a deixar a cidade. Ambos passaram por Qoba, onde Ali os esperava e os três marcham para Yathrib, onde em 24 de setembro de 622, fazem sua entrada triunfal (notem que, como veremos mais à frente, o dia da Hégira é considerado o 16 de julho, não o 24 de setembro).

A Hégira, ou seja, a saída dos Muçulmanos de Meca e sua ida para Yathrib, está concretizada. Na nova cidade Maomé é recebido com honras e assume o posto de Malik (Rei). É interessante notar que as duas tribos Iemenitas de Yathrib viram em Maomé e na nova religião tanto o Messias do qual os Judeus da cidade falavam, quanto uma esperança para o fim das disputas entre ambas as tribos pelo poder a cidade.

É interessante notar que a maioria dos adeptos de Maomé que havia migrado com ele de Meca, não tinha sequer uma propriedade em Yathrib e, dessa forma, estariam condenados à miséria se não fosse a política de intervenção do profeta, política esta que explicarei no item seguinte.

Destruição dos Ídolos da Caaba:
Chegando em Yathrib e obtendo o poder, Maomé tornou a cidade a inimiga número um de Meca, tanto que esta passou desde o princípio ao confronto aberto contra o profeta.

Foram oito anos nos quais se por um lado Meca atacava, por outro Yathrib se defendia e fortalecia. Não convém aqui explicar detalhadamente todas as batalhas entre as duas cidades-Estado ocorridas entre 622 e 630, mas sim contar como pode Maomé, em oito anos, passar de Malik, líder político a Califa líder político e religioso (Imam) e como pode ele, nesse mesmo período, fortalecer sua cidade a ponto de empreender a conquista da rival.

Bem, quando da chegada do profeta a Yathrib, a cidade estava dividida em alguns grupos bem distintos quanto a sua orientação religiosa: havia o grupo de fiéis que havia migrado de Meca com Maomé, portanto fiéis mais antigos, mas que estavam marginalizados social e economicamente na nova cidade; havia os convertidos de Yathrib, em especial a aristocracia da cidade, que davam força a Maomé; havia os hesitantes, ou seja, aqueles que haviam aceito o Islã, mas não com plena convicção; havia também os pagãos, ou seja, aqueles que se recusavam a aceitar o Islã e continuavam a praticar suas religiões antigas; e, por fim, havia os Judeus, que praticavam sua religião milenar (embasaba no Velho Testamento e no Talmude, livros que dão respaldo ao Judaísmo) e nunca aceitariam a conversão ao Islamismo.

Quanto a esses grupos, Maomé tomou as seguintes providências. Das elites convertidas de Yathrib, ele tirava o apoio para realizar seus projetos; quanto aos hesitantes, fazia de tudo para torna-los realmente fiéis ao Islã; quanto aos pagãos, deu-lhes liberdade de culto, pois sabia que, na posição em que se encontrava, se fosse intolerante com aqueles que compunham a maioria da população, seria fragorosamente derrotado. Porém, as atitudes mais marcantes do profeta foram realmente com relação aos Judeus e aos que emigraram de Meca com ele. Como estes estavam sem terra e eram os mais leais à nova fé e como, por outro lado, aqueles eram os maiores inimigos da fé na cidade (lembrem-se do que disse o eremita a Maomé enquanto ele ainda era uma criança), Maomé decidiu unir o útil ao agradável, ou seja, iniciou uma política de perseguição violenta aos Judeus, e, à medida que estes eram exterminados, seus bens ficavam para os oriundos de Meca. Essa política, em oito anos exterminou as três tribos Judaicas de Yathrib, além de impor o medo aos pagãos que temiam serem os próximos a sofrerem tais perseguições. Dessa forma, Maomé conseguiu as terras e bens dos Judeus para seus protegidos e ainda conseguiu forçar a conversão de boa parte dos pagãos, tanto que, por volta de 628, Yathrib mudou seu nome para Medina, ou seja, a cidade do profeta; e Maomé recebeu o título de Califa, chefe político e religioso, sendo assim, o Estado de Medina constituía-se numa Teocracia.

