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Reflexão e auto-avaliação do educador 2
Paula Lameu - Publicado em 30.05.2004
Em texto anterior, já abordei a questão da resistência do professor em se avaliar, avaliar seu trabalho e ser crítico, refletindo em sua prática para elaborar estratégias que façam com que o coletivo interaja, promovendo a construção do conhecimento.
Pois bem, desde o início do ano eu e outros educadores estamos desenvolvendo essa prática reflexiva em nosso colégio e por isso nos dividimos em três grandes áreas do saber: Códigos e Linguagens (Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Educação Física e Educação Artística); Ciências Naturais (Ciências e Matemática); e Ciências Humanas (Filosofia, História e Geografia).
Os professores-coordenadores são os mais antigos dentro da nossa pedagogia e estão capacitando os outros, desde a Educação Infantil ao Ensino Fundamental. Nossos encontros são semanais e conversamos sobre as práticas bem sucedidas, elaboramos novas estratégias, avaliamos e refletimos no trabalho que vem sendo desenvolvido.
Estamos nos preparando para o crescimento do colégio e para ministrar a capacitação de outros profissionais dentro da pedagogia praticada. Achamos, na nossa vã ingenuidade, que não teríamos problemas em “nos” capacitar.
Um dos profissionais não está conseguindo interagir com o grupo e aos poucos foi se afastando. Não consegue fazer um relatório reflexivo, apenas descrever o que ocorre em sala de aula. Ora, se não há reflexão, não há criticidade do próprio trabalho e não há evolução e melhoria do mesmo. Sabemos que a sua dificuldade de aceitação e assimilação são decorrentes de problemas externos ao colégio, de ordem psicológica e emocional, mas não justifica o seu não envolvimento, a sua não tentativa.
Muitas vezes o trabalho do educador é prejudicado por problemas pessoais, fora do contexto escolar e o indivíduo não percebe. Quantas agressões, discussões, birras e “baixarias” ocorreram em função desses problemas?
O educador não deve deixar que esse tipo de situação ocorra, prejudicando seu trabalho, pois é responsável pelo sucesso da aquisição de conhecimento de seus alunos.
Sabemos que somos humanos e falhamos, mas devemos ser humildes, reconhecer os nossos erros e aprender com eles, revertendo-os em novas práticas.
Como um professor quer promover a educação se não consegue retirar ensinamentos das situações vividas? Como ele quer que os alunos acreditem nele se ele mesmo não acredita no que faz?
O educador deve estar predisposto a aprender com a vida para poder proporcionar aos alunos essa prática, mostrando a eles que sempre se pode tirar lições de todos os momentos da vida, não sendo necessária a figura do professor e nem a presença na sala de aula.
Professor que não tem competência para ouvir seus colegas, seus superiores e principalmente seus alunos, não tem competência para ensinar, pois não tem a competência para aprender.
Leia também:
• Reflexão e auto-avaliação do educador - Parte 1
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• Perfil de Jussara Hoffmann
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