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Adilson Luiz Gonçalves - Publicado em 23.06.2004


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Uma pesquisa de alto nível - realizada pelo "Centro de Altos Estudos em Psicologia", de Pisser-sur-les-Alpes, na Suíça, sob a coordenação do Prof. Dr. Malin Foudepierre e publicada na conceituada revista científica “Empiricist”, -estudou o efeito que a aquisição de cultura provoca numa amostra aleatória de pessoas identificadas como cultas ou que se apresentaram como tal. Eis algumas conclusões do estudo, relativas a maioria dos entrevistados:

1) A aquisição de cultura é considerada um ato de prazer, altamente estimulante. Não restringem seus conhecimentos e freqüência aos âmbitos exclusivamente eruditos. São cosmopolitas;
2) São bem-humorados e, algumas vezes, irônicos, mas não menosprezam seus interlocutores;
3) Tendem a ser mais tolerantes e aptos ao diálogo e conciliação. Não praticam discriminação social ou racial. Os conhecimentos adquiridos são utilizados para ilustrar situações e posições. São atentos e críticos a qualquer opinião concordante ou discordante, tratando-as e questionando-as de forma articulada e objetiva, sem inibir o interlocutor com seu currículo pessoal;
4) Não apresentam diferenciação física ou social da média da população. Salvo ocasiões sociais e festivas, vestem-se normalmente, comem o trivial e trabalham. Têm restrições quanto a modismos e convenções. Falam de si próprias somente quando solicitadas e não se consideram diferentes ou superiores.

Embora os resultados demonstrem que a aquisição de cultura tem efeito altamente positivo na personalidade dos indivíduos, alguns dados, apesar de percentualmente pouco significativos, apontaram para a existência de grupos de risco, formados por pessoas que tendem a apresentar alterações de comportamento durante a evolução do processo. Os distúrbios identificados foram os seguintes:

1) Megalomania;
2) Afetação de gestos e fala;
3) Incoerência entre opiniões e a práticas;
4) Necessidade de demonstrar seus conhecimentos, mesmo em situações inadequadas;
4) Incapacidade de expressar opiniões pessoais;
5) Discriminação social e cultural;
6) Gosto por estereótipos;
7) Dificuldade em participar de atividades das quais não sejam líderes, pois nessas condições apresentam comportamento pouco cooperativo e pontuado por manifestações explícitas de discordância e enfado;
8) Instabilidade emocional perante adversidades.

Uma leitura atenta da introdução permite concluir que esse estudo não passa de uma invenção. Até a cidade, bem como seu coordenador e veículo de divulgação, são fictícios e esdrúxulos! Esse, aliás, é um recurso muito utilizado para iludir incautos, crédulos e discípulos. Mas a maioria das conclusões relacionadas pode ser comprovada sem grandes pesquisas ou dificuldades.

É essa nefasta e, ao que parece, intencional associação da cultura ao estereótipo da afetação, arrogância, sofisticação e elitização, que impede a acessibilidade e democratização da cultura erudita!


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