Em fevereiro de 628, Maomé resolveu realizar uma peregrinação a Meca, é claro que foi impedido pelos Coraixitas de entrar na cidade, mas firmou um acordo com eles de que poderia realizar sua peregrinação no ano seguinte. Este acordo foi visto como um sinal de fraqueza pelos Muçulmanos, mas, na verdade, constituía uma jogada política do profeta, isso porque, quando em 629, ele foi até Meca, com permissão para ficar três dias, conseguiu prolongar sua estadia realizando mais um casamento (após a morte de Khadidja, Maomé iniciou uma série de casamentos, o primeiro deles foi justamente com a filha de seu grande amigo Abu Bakr, mas depois foram realizados inúmeros outros, tanto que a Mesquita de Medina, a primeira que foi construída, tinha diversos quartos para as esposas do profeta; estes quartos eram construídos junto às paredes externas do templo e aumentavam em número à medida que o harém de Maomé crescia), com Maimuna, filha de seu tio, al-Abbas (que não se convertera) e tia de Khalid ibn al-Walid, o maior general de Meca.

Graças a seu casamento, Maomé conseguiu a ira do tio e a conversão de Khalid ibn al-Walid. Este, no mesmo ano, liderou uma grande expedição contra as fronteiras do Império Bizantino, expedição que terminou em fiasco e morte da maior parte dos Muçulmanos, mas que foi uma demonstração de que as tropas de Medina estavam prontas para uma guerra definitiva contra Meca.

No princípio de 630, o general Mequense recém convertido liderou os exércitos de Medina até as portas de Meca, lá, ele recebeu uma embaixada Coraixita que se destinava a ceder aos desígnios de Maomé. Estes eram entrar em Meca sem resistência e visitar a Caaba.

Aceitas as condições do profeta, procedeu-se a entrada em Meca. Uma pequena tropa Mequense que ofereceu resistência foi destruída pelas tropas Muçulmanas e Maomé, junto com seu exército marchou até a Caaba. Chegando lá, contornou o templo sete vezes e depois entrou; então, tocou a Pedra Negra com seu cajado e gritou: "Allah é o maior!".

Depois disso, ordenou a destruição dos mais de trezentos e sessenta ídolos das várias religiões da Arábia, que havia na Caaba e, por fim, mandou que o teto, onde havia um afresco Judaico-Cristão, fosse pintado. Era a conquista de Meca, a vitória de Maomé, o profeta de Allah.

A conquista da Arábia:
Depois de conquistar Meca e destruir os ídolos da Caaba, Maomé retornou a Medina, de onde organizou expedições para toda a Arábia Central. Essas expedições colocaram boa parte da península sob a autoridade do profeta, mas não toda, sua unificação só seria concluída um ano após a morte de Maomé.

Na peregrinação anual dos povos Árabes à Caaba, em 631, os peregrinos não encontram suas divindades, em seu lugar encontram a Caaba transformada numa Mesquita (templo Islâmico), com efeito, esta peregrinação é uma transição entre o politeísmo praticado no Hedjaz até então e o monoteísmo que o substituiria a partir do ano seguinte.

Em 632, na peregrinação anual à Caaba, Maomé se faz presente e, com várias demonstrações dos rituais a serem seguidos nas visitas futuras, além de um discurso forte, declarou ter cumprido sua missão e rogou a todos os Árabes que permanecessem unidos no Islã. Depois, fechou seu discurso perguntando a todos se havia cumprido sua missão e como recebesse uma resposta afirmativa, declarou que aquele seria seu último discurso.

É provável que Maomé já tivesse ciência de que a morte se aproximava dele, afinal, já estava com 61 anos, idade avançadíssima para a época e sendo assim, quis dar por encerrada sua missão, mas o fato é que o profeta estava correto em seu auspício, pois ao retornar a Medina, morreu apenas três meses depois, no dia oito de junho de 632.

Especial Império Islâmico: Uma unidade de Fé forjada numa diversidade de Culturas.

Leia também:
Especial A crise das charges de Maomé
Há algo de muito podre no reino da Dinamarca - Mário Maestri e Marconi de Matos
Charges da discórdia: a liberdade de expressão tropeçando na ética - Ricardo Diaz
Algo de Podre no Reino da Dinamarca? Ou no Senso de Humor Islâmico? - Joe Rocha Rangel

[+] Envie este artigo para um amigo: