Informar é censurar - "A TV estatal britânica é mais imparcial que uma TV americana dita 'independente'" Paul Krugman, professor... < Duplipensar.net
 

 



Bruno Edson dos Santos - Revisado em 03.07.2007




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"A TV estatal britânica é mais imparcial que uma TV americana dita 'independente'" Paul Krugman, professor da universidade de Princeton.

Enquanto as tecnologias de informação e de matança avançam com velocidades inéditas, o uso ético delas andam em marcha ré com velocidade total.

Uma grande amostra de dupliplensamento foi dado na proposta de se embutir jornalistas no campo de batalha junto às tropas da coalizão (cobertura embedded) na recente guerra do Iraque. A parcialidade e controle das informações vindo do campo de batalha foram tão perfeitos que poderia se lançar aqui mais uma frase no maior estilo orwelliano, sem a pretensão de ser um Orwell da vida.

Informar é censurar.

Isso mesmo, mais eficiente que censurar notícias é fazer constantes "produções hollywoodianas" de última hora. Resultado: telespectadores das TV’s norte-americanas acabavam vendo cenas de tropas da coalizão ajudando civis, atirando para o infinito (algumas vezes, pois na maioria das imagens só se davam close em alguns soldados atirando) ou tanques e carros blindados andando em velocidade rumo à cidade das mil e uma noites, enquanto as tv´s árabes e correspondentes independentes iam mais à linha do Cidade Alerta (da Record) ou Brasil Urgente (Bandeirantes), mostrando erros dos mísseis inteligentes causados por operadores burros ou sádicos, crianças iraquianas no hospital, entrevistas com prisioneiros de guerra estadunidense.

Nós aqui neste país tivemos o privilégio de estar sob os diversos pontos de vista da guerra, mas e as sociedades norte-americanas e iraquianas?

Do ex-regime iraquiano poderia se esperar o clássico de uma ditadura, de desinformação para com a sociedade até declarações engraçadas de Mohammmad al-Saraf (o Ali Cômico, lembram-se?).

Mas o que dizer das mídias privadas norte-americanas? Simplesmente enrolaram-se na bandeira e dinamitaram a imparcialidade em nome do patriotismo. Principalmente as mídias do ufanista e magnata das comunicações Rupert Murdoch, que são a Fox News e o The New York Post. Se bem que, todo esse patriotismo ufanista não impediu Murdoch, como publicado na revista Fortune, de "fazer as vontades do regime repressor chinês para conseguir acesso a esse gigantesco mercado". Isso poderia acontecer nos EUA ou Brasil? É claro que sim.

Quanto aos jornalistas independentes (os não embedded) esses foram um contraponto interessante. 1) É em relação ao controle do agora ex-regime iraquiano da qual era tecnicamente frouxo, fato confessado por Carlos Fino da TV portuguesa RTPI no programa roda viva da TV cultura onde o mesmo diz que à medida que ia tendo contato mais amigável com os agentes de controle de Saddam, estes iam fazendo vistas grossas, deixando filmarem quase qualquer coisa sem colocar isso em relatórios. 2) O estranho e criminoso episódio do ataque ao hotel Palestine onde se encontravam apenas jornalistas que estavam "armados com câmeras de TV, máquinas fotográficas e equipamentos de videoconferência". Pior foram as justificativas, quanto mais se tentava explicar, mais feio ficava a situação. Tentaram assassinar "os infiéis à democracia", já que tinham dado cabo da TV estatal iraquiana. Agora, com o fim da guerra o exército da coalizão controla a rádio e TV do Iraque, ou seja, é hora de "converter".

É extremamente importante que as distorções exageradas ocorrida na guerra deva despertar uma discussão sobre o relacionamento entre a administrações políticas e a mídia, pois a própria história diz que esse tipo de relação sempre produziu coisas obscuras. Segundo Paul Krugman, que denuncia numa matéria do caderno de economia de O Estado de São Paulo a habilidade do governo Bush em incentivar as mídias mais poderosas a bajular quem está no poder, através de suspensão de "propriedade cruzada", ou seja, posse de jornais, tv´s, rádios numa mesma localidade, regulamentações da mídia e etc., atitudes como as citadas acima provocaram a mudança - por parte dos norte-americanos - de busca de informação das tv´s estadunidense para a BBC inglesa, o que é um estranho paradoxo segundo Krugman, pois a BBC é de propriedade do governo britânico. Mas é justamente por ser estatal e, portanto estar debaixo de um pesado escrutínio ela se comporta o mais eticamente possível, enquanto que, por ser privadas (e pretensamente independente) as tv´s norte-americanas se comportam como um Ali Cômico nada engraçado. E vai ficar cada vez menos engraçado à medida que Michael Powell, presidente do FCC (Federal Communications Commission) conseguir tornar menos rígidas as normas sobre propriedade de mídia, o que irá reduzir a diversidade de notícias disponíveis para a maioria das pessoas. Para não ficar longe dos problemas de lá, basta lembrar que aqui neste Brasil, há alguns anos houve intenso debate no congresso sobre uma maior participação do capital estrangeiro nas redes de mídia com capital aberto, ou seja, os grandes.

Concluindo, administrações públicas, e em especial a norte-americana aprenderam mesmo com Goebbels e com a guerra do Vietnã.

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