Você foi selecionado < Artigos < Duplipensar.net
 

 
Você foi selecionado Telemarketing - Seguro de Vida - Você foi selecionado - Cliente Especial Você foi selecionado Telemarketing - Seguro de Vida - Você foi selecionado - Cliente Especial  



Wolf Borges - Publicado em 13.04.2004


  Publicidade

“The things you own end up owning you... We are consumers. We're by-products of a life-style obsession. Murder, crime, poverty. These things don't concern me. What concerns me are celebrity magazines, television with 500 channels, some guy's name on my underwear. Rogaine. Viagra. Olestra. Martha Stewart..."
Tyler Durden, em Clube da Luta

Um dia desses o meu banco me ligou a noite em casa, oferecendo um seguro de vida incrível, dizendo que eu fui selecionado como cliente especial e que se eu morresse iria receber uma fortuna. Como sempre para este tipo de ligação, sou objetivo e levemente mal educado, dizendo que um dos fatores que me faziam ser cliente desse banco há mais de 10 anos, era o fato de nunca ter sido importunado com produtos e serviços por telefone, ao que o rapaz, diante de minha resposta, não encontrando alternativas em sua tela de telemarketing, agradeceu e desligou. Graças a Deus!

Na verdade, caro leitor e caro senhor banqueiro, o que me irrita neste tipo de ligação não é o seguro que me propõe a morte milionária, mas sim o fato de ser pré-julgado por uma estatística, ser configurado pelo perfil do saldo médio que possuo, ser considerado algo que não sou, não quero e não preciso ser. Não suporto a idéia de ser o “público-alvo” pronto a levar o tiro certeiro dos pistoleiros marqueteiros. Não gosto de ser pré-conceituado pelos meus ganhos materiais, não sou o que visto, não sou o carro que tenho, o que consumo, pois tudo isso são ferramentas que uso para atingir o que preciso e não preciso me apegar a esses objetos. Escolho minhas ações por aquilo que me dá mais liberdade de ser eu mesmo, seja nos investimentos, nos relacionamentos, no lazer, no seguro de vida etc.

Acredito que quando a sociedade começar a focar e reconhecer o outro na sua singularidade e não nas suas cascas, vai redescobrir a sua própria humanidade e poder fazer com isso, escolhas mais consistentes com sua realidade, seus desejos, limites e potenciais. Nesse dia, o telemarketing dos bancos vai parar de falar e começar a ouvir seus clientes. Acredito até que vai obter lucros com isso